Madalenas de Geleia e Chocolate

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Sou uma pessoa de Dezembro. Do limiar entre o entardecer dourado de Outono e as noites frias e escuras de Inverno. Da liberdade que emana dos Sagiatarianos. Sou uma pessoa de Dezembro. O último do calendário que nos obriga a colocar a consciência em balanço e a ouvir o rebuliço interior. O ante-primeiro que nos força gentilmente a arrumar a casa para receber o mês primeiro de um ano que ainda está para vir.



 Sou de Dezembro. Da luz que brilha em cada olhar ansioso por reunir a família em redor dos valores que vêm por bem. O mês em que me atrevo a olhar pelo ombro e a entre-ouvir o tilintar de um singelo orgulho pessoal. Sou da recta final, em que as pernas ganham novo fôlego para um sprint que exige mais resistência do que velocidade. Sou do mês que gentilmente aproxima as vidas em abraços mimosos e rabanadas a babar açúcar. Sou uma pessoa de Dezembro, este mês tão cheio que passa a correr entre laços, filhoses e serões à lareira entre histórias de infância e risos comunitários. Este mês que tem sempre tempo para o amor. Tenho muito apreço por tudo o que há em mim de Dezembro e por tudo o que dou em Dezembro.
 




 Madalenas de Geleia e Chocolate

Ingredientes
75gr de manteiga
4 colheres de sopa de geleia de marmelo
2 ovos grandes
100gr de açúcar branco refinado
100gr de farinha de trigo autolevedante
1/2 colher de chá de fermento em pó
150gr de chocolate negro
2 colheres de sopa de leite (à temperatura ambiente)

Colocamos a manteiga e a geleia numa caçarola e levamos a lume, o mais brando possível. Após a manteiga derreter, tiramos a caçarola do lume e deixamos arrefecer. Deitamos os ovos e o açúcar numa misturadora eléctrica e batemos até obtermos uma pasta esbranquiçada e com a consistência de uma mousse (algo que poderá demorar cerca de 10 minutos). Aquecemos previamente o forno à temperatura de 180Cº. Peneiramos a farinha para dentro da taça da mistura dos ovos, juntamos o fermento. Por último, juntamos a manteiga. Com uma colher de metal envolvemos tudo rapidamente, mas com suavidade. Enchemos as concavidades do tabuleiro, previamente preparado. Levamos ao forno durante 8 a 10 minutos ou até os bolos crescerem e alourarem. Deixamos as madalenas arreferecerem  no tabuleiro durante cerca de 2 minutos antes de as desenformarmos. Transferimos para uma rede de arrefecimento. Esta receita permite obter cerca de 15 madalenas. Depois de bem arrefecidas, levamos o chocolate a derreter em banho-maria juntamente com as duas colheres de sopa de leite. Mergulhamos o topo das madalenas no chocolate e deixamos secar sobre papel vegetal.




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Prendas de Natal - A escolha do Cardume de Rodovalhos

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"É um evento perfeitamente aterrador  ser abalroado por peixes achatados." Se procurarem informação sobre o projecto Cardume de Rodovalhos é esta a primeira descrição que vão encontrar. Tenho a certeza que vos vai deixar curiosos. O Cardume de Rodovalhos é um projecto literário que sigo com muito carinho por diversas razões. Em primeiro lugar porque foi o mentor deste projecto que criou a melhor personagem de todo o sempre de policiais. Não conhecem? Então depois de lerem este post sigam para o blogue do Cardume e conheçam o Gregório Policarpo. Vão ver que tenho razão. Em segundo lugar, porque é graças ao mentor deste projecto que eu alarguei os meus horizontes em relação a diversas áreas da literatura. Em terceiro, porque tenho tido a sorte de acompanhar este projecto de perto, muito perto. E em quarto (aqui que ninguém nos ouve) porque o mentor deste projeto é sem dúvida a minha inspiração diária, a força que me impele a não desistir ddos meus sonhos, a pessoa mais bondosa, criativa e com uma qualidade de escrita imensa mas ao mesmo tempo repleto de humildade (o que nem sempre é fácil de encontrar numa mesma pessoa). Sim, sim, tenho muito orgulho no Cardume de Rodovalhos e no seu mentor. Como é a ele que recorro sempre que preciso de uma sugestão na área dos policiais ou do mundo fantástico, desafiei-o a preparar algumas sugestões de prendas de Natal nesta área. E claro depois de receber o maravilhoso texto dele percebi que tenho de renovar a minha biblioteca. Espero que gostem destas sugestões. Não se esqueçam que o Natal está mesmo ao virar da esquina.

           O desafio lançado pelo Reservatório de Sensações apanhou-me de surpresa.
“Queres fazer uma lista de livros que recomendes como prenda de Natal?”
A resposta, como é óbvio, só podia ser uma “Não. Porque me estás a pedir isso a mim?” mas rapidamente fui derrotado com um directo “Porque és um leitor ávido, um procrastinador impenitente no que toca a compras de Natal e que todos os anos tem de andar a desenrascar prendas à última da hora.” Isso deu-me que pensar.

Escolher prendas de Natal é uma tarefa agonizante. A pressão de escolher algo interessante que agrade à pessoa visada, mas que seja também também útil e/ou interessante, pode fazer desabar o ânimo do mais optimista dos oblatadores. E portanto, há que arranjar uma solução para quando as ideias faltam e a véspera de Natal espreita perigosamente da esquina à espera de nos emboscar num simples virar de página do calendário. Essa solução, claro está, é oferecermos livros. Há para todos os gostos, tamanhos e feitios, sobre todos os assuntos possíveis e imaginários e temos a vantagem de poder contrapor qualquer demonstração de insatisfação por receberem árvores mortas moídas em pasta com o velhinho argumento “Ó pá, cala-te e lê que só te faz bem.”

Brincadeiras à parte, este rol pretende dar algumas ideias àqueles que, como eu, gostam de espalhar a magia da leitura pelos seus amigos, familiares, etc. mas, ao mesmo tempo, gostam de deixar as compras de Natal “arrumadas” com uma visita a apenas uma loja.

Para mexer com a imaginação do leitor nada melhor que um mergulho até um destes mundos fantásticos:


  • A SAGA DOS OTORI de Lian Hearn: Esta fabulosa colecção de cinco livros, que começou como uma trilogia, inspira-se na história do Japão feudal para tecer os seus ambientes fictícios e personagens que lá habitam de forma hábil e, apesar de se tratar de um mundo onde o sobrenatural é natural, verosímil. Aconselha-se vivamente a começar pelo 1.º livro (A Tribo dos Mágicos).
  • NEVERWHERE - TERRA DO NADA de Neil Gaiman: O humor negro e a imagética de ficção de terror que o autor sabe fazer tão bem caem que nem ginjas nesta deliciosa narrativa dum mundo “paralelo” com entrada nos esquecidos esgotos sob a cidade de Londres. Deixem Londres-de-Cima para trás e aventurem-se com a personagem Richard Mayhew na Londres-de-Baixo.
  • THE COLOUR OF MAGIC de Terry Pratchett: O primeiro dos livros de Pratchett a ter lugar no famoso Discworld (um mundo plano com o formato de um disco, assente sobre quatro elefantes, que por sua vez se empoleiram sobre uma tartaruga gigante que nada espaço fora) que havia de ser palco de mais 40 romances e inspirar mais outra dezena ou duas de livros. A maioria dos romances do Discworld são estórias fechadas e como tal podem ser lidos e apreciados isolados dos anteriores. Ainda assim, aconselho a começar pelo primeiro pois, não sendo o melhor livro do autor, é o que melhor introduz o mundo que ele se propôs a criar durante o resto da sua vida. Apesar de existirem traduções em português europeu de alguns volumes da colecção são difíceis de encontrar em livrarias - on-line ou físicas -  e a verdade é que o humor de Terry, mestre do trocadilho, perde na tradução por melhor que esta seja.

    Heróis de capa e espada em épocas pseudo-medievais? Magia, monstros e poderes sobrenaturais? Dimensões paralelas e jornadas de autodescoberta? Bah, isso é para “meninos”. O que a malta quer ler para exercitar a massa encefálica e se divertir são policiais! Se partilham desta opinião, primeiro tirem um momento para pôr a mão na consciência por acharem que os vossos gostos são melhores que os dos outros…... Agora podem continuar a ler:


  • O TRAFICANTE DE ARMAS de Hugh Laurie: Estando mais perto, em forma e estilo, de um thriller de espionagem do que de um mistério policial propriamente dito, o livro do actor que fez de Dr. Gregory House leva-nos numa viagem até aos recantos mais corruptos do complexo militar-industrial. Escrito com um humor acintoso muito próprio, tem uma narrativa de ritmo alucinante com personagens bem definidas  e reviravoltas no enredo que conseguem apanhar desprevenidos leitores veteranos do género. NOTA: a versão portuguesa poderá ser difícil de encontrar, felizmente o mesmo não se passa com a versão original em Inglês (The Gun Seller).
  • A DAMA DO LAGO de Raymond Chandler: Um dos maiores expoentes do tipo de policial que viria a inspirar os filmes noir, Raymond Chandler criou um dos mais conhecidos detectives privados de chapéu de feltro e gabardina - Philip Marlowe. Esta estória, menos famosa que À Beira do Abismo ou O Imenso Adeus, é no entanto prova de que o autor num mesmo universo e estilo conseguia criar narrativas muito distintas. Com um ritmo mais lento e enredo menos convoluto que outros livros seus, mesmo assim Chandler consegue-nos surpreender com as reviravoltas e desenlace final do romance.
  • O NATAL DE POIROT de Agatha Christie: E agora um propositado cheirinho a quadra natalícia. Há opiniões muito díspares sobre a obra de Agatha Christie. Alguns consideram os seus enredos brilhantes, outros uma colecção insofrível de lugares-comuns. Uns consideram a sua escrita como propositadamente acessível, outros como simples e tecnicamente pobre. Uns acham que os seus personagens secundários são caracterizados com clareza, outros acham que esses personagens não passam de arquétipos bidimensionais. De uma forma ou de outra é inegável que a autora representou o pináculo do mistério policial clássico. Christie aperfeiçoou o seu processo de tal forma que rapidamente conseguia publicar best-seller atrás de best-seller como poucos autores conseguem fazer. Os livros onde aparece o seu detective Belga Hercule Poirot são exemplo disso mesmo. Formulaicos? Talvez. Mas a fórmula está refinada com tal destreza que é impossível não nos deixarmos levar pela investigação e tentar adivinhar quem é o culpado. Todos os policiais da autora são recomendados para os fãs do género. Este livro em particular foi escolhido apenas por ser um “especial de Natal”.

    E aqui terminam as minhas sugestões para ajudar nas vossas compras da quadra. Boas Festas e boas leituras.
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Embrulhar, Embrulhar, Embrulhar

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A árvore continua por montar, as decorações por colocar e o presépio por desembrulhar. Contudo, isto não quer dizer que cá em casa não se sente o espirito natalício. Antes pelo contrário, estamos apenas a respeitar as tradições. Apenas no dia 01 de Dezembro aproveitamos para nos dedicar à parte mais visível do Natal. Contudo, o espirito há muito que se faz sentir. Até porque o Natal, é sempre que o Homem quiser, certo? Uma das coisas a que nos tínhamos proposta era ir abrando do ritmo, ter mais tempo para estar com as pessoas que gostamos e despachar as compras de Natal antes de toda a gente endoidecer e andar à batatada em centros comerciais. Desde o início de Novembro, que as pequenas lembranças de natal têm-se acumulado no sítio que irá receber a árvore de natal. Uma decisão que em nada se prende com tiques consumistas, mas sim com a vontade de não nos deixarmos absorver pelo stress das compras de natal, das compras de última hora. Se bem que mais de metade das prendas serão homemade, simples mas repletas de boas sensações (assim o esperamos).



Mas mais do que comprar prendas, no último mês dediquei-me a algo que pode parecer um bocadinho parvo, mas que eu adoro: personalizar embrulhos. Todas as lojas hoje em dia dispõem de embrulhos lindíssimos, variados, para adultos, para crianças, com laços, com bolas, com cores, etc, mas eu acho que lhes falta sempre algo. Um toque pessoal. Algo que vá para além do produto/sensação que estamos a oferecer. Por isso, cá em casa tentamos sempre uniformizar os embrulhos, gostamos que casa embrulho tenha um pouco de nós, dos humores daquele ano, das cores que gostávamos e também da falta de jeito que temos para produzir embrulhos perfeitos. Houve anos em que usámos papel de embrulho verde arrematado com cordel de merceiro, outras vezes utilizámos papel craft finalizado com laços de washi tape ou até papel de cenário atado com fitas de cetim e pinhas a finalizar. As inspirações são muitas e confesso que para além dos humores e gostos pessoais, procuro sempre investigar na net um pouco das tendências do ano em causa.

Por exemplo, este ano descobri que o veludo está de volta e em força. E descobri também que se calhar lá no fundo eu adoro o toque sensível do veludo e até me vejo a comprar um vestido de veludo (é a loucura total). Por isso, e uma vez que este ano iremos oferecer à maior parte dos familiares e amigos algo simples e valioso a nível sentimental, achámos por bem envolver tudo num glamouroso papel dourado, finalizado com o toque suave do veludo. A pequena pilha de prendas vai-se acumulando e no nosso rosto há um sorriso, tudo começa a estar pronto no sítio correcto, para que possamos viver em pleno esta época tão bela. E vocês, que rituais mantém nesta quadra no que toca aos presentes?





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Prendas de Natal - A escolha de Ana Seia de Matos

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Ana Seia de Matos, é licenciada em Designer de Interiores, mas a vontade de criar sem limitações, leva-a a aceitar convites para obras mais artísticas e sem grandes constrangimentos. 

Embora se defina, muitas vezes, apenas como designer, a Ana tem construído a partir de Viseu uma carreira sólida, criativa e surpreendente como artista plástica. 

Em comum temos o facto de não apreciarmos as confusões "shopingueiras" e de olharmos para esta quadra como uma oportunidade de oferecer o que de melhor soubermos confeccionar, tecer, construir. A altura ideal para colocar em prática o verdadeiro "dar o nosso melhor". Para esta rubrica a Ana concentrou-se nas propostas diferentes que é possível encontrar ao nível virtual.

Apesar de ser a convidada da rubrica Prendas de Natal, a verdade é que também o seu trabalho pode servir para mimar neste Natal aqueles que mais gostamos. Podem conhecer a sua criatividade e arte aqui e aqui.


 Prendas de Natal - A escolha de Ana Seia de Matos
Na hora de escolher prendas de natal, a tendência é querer oferecer algo feito por mim. Tenho alguma alergia às confusões nas lojas nesta altura do ano e ao frenesim consumista, mas também gosto de dar (e receber) qualquer coisa. Nisso não sou diferente de ninguém.


Para os mais afoitos (e que disponham de tempo para isso), sugiro uns frasquinhos de compota caseira, que podem ser feitos com bastante antecedência e duram muito tempo, ou uns postais personalizados, acompanhados de um bombom de chocolate!


Para quem não tem tempo nem (acha que tem) jeito para estas coisas, e também não é super fã de centros comerciais, existe algo genial que são os sites de compras! A minha preferência vai para os que vendem produtos portugueses, ou que vendam produtos que me parecem mais especiais e diferentes. 

Os meus três sites favoritos são:

avidaportuguesa.com - espreitem a secção de papelaria para prendas catitas e em conta;











retrosaria.rosapomar.com – para aficcionados da costura, tricot e afins, tem muitos tecidos, lãs, acessórios e livros que ensinam formas de fazer;



damaaflita.com – ilustrações de várias formas e feitios, de vários autores e para todos os bolsos.








Boas compras!

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Cocktail de Natal

2 sensações partilhadas
Não sou daquelas pessoas que defende que uma festa para ser digna de tal tem de ser regada com álcool. Apesar de já ter laborado na área vinícola e de apreciar um bom vinho, prefiro regar os meus convívios com sumos naturais e infusões. Claro que abro sempre excepções a rótulos especiais, a bebidas que possam suscitar a minha curiosidade (e eu sou muito curiosa) e aos licores da mãe (que são os melhores do mundo). Não obstante esta minha visão pessoal e a minha falta de jeito para a criação de cocktails, decidi que para esta quadra natalícia podia aventurar-me a brincar um bocadinho aos bartenders, para tentar dar uma outra cor às festas.



Peguei no computador e efectuei algumas pesquisas sobre cocktails de Natal. O meu ecrã rapidamente foi preenchido por arandos e arandos e arandos, citrinos e vodka. Arandos não é bem a minha praia, pois associo-os a sumos naturais para prevenção de infecções urinárias. Por isso, nem pensar em tentar criar um cokctail de natal do Reservatório de Sensações que fique associado a doenças. Mas enquanto visualizava imagens lindas de outras paragens típicas dos natais do norte da europa, lembrei-me logo de outro fruto da estação, que também tem pintado o meu campo de vermelho. As belas das romãs.  



Quem não gosta de sumo de romã? Cá em casa o pai tem reforçado o sistema imunitário com um preparado de romã que ele faz com todo o carinho. Portanto, este sumo é algo já muito familiar, que partilhamos com gosto. Ao início quando o pai começou a confeccionar este sumo natural, custava sentir a aspereza da romã a passar pela garganta. Mas julgo que é uma daquelas experiências que primeiro se estranha e depois se entranha. Neste momento, as árvores do meu pomar estão completamente carregadas deste belo fruto e tenho a certeza que alguns dos frutos se vão aguentar até às festas. Assim sendo, acho que já encontrei o meu cocktail para esta quadra natalícia, assente num fruto que tanto une a família.

Cocktail de Natal

Ingredientes (para duas pessoas)
100ml de sumo de romã
100gr de açúcar amarelo
sumo de 1 limão
1/2 raiz de gengibre média (ralada)
40ml de aguardente
0,25l de água com gás

Descascamos as romãs e transformamos os bagos em sumo. Após obtermos 100ml de sumo de romã, pegamos numa caçarola e juntamos o sumo, o açúcar, o gengibre ralado e o sumo de limão. Levamos a lume médio e deixamos o açúcar dissolver até formar um syrup. Retiramos do lume, deixamos arrefecer e passamos a mistura por um coador. Colocamos o syrup num jarro, adicionamos a aguardente e a água com gás. Podemos servir com rodelas de limão, bagos de romã e gelo.





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Dar início ao verdadeiro Natal

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Ainda estávamos a sentir o Verono e já o Natal se andava a arrastar pelas montras de todos os centros comerciais. A ideia que tenho é que começa cada vez mais cedo esta época festiva. Ainda estamos a passar do Verão para as primeiras castanhas assadas e já vomitamos decorações de natalícias, flocos de neve artificiais e música festiva em altos berros, sem termos a oportunidade de sentir o verdadeiro espírito natalício. E acho que não estou sozinha neste pensamento. Na semana passada apanhei várias conversas de café sobre esta temática. Enquanto escutava as conversações, o meu cérebro culpava todo o consumismo “shopingueiro” à volta desta quadra festiva. Mas estaremos a perder o nosso “menino jesus” interior por causa do consumismo à volta destes dias ou por causa da falta de humanismo com que embrulhamos o Natal.



Confesso. Eu tenho sido uma destas pessoas, que perdem a magia no olhar quando se fala de Natal. Nos últimos anos, este período esteve sempre associado às seguintes questões: terei de trabalhar no dia de Consoada? Terei tempo de confeccionar todos os doces típicos? Será que me esqueci de alguma prenda? Será que a decoração da Árvore de Natal está perfeita? Como me irei dividir? Passo a consoada em casa dos pais ou em casa dos sogros? Terei tempo para partilhar energia positiva com a pequena da família? Tudo pensamentos nada stressantes, certo?



Tenho saudades das borboletas que sentia quando em tenra idade a minha mãe me desafiava a ir apanhar musgo, quando ajudava a enfeitar a árvore dos avós, quando o tempo parecia infinito e dava para chatear o pai vezes sem fim a jogar monopólio, quando podia enfardar os sonhos da avó, quando me sentava nas manhãs de Natal, à frente da televisão, a ver o Circo de Natal. Caramba, tenho saudades do passeio do dia de consoada, quando visitávamos a família toda e, acreditem, a minha família é gigante. Havia sempre tempo. Como se ele fosse medido noutra unidade que não a das rotinas e tarefas.


Existe em mim uma urgência em recuperar aquilo que considero ser o verdadeiro Natal, em me centrar na espiritualidade do momento, em me centrar no artesanal desta época, porque há tanto para fazer em família, há tanto para viver. Hoje início a quadra festiva no blogue. Sem stress, sem obrigatoriedades, com alguns artigos DIY, com alguns artigos de pessoas que admiro, sugestões de prendas, histórias, e também lembretes para nos afastarmos do artificialismo da época. Espero que passem por este cantinho virtual e partilhem o que representa para vocês o verdadeiro espírito natalício.


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