Galette de Pêssegos e Mirtilos

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Cada vez se discute mais a necessidade de manter um toque de simplicidade à tona do mar complexo em que nadamos todos os dias. A tecnologia rodeia-nos, e tenta convencer-nos do quão friendly pode ser nas nossas vidas, com pregões facilitadores de rotinas. Contudo, vamo-nos apercebendo que a tecnologia permite apenas multiplicar as tarefas, encontrar horas no dia e na noite para estarmos em modo “on”, sempre a operar mil e uma acções. Os ritmos avançam vertiginosamente em sprints desmedidos e as solicitações são mais que muitas. Talvez por isso, se aponte como uma das grandes tendências (no mínimo até 2025) o Less is more. Embora apegados aos hábitos tecnológicos, a maior parte das pessoas anseia por um slow moment, um polícia sinaleiro que nos obrigue a abrandar os planos, os ritmos, as acções e até as expectativas. Menos é mais, disso não tenho qualquer dúvida. Porque na realidade, nem tudo que “supostamente” é WOW traz beneficio à vida, ou tem melhor proveito.




Até há bem pouco tempo, sempre que recebia familiares em casa ou amigos, as sobremesas tinham de ser pensadas tecnologicamente. Será que aquele bolo seria “instagramável”? Será que aquela sobremesa teria os ingredientes fancys o suficiente para figurar num post no blogue? Tenho um gosto especial por este mundo da blogosfera, já ando por este universo há 11 anos. Mas julgo que uma coisa é aproveitar a tecnologia, outra bem diferente será viver em função dela. No meu caso especial (e só de mim posso falar), muitas vezes sinto que é necessário por um travão, redefinir prioridades, perceber se é importante fazer uma sobremesa luxuosa quando o tempo já é tão curto, ou preparar algo simples e aproveitar as minhas pessoas descansada e sem humores negativos? Menos é mais. Disso tenho a certeza. Atenção, não interpretem este post como uma guerra contra os perfis perfeitos ou as horas a criar fotos e conteúdos para a internet. Nada disso. Como referi atrás, gosto de bloggar e nem quero perder esse bichinho. Mas às vezes é necessário alguma distância, saber qual o momento de ser criativa, e qual o momento de apenas estar na vida em perfeita comunhão com o que nos é mais querido.





Posso-vos dizer que a receita do post se enquadra perfeitamente nesta tendência (e a meu ver modo de vida). Preparei-a no domingo passado, para um almoço de família. Aproveitei os pêssegos da época já maduros e que se desfizeram num aspecto nada de redes sociais, mas muito apetitoso. Juntei-lhes os mirtilos deliciosos da Nature Berry. E Voilá. Em três tempos preparei uma sobremesa que todos apreciaram, aproveitando os recursos da época. Como o mais importante era receber as minhas pessoas, não houve cá montagem de cenários para fotografar. Uma simples mesa, uns livros que estavam ali à mão e que me serviram de inspiração para o almoço, uma luz maravilhosa a entrar pela janela. Acima de tudo, deixei as fotografias na mão da pequenita, que se entreteve a criar beleza a partir da sua perspectiva. Se esta é a Galette mais bonita que alguma vez preparei? Não, mas com certeza será a que mais belas recordações me trará. Porque de facto, Less is More.

Galette de Pêssego e Mirtilos
Inspirada numa receita do blogue Compassionate Cuisine

Ingredientes
Massa
150g de farinha de trigo
1 colher de chá de açúcar
100g de margarina
4 colheres de água
1 pitada de canela

Recheio
4 pêssegos maduros sem casca e sem caroço, cortados em fatias
3 colheres de sopa de açúcar mascavado claro
Sumo de ½ limão pequeno
1 colher de sobremesa de farinha (isto se utilizarmos pêssegos muito maduros)
75g de mirtilos (uma mão bem cheia)
1 colher de chá de canela

Modo de preparação
Num robot de cozinha juntamos todos os ingredientes para a massa e processamos até os ingredientes ligarem. Retiramos do robot de cozinha para uma superfície enfarinhada. Amassamos mas pouco para obtermos uma massa bem unida. Caso a massa fique muito húmida devemos juntar um pouco mais de farinha, caso a massa fique muito seca podemos juntar mais 1 ou 2 colheres de água. Com a massa formamos uma bola, envolvemos em película aderente e guardamos no frigorífico durante 20 minutos.

Numa taça juntamos os pêssegos, a canela, o açúcar, o limão e a farinha. Envolvemos bem e reservamos. Retiramos a massa do frigorífico. Com um rolo de cozinha estendemo-la até obtermos um círculo de cerca de 30 centímetros. Colocamos o recheio dos pêssegos no centro, deixando as bordas livres. Colocamos os mirtilos por cima do recheio dos pêssegos. Dobramos as bordas da Galette por cima do recheio. Levamos ao forno, previamente aquecido, durante cerca de 40 minutos. Retiramos do forno assim que a crosta ficar dourada e crocante. Eu servi esta Galette com Gelado de Coco, mas acompanha bem com Gelado de Baunilha.


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Sorvete de Ameixas Assadas

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Aproxima-se a passos largos, aquele momento da vida em que posso apenas e só respirar. Aquele momento em que o simples se tenta sobrepor ao complexo. Aquele momento em que os básicos chinelos se entrelaçam nos dedos dos pés, numa simbiose de cumplicidade, e o corpo se despe de poeiras rotineiras. Falo obviamente das férias.

Não sei se acontece o mesmo convosco. Mas cá por casa só temos férias uma vez por ano. Portanto, sim, passamos mais de metade do ano a sonhar com esta pausa, a idealizar cenários, a sentir o cansaço a acumular ao longo de muitos meses de trabalho.





Já sofri muito por pensar que só uma vez por ano poderia descansar a cabeça na serenidade do dolce far niente. O que me deixava bastante frustrada e me impedia de gozar os dias de pausa a 100%. Depois veio uma fase hiperactiva. Eu pensava:  se é apenas uma vez por ano, tenho de concentrar todas as vivências, todas as experiências que quero ter ao longo do ano, apenas em algumas semanas. Como devem imaginar, eu terminava as férias completamente extenuada e angustiada. Porque a vida manda muito mais que todos os planos que uma pessoa possa elaborar.


A idade não traz apenas rugas, traz também alguma maturidade e serenidade. Hoje em dia, acredito que o melhor é deixar-me levar pelos dias, com planos q.b, com ideias de coisas quero fazer (é certo), mas com imensa vontade de efectivamente descansar. Não sei se é a melhor solução, mas para já é a solução menos esgotante física e psicologicamente.

Claro que mesmo assim, existem pormenores nas férias dos quais não abdico. Refiro-me, nada mais, nada menos, do que a Gelados (Sorvetes e afins). Férias sem gelados não combinam. Talvez por isso, nos últimos tempos, me tenha rendido ao livro da Linda Lomelino, Gelados Caseiros. Este Verão os gelados vão ser mais que muitos (e ainda por cima bons).

Sorvete de Ameixas Assadas
Ingredientes
750g de ameixas com casca
2 colheres de açúcar mascavado claro
sumo de 1/2 limão
6 colheres de sopa de água
1/2 chávena de açúcar refinado
1 colher de sobremesa de geleia de coco

Pre-aquecemos o forno a 180ºC. Abrimos as ameixas ao meio, retiramos o caroço. Numa taça juntamos as ameixas e o açúcar mascavado. Envolvemos bem. De seguida, dispomos as ameixas num tabuleiro forrado com papel vegetal. Levamos ao forno durante 30 a 35 minutos. Deixamos arrefecer. Num liquidificador, misturamos as ameixas, o sumo de limão, a água, o açúcar refinado. Trituramos até obtermos um puré macio. Levamos ao frigorífico até arrefecer por completo. Processamos na máquina de gelados até o sorvete estar pronto e colocamos no congelador. Ou transferimos para uma taça própria para ir ao congelador. De 30 em 30 minutos, durante duas horas, batemos o gelado para prevenir a formação de cristais de gelo. Passado essas duas horas vertemos para outra taça e batemos com uma vara de arames para incorporar ainda melhor os cristais de gelo. Devemos retirar do congelador 10 minutos antes de servir.

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Bolo Clássico de Cereja

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Existem dias em que me apetece fugir a sete pés da internet, dos algoritmos e dessas cenas tipo “engagement”. Existem dias em que o vive e deixa viver se transforma num“o que é isto” enfurecido. Existem dias em que escrevo por impulso, quando sempre disse que não o ia fazer. Mas o sempre é um erro de vocabulário. Existem sempre aquelas excepções cliché. Como o hoje.


Quem chafurda nas redes sociais, sabe que os algoritmos gostam de modas, de estímulos seguidos por milhares, de tretas, de assuntos que se tornam virais e que acima de tudo sejam possíveis de comercializar. Sabem aquela vinheta do Batman a bater no Robin, sendo que o Batman quer que o Robin pare de fazer alguma coisa (o conteúdo depende de quem o partilha)? gGstava de ter uma dessas vinhetas para acabar com a conversa das "Mulheres Reais". Mas que raio são as mulheres reais? OK, as mulheres reais são mulheres de carne e osso, sendo que o oposto serão as mulheres virtuais, desenhos, hologramas, 3D computorizados, criadas por programação informática. Será?

Quando começaram a aparecer campanhas um bocadinho fora da norma, do que até à data se fazia no mundo publicitário, confesso que achei que era um passo em frente. O mundo permitia que todas as mulheres, altas, baixas, gordas, magras (etc, etc, etc) pudessem ocupar o mesmo lugar, ter a mesma mediatização, ter a mesma atenção independentemente do corpo que carregavam. Surgia a possibilidade de todas nós apareceremos lado a lado, em igualdade, sem julgamentos. A selecção de top-models abria-se a novas possibilidades, abrangendo assim mais mulheres, diferentes mulheres, diferentes corpos. Pelo menos, interpretei eu dessa forma. Mas como tudo (ou quase tudo) que surge no mundo virtual, o conceito "Mulheres Reais" começou a ganhar contornos que me assustam. Se por um lado no início, a ideia era de igualdade, agora sinto que estas balelas só vêm criar mais pressão social e mais estigmas. Passou a existir moda para mulheres reais, fóruns para mulheres reais, artigos “noticiosos” para mulheres reais. E por essa internet fora, todo um novo despejar de comentários, comparações que aumentam a tensão feminina, apareceu, ocupou um lugar. Deixou de haver espaço para "o meu corpo é assim" para...."epa deixa-me ir à internet justificar porque tenho um corpo assim". Parece que cada mulher tem que justificar/defender o seu corpo. Ahhh, tenho dois saquinhos de chá no lugar das maminhas, mas não tenho desculpa porque fui mãe e bla bla bla….e as mulheres que têm seios descaídos sem serem mães? Já não são mulheres reais, são apenas umas deleixadas? E as mulheres que são mães e conseguem mesmo assim manter um corpo sem saquinhos ao dlim-dão? Terão direito a existir ou teremos que nos lançar numa cruzada contra elas? 

Basta olharmos para o Instagram. Agora pegou moda a foto estilo programa Alta Definição: Olhem para mim, esta sou em sem maquilhagem, desalinhada, casa por arrumar, estou como sou, uma mulher real. Afinal de contas quem são as mulheres reais e as mulheres irreais? 

Lembro-me de falar disto com uma amiga minha. Ela é magra e eu gorda (não há outra forma de colocar a coisa, mas também não há nenhum julgamento nesta frase, até porque a magreza dela ou a minha gordura nada têm a ver com a nossa amizade maravilhosa que se baseia noutras coisas mais importantes). Ela sentiu-se, desde o início, ofendida com este conceito "de realidade". Tentou explicar-me que nutria uma sensação de que as ditas campanhas das mulheres reais eram contra ela, contra as magras. Ela contava-me: Eu sou magra, porque sou magra, não faço dietas, não deixo de comer. Apenas sou magra. Serei menos mulher? O meu género de corpo terá de ser banido das campanhas publicitárias? Confesso que na altura defendi com unhas e dentes esta ideia de "Mulheres Reais". Porque na realidade durante anos senti que as minhas banhocas eram omitidas do espaço público, que eram vistas como algo assim para o repelente, que nunca poderiam servir para inspirar outras mulheres. Agradeço o aparecimento deste conceito e a forma como quebrou uma série de barreiras e sensibilizou as mulheres para respeitarem os seus corpos. Mas hoje tenho de concordar com a minha amiga. Já chega de tanta pressão, desta ideia imposta que algumas mulheres são mais reais que outras, desta ideia de que temos sempre de nos andar a comparar, desta ideia de que temos de juntar tudo no mesmo saco. 

Cada corpo conta uma história, cada corpo encerra as suas limitações e as suas belezas. Cada corpo é real, seja de mulher, seja de homem. Portanto, podemos parar de impregnar as redes sociais com tanta pressão social? 



Bolo Clássico de Cereja

Ingredientes
150g de manteiga amolecida
150g de açúcar
3 ovos
175g de farinha autolevedante
200g de cerejas descaroçadas
120g de açúcar em pó (especial glacê)
5ml de sumo de limão

Modo de preparação
Pré-aquecemos o forno a 160ºC e untamos uma forma de tarte. Numa taça, juntamos a manteiga e o açúcar. Com uma batedeira eléctrica, batemos bem até obtermos uma mistura leve e fofa. Sem parar de mexer, adicionamos os ovos, um a um. Entre cada ovo, juntamos também uma colher de sopa de farinha. Adicionamos a restante farinha. Juntamos as cerejas à massa e misturamos com cuidado com uma colher de metal. Levamos ao forno entre 45 e 50 minutos. Deixamos arrefecer um pouco antes de retirarmos da forma. Numa taça juntamos o açúcar em pó com o sumo de limão. Misturamos bem. Decoramos o bolo a gosto após este ter arrefecido por completo.




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Bolo de Chocolate e Courgette

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Se Ingrid Bergman e Humphrey Bogart, ou melhor as suas personagens no filme Casablanca, tinham sempre Paris como uma espécie de memória salvadora nos momentos menos bons, eu terei sempre o chocolate, como uma doce sensação com poder para me salvar das maiores dificuldades. Em primeiro lugar não conheço Paris (está na lista das cidades europeias a visitar um dia) e em segundo o chocolate está sempre à mão de semear, em variedades que trazem o mundo inteiro até mim. Portanto, é normal que a minha escolha para afogar mágoas, dificuldades e stress variados recaia sobre este ingrediente mágico.


Posso-vos dizer que foi o chocolate que me aguentou nos últimos meses. Como já aqui partilhei, voltar a estudar foi um grande desafio, conciliar o estudo com o trabalho um pequeno pesadelo. Por mais boa vontade que possa haver, é uma relação difícil de gerir. São rotinas que se sobrepõe a mais rotinas, horas de tarefas que se acumulam, dias que se estendem pelas noites e a somar a isto, fazer um esforço para manter a sanidade. Portanto, agarrei-me com força ao chocolate e a todas as sensações boas que ele me traz. Não vou falar de benefícios cientificamente comprovados, penso que disso estão sempre a ouvir falar. Falo das boas sensações, das memórias que o chocolate desperta em mim. Os mais açucarados transportam-me para a infância, os ricos em cacau dão me uma certa segurança interior. E assim, nos últimos meses enfardei chocolate como se não houvesse amanhã. Um erro para a saúde, um gesto nobre que afugentou muitos choros, muitos livros arremessados contra a mesa, e muitos palavrões. Não há comida de conforto, como este produto alimentício, de coloração castanha, obtido a partir de cacau torrado.  Devem estar a pensar, chocolate é apenas chocolate, não vale a pena filosofar à volta disso.



Talvez tenham razão, mas só queria passar a ideia que gosto mesmo muito de chocolate. Talvez lá no fundo seja viciada. E nos últimos meses a balança tem-me lembrado disso, a minha nutricionista faz questão de me dar na cabeça e a cabeça faz questão de doer vezes sem conta graças ao açúcar. Às vezes gostava de gostar tanto de nabo, couve, alface, cenouras, nabiças como gosto de chocolate. Nos últimos meses de aulas, já com o stress pelos cabelos e uma vontade enorme de fugir aos prazos desumanos, foi este o bolo que me salvou. Não se deixem enganar pela courgette, este não é um bolo saudável, nem tão pouco combina com dieta saudáveis. Mas dias não são dias. Se precisam de um toque mágico para adoçar a vida, vão já para a cozinha preparar esta bomba sensacional.



Bolo de Chocolate e Courgette

Ingredientes
250g de farinha autolevedante
250g de courgette finamente picada
60g de cacau cru
1 colher de sopa de mel
200g de açúcar
15ml de óleo de girassol
3 ovos médios
100g de chocolate (com mais de 70% de cacau)
50g de manteiga
100ml de natas
125g de açúcar em pó
Amendoas laminadas a gosto

Modo de Preparação
Pré-aquecemos o forno a 180ºC. Numa tigela grande, juntamos a farinha, a courgette, o cacau em pó e o açúcar. Numa tigela mais pequena colocamos os ovos, o mel e o óleo. Batemos até os ingredientes se misturarem. Combinamos a mistura seca com a mistura húmida e mexemos bem com uma colher de pau. Batemos bem, de forma a que todos os ingredientes fiquem bem incorporados. Vertemos a massa numa forma, previamente untada. Levamos a forma ao forno durante 60 a 70 minutos, até a massa estar firme. Retiramos do forno e deixamos arrefecer.

Para fazer a cobertura, derretemos o chocolate e a manteiga em banho-Maria. Quando estiverem derretidos, retiramos do lume e adicionamos as natas. Peneiramos o açúcar para dentro da taça e batemos vigorosamente até obtermos uma mistura com consistência homogénea. A textura deverá ser suave e pastosa. Com o bolo já frio, espalhamos a cobertura por cima do bolo. Espalhamos por cima da cobertura amêndoa laminada a gosto.



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Requeijão Tostado com Mirtilos

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Ler é um dos meus hobbies favoritos. Quem me conhece sabe que carrego sempre um livro ou outro comigo no meu dia-a-dia. Só hoje no carro ficaram três depositados no banco de trás, depois de lhes ter dado uma vista de olhos enquanto fazia tempo para o trabalho.  Nos últimos tempos não tenho tido grande tempo para ler. Ou melhor, tenho lido muita coisa, mas basicamente literatura relacionada com o curso. Mas adoro perder-me em policiais, antigos e modernos, em romances mais ou menos românticos, nos clássicos. Adoro perder-me nas narrativas complexas de Haruki Marukami, mas consigo relaxar na simplicidade de Agatha Christie. Tudo tem o seu espaço, dependendo também do estado de espirito. O que importa é aproveitar a viagem, e deleitar-me com os cenários que os autores conseguem implantar dentro da minha cabeça. 


Desde que me apaixonei pela gastronomia, percebi que há muita leitura por descobrir neste campo e apercebi-me também como é prazeroso ler receitas. Eu sei, uma receita é uma receita, com indicação de ingredientes, medidas e formas de transformar isso tudo em algo apetitoso. Simples. Mas acreditam que tenho descoberto mundo ao ler receitas? Até há dois anos, três talvez, não fazia a mínima ideias do que poderia ser Ruibarbo, não sabia que o fancy Lemon Curd é tão simplesmente uma coalhada de limão (que, oh meus senhores, já é feita em Portugal há bué….). Se não fossem os livros de culinária talvez nunca tivesse aberto a minha mente para as comunidades vegan, glúten free, healthy. Ler dá mundo. Seja qual for a leitura que adoptemos.

E no que toca a leituras gastronómicas, confesso que adoro pesquisar os livros de apontamentos antigos das mulheres da família. Ok, não sei se posso chamar a isto de livros, mas é tão bom perder-me entre caligrafias à mão, cheiros de outrora e receitas muito curtas e práticas. Às vezes nos almoços de família, lá pergunto eu timidamente pelo livro de receitas, aquele antigo, aquele que é acima de tudo memória, arquivo de uma família, riqueza maior que ouro. E enquanto toda a gente se deleita com conversas profundas, eu deleito-me a imaginar: Quando será que esta receita foi feita? Para quem? Num momento especial ou apenas porque sim? Cozinhar é algo mais do que preparar comida. Tal como acredito que os livros de culinária são mais do que meros ingredientes combinados para se chegar a um prato ou refeição. São acima de tudo o historial de rituais familiares.


A receita que hoje partilho foi encontrada num caderno de receitas da minha sogra. O título Requeijão Tostado deixou-me curiosa, e a inexistência de uma ilustração ou fotografia ou esquema, aguçou a minha vontade. O que resulta desta receita? Uma sobremesa docinha entre um bolo húmido e um cheesecake sem base. A receita da minha sogra não levava mirtilos, mas acho que as bagas dão a esta sobremesa um toque bastante veranil. Espero que se deixem apaixonar pela simplicidade familiar.

Requeijão Tostado com Mirtilos

Ingredientes
750g de requeijão de mistura (usei da marca Serras de Penela - Serqueijos)
200g de açúcar
1 colher de chá de canela
2 colheres de sopa de farinha
6 ovos
250g de mirtilos (usei biológicos da Nature Berry)

Modo de preparação
Pré-aquecemos o forno a 150ºC. Separamos as gemas das claras. Numa taça misturamos bem a canela, o açúcar e as gemas. Batemos bem até as gemas espessarem e tornarem-se esbranquiçadas. Adicionamos o requeijão e a farinha e continuamos a bater até que fiquem bem integrados nas gemas. Reservamos. Batemos as claras em castelo, que posteriormente adicionamos à mistura das gemas.  Vertemos a massa num tabuleiro rectangular, previamente untado com manteiga e polvilhado com farinha. Distribuímos os mirtilos por cima da massa e pressionamos um pouco para que não fiquem muito ao de cima. Leva-se ao forno durante cerca de 35/40 minutos. Desenforma-se apenas quando estiver frio.



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O essencial para aproveitar o Verão

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Com a chegada do Verão, apodera-se de nós uma sensação de que tudo é possível, certo? Uma sensação provocada pelos dias mais longos e luminosos, pelos encontros ao ar livre, pelo sol, pelas conversas desprendidas nas esplanadas e por toda uma possibilidade infinita de extravasar energia. Apesar deste Verão ter aparecido tímido, a verdade é que no ar só se sente coisas boas. Mas uma coisa é certa, nem sempre conseguimos aproveitar este sentimento tão cheio. Ou porque estamos preocupados com as rotinas, ou porque andamos sempre a correr de um lado para o outro, ou porque às vezes o humor tende a chamar pela preguiça e por um sofá confortável. Por isso, hoje trago um post um bocadinho diferente do habitual. Lanço-vos um desafio. Porque não aproveitar a nova estação para experimentar algo novo ou simplesmente colocarem em prática toda a energia positiva que possam estar a sentir?!




1 – Redescubram a vossa cidade
Quantas vezes damos garantida a “nossa casa”, o nosso lugar seguro, a cidade que ocupamos apenas e só porque a habitamos todos os dias. Porque não programar um dia para assumirem o papel de turistas na vossa própria cidade? Disponham tempo para descobrir novas perspectivas, novos cheiros, novas texturas da vossa cidade. Escolham um museu ou um monumento que nunca tenham visitado e deixem-se ir. Vão almoçar a um novo restaurante. Obriguem-se a conhecer as pessoas da vossa própria cidade.

2 – Ou então façam-se à estrada 
Elaborem uma lista de lugares a descobrir em Portugal. Há tanto para ver neste pequeno, enorme país. Serra, praia, cidade, campo. A diversidade é grande e serve para os diferentes gostos. Já dizia Dalai Lama (não tenho a certeza se terá sido ele, mas roda assim na internet): Uma vez por ano vá a um lugar onde nunca esteve antes.





3 – Deitem mãos à terra 
Saladas e frutas são produtos de eleição no Verão, procurados por todos os que pretendem uma alimentação mais fresca e mais regrada. Porque não então deitarem mãos à terra e construírem a vossa própria horta? Nem sempre é preciso grande espaço, basta um pequeno canteiro ou alguns vasos na varanda. Os conhecimentos hoje em dia estão à distância de um enter no Dr. Google. Já se imaginaram a servir uma salada aos vossos amigos ou familiares com produtos apenas cultivados por vocês? Acreditem, vai valer todo o esforço.

4 – Sejam mais ativos
Sempre quiseram experimentar uma modalidade desportiva mas faltou a coragem? Sentem que é nesta altura do ano que gostam mais de nadar? Ou têm a vossa bicicleta há imenso tempo parada? Então o momento é agora. Aproveitem o bom tempo e ponham o corpo a mexer. Atenção, não falo de fazerem desporto para alcançarem aquele corpo de desfilar na praia. Falo de activarem a vossa energia com exercício físico, sozinhos para espairecerem, acompanhados com os amigos de longa data. O importante é dar ao corpo a genica para aproveitar o melhor do Verão.


5 – Partilhem energia positiva 
Se sentimos que esta é época em que tudo é possível, porque não transmiti-la através de trabalho junto da comunidade. Façam voluntariado, sejam famílias de acolhimento de animais abandonados, ajudem as autoridades locais a manter as zonas verdes limpas, angariem pessoas para um movimento social importante. Há tanta escolha no que toca a apoiar a comunidade. Partilhem a vossa energia positiva.

6 – Voltar a ser criança 
Lembram-se como as férias de Verão na infância eram magníficas? Porque na altura tudo era simples e ao mesmo tempo uma aventura. Organizem um piquenique, vão acampar, chapinhem na água gelada, leiam um policial numa sombra frondosa. Voltem a abraçar os pequenos prazeres da vida.


7- Praticar a tolerância 
Apesar das boas sensações que o Verão transmite, a verdade é que a ansiedade pela chegada das férias pode ser difícil de gerir. Por isso, procurem praticar pequenas boas acções para aumentar os níveis de paciência e de tolerância vossas e das pessoas que vos rodeiam. Sejam mais cordiais com as pessoas com quem lidam diariamente, procurem ser simpáticos no trânsito, levem um bolo ou uma limonada para o trabalho, mimem a vossa família. Pequenas acções, têm resultados gigantes.

8 – Nunca se esqueçam de vocês 
Nunca subestimem a importância de despenderem tempo em vocês próprios. Neste Verão, mimem-se com tudo o que têm direito e aumentem a vossa autoconfiança. Por exemplo, aprendam uma nova competência, como dança ou culinária, uma língua estrangeira ou um instrumento musical. Continuem a fomentar a sensação positiva que estão a sentir neste momento.

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