O paraíso Low Cost às portas de Portugal - Ilhas Cíes parte I

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Sobrevoei-as em 2016 ainda antes de saber da sua existência. Tinha acabado de levantar voo no Porto em direcção à lua-de-mel na verdejante e simpática Irlanda, quando por baixo dos meus olhos de criança amedrontada (tenho pavor a voar) apareceram umas ilhas rodeadas do típico azul turquesa paradisíaco. Julguei por momentos que algo de errado teria acontecido com o avião e que nos estaríamos a desviar da rota. Mas tal era impossível, pois para trás tinha ficado o Porto há tão pouco tempo. Quando aterrei na Irlanda, o deslumbramento (e a Guiness) apoderou-se de mim e para trás ficou aquele azul. Foi assim, porém, que começou a minha história com as Ilhas Cíes.

Uma história que só teve novos capítulos em 2017, quando através do Instagram descobri (quase sem querer) que aquele arquipélago de azul hipnotizador se encontrava mesmo à porta de casa, no Parque Marítimo Terrestre das Ilhas Atlântica da Galiza. Quantas mais fotos passavam pelo meu ecrã, mais a paixão crescia. Por isso este ano, a mensagem para a família foi clara. Vamos em força para o Norte e para as Ilhas Cíes. Basicamente não tiveram escolha.


Sei que nos últimos meses, nas redes sociais portuguesas, foram publicadas várias notícias sobre este Tesouro Secreto. Posso-vos já adiantar que se há coisa que as Ilhas Cíes não são é secretas. Em 2007, a Praia de Rodas (praia que une duas das ilhas deste arquipélago) foi considerada pelo The Guardian uma das mais bonitas do mundo. Portanto, como devem calcular desde essa altura que as Ilhas tiveram um boom de turistas.

Nada que nos fez pensar duas vezes. Saímos de Caminha (onde também gozámos alguns dias de férias) com o lusco-fusco que antecede o nascer do sol. Meios a dormir, meios ansiosos com o destino, meios parvos com o excitamento. Bem talvez só eu estivesse meia parva, dado o nervoso miúdo. Evitámos auto-estradas e fomos conhecendo um pouco da Galiza, até chegarmos a Vigo. Uma aventura, para quem (como eu) nunca tinha conduzido fora de Portugal. Mas foi muito fácil chegar a Vigo. Principalmente, porque a paisagem é linda. Deixámos o mar para trás e enveredámos por montes e pequenas aldeias à beira da estrada. Já Vigo (que quero visitar com mais calma) pareceu-me uma cidade muito bonita e interessante.

A única forma de chegar às Cíes é através de barco: privado ou através de ferry boats. E como infelizmente, não tenho a sorte de ter um veleiro, optámos por viajar com a Mar-de-Ons. Cada bilhete de ida e volta ficou por 18,5€. Existem mais companhias a fazer o trajecto mas os preços são muito semelhantes no mês de Agosto. Vigo e Cíes distanciam 40 minutos de barco. Um trajecto na maior parte das vezes tranquilo, uma vez que estamos a falar de navegação nas Rias Baixas, ou seja não há a turbulência que existe em alto mar. Além disso, tivemos a visita de dois grupos simpáticos de golfinhos, que deixaram a pequenita da casa emocionada (ela diz que não, mas ficou).

Chegar às Cíes é chegar ao paraíso. Acreditem que não estou a ser exagerada. Assim que saí do barco pensei que tinha sido incluída num postal das Caraíbas. Azul cristalino e transparente? Check. Areia branca, fina e macia? Check. Bosques frondosos que se estendem até ao areal? Check. Sol quente e convidativo? Check. Para os romanos (sim os romanos também andaram por aqui), as Cíes eram consideradas as Ilhas dos Deuses. Só vos posso garantir que se percebem bem porque.





Ouvimos muita coisa nos dias que antecederam o embarque. Muita gente nos avisou das confusões, do caos, das praias cheias, da falta de comida, dos preços altos, do barulho. Portanto, apesar das expectativas, fomos com algum receio. Só tenho uma coisa a dizer, quem se queixa disto em relação às Cíes, é porque nunca foi ao Algarve ou Alentejo, em época alta. Sim há muita gente nas Cíes, que se concentra principalmente na tal praia que é a melhor do mundo. Sim há muita gente nas filas para a pouco restauração. Mas também existem praias escondidas silenciosas, filas em que as pessoas brincam e se conhecem, caminhos pedestres maravilhosos e uma sensação de descontracção maravilhosa. De facto, estava à espera de mais pessoas, mais lixo e menos respeito. E apesar de existirem sempre maus exemplos (existem em todo o lado), a verdade é que a maior parte das pessoas são ordeiras e respeitam as regras deste parque natural. Uma delas prende-se com o lixo e que me deixou surpreendida. Na ilha não há caixotes do lixo (tirando restauração e alojamento), por isso as pessoas são convidadas a guardar o lixo num saco e a trazerem-no de volta para o continente. A maior parte das pessoas respeita esta regra e apesar de as Cíes serem um ponto turístico altamente rodado vê-se pouco lixo espalhado. Existem apenas quatro restaurantes, o que na minha opinião é maravilhoso e mais que suficiente. Permite que a ilha mantenha um lado mais primitivo, que afasta grandes multidões. Aconselho o Restaurante junto ao cais. Fazem uns calamares deliciosos. Tão bons que tive uma gaivota a pousar na minha cabeça enquanto me tentava roubar o prato. Convenhamos que a maior parte do tempo, eu e a minha família recorremos à típica receita de atum. Abre-se uma lata de atum, abre-se um pão, atira-se o atum para dentro do pão e está feito.



Para além dos quatro restaurantes existe ainda a pequena mercearia do Parque de Campismo. Acreditam que com o que líamos na internet ficámos com medo de não arranjar água e fomos carregados de garrafões de água? Esqueçam, podem comprar água à vontade na tal pequena mercearia. Embora, os preços sejam mais caros, a verdade é que não é nada de exorbitante ou que não aconteça noutras zonas turísticas quer em Portugal, quer em Espanha.

Alojamento também só existe um: o Parque de Campismo. Embora simples tem muitos pontos a favor. Podem acampar com tendas próprias ou alugar uma tenda. Tendo em conta as condições das tendas para alugar, considero o preço um bocadinho elevado, mas pelo menos é uma opção que permite dormir em cima de um colchão . Além disso, se alugarem tenda, não têm de andar carregados com muita tralha. Porque entre o cais e o parque é preciso percorrer cerca de 1,5km e, apesar de disponibilizarem uns carritos de mão, não é fácil (vejam as fotos). A limpeza do Parque de Campismo também me surpreendeu. As instalações são rudimentares mas sempre asseadas, sem confusões. Cada campista tem direito a duas fichas para banhos de água quente com duração de três minutos. Um verdadeiro luxo, num sítio com limitações de água doce e limitações energéticas.

Portanto, como podem ver as Cíes são um verdadeiro paraíso Low Cost, com menos comodidades, menos mordomias. Eu prefiro assim, sentir a natureza, adaptar-me, fazer do pouco muito. Se os Deuses por cá passaram, é porque este sítio é mesmo encantador, se calhar podemos mesmo dizer que as Cíes são um pedaço do céu na terra.


Informação mais que útil para visitar as Cíes:

AS ILHAS
O Arquipélago é composto por três ilhas: Monte agudo, Faro e San Martiño. As duas primeiras são as mais visitas, onde param os ferry-boats e que estão ligadas pelo longo areal da Praia de Rodas e por uma ponte construída que separa o Lago dos Nenos e o Atlântico. A terceira ilha só é acessível através de barco privado. Estas ilhas fazem parte do Parque Nacional das Ilhas Atlânticas

QUANDO VISITAR
É possível visitar este local entre Junho e Setembro. Existem algumas viagens em alturas especiais, como Páscoa, feriados e alguns dias festivos.

COMO CHEGAR
De barco privado ou de ferry boat a partir de Vigo, Baiona e Cangas. Os bilhetes podem ser comprados online. Os lugares são limitados uma vez que por dia só são autorizadas pouco mais de 2000 mil pessoal. Convém comprar os bilhetes com antecedência. Para efectuar um maior controlo do número de pessoas a visitarem diariamente as Ilhas Atlânticas que é necessário pedir uma autorização administrativa prévia junto da Junta da Galiza. Para quem viaja desde Portugal, não esquecer que o fuso horário em Espanha é de +1hora. Todos os horários dos barcos são apresentados na hora espanhola.

ALOJAMENTO
Como referi, só existe o Parque de Campismo nas Ilhas Cíes. A reserva antecipada é obrigatória. Mais informação e preços aqui.

RESTAURAÇÃO
Existem quatro restaurantes: Restaurante de Rodas (junto ao cais), Restaurante Camping Islas Cies, Restaurante Serafin a caminho da Praia da Nossa Senhora e junto a este encontra-se um quarto do qual não me lembro o nome, mas cujas empregadas são super simpáticas. Não esquecer a mercearia do Parque de Campismo onde é possível adquirir alimentos.

Nota: Obrigada ao meu pai que se lembra sempre de carregar a máquina fotográfica e me cedeu algumas fotos deste post. 



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Pannacotta de Limão, Canela e Lemon Curd

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Passo a vida a queixar-me disto, mas não sei como contornar tal sensação. Sinto que o tempo passa demasiadamente rápido. Chegámos a Setembro e a minha alma ainda se encontra a repousar nas águas maravilhosas que experimentei em Agosto. Chegámos a Setembro e toda a gente fala em recomeços, mas a mim só me apetece voltar às férias e ao dolce far niente. Chegámos a Setembro e já me chateiam com as prendas de Natal. Chegámos a Setembro e o cansaço é tanto que sinto que já vivi dois anos em apenas nove meses. A pergunta que se impõe é só uma. Podemos voltar ao início do ano?




Não sei onde o tempo se gasta. Se nas rotinas, tarefas, ou se é nas imensas vezes em que me lamurio da falta de tempo. Sei que devia ter recuperado todas as forças no mês de Agosto, nas únicas semanas que tenho por ano para descansar. E até achei que tal tinha acontecido, que as baterias tinham sido carregadas. Apesar de alguns contratempos familiares, só posso estar agradecida pelo tempo maravilhoso que usufrui. Com a chegada de Setembro (um mês que eu tanto gosto) apercebo-me que ainda não estou pronta para ele. 









Um dos sítios onde se nota mais esta falta de dinâmica é, claro, no meu blogue. Anda parado, paradinho, apesar de todas as ideias que andam a rodar na minha cabeça, apesar de toda a inspiração que absorvi nas férias. Acreditem ou não, tenho dez artigos parados, com o selo de rascunho. Espero que não fiquem eternamente nessa categoria. Espero que dentro em dias, o tempo se desenrole a meu favor, ou eu ao dele. Até lá, deixo-vos com uma sobremesa simplesmente deliciosa que marcou o mês de Agosto. Esse que passou a correr!

Pannacotta de Limão, Canela e Lemon Curd

Ingredientes da Pannacotta
400ml de natas
50g de açúcar
2 folhas de gelatina
1 colher de sobremesa de canela
Raspas largas de 1 limão

Ingredientes do Lemon Curd
(baseado no livro Conservas para todo o ano, de Oded Schwartz)
Sumo de seis limões médios
400g de açúcar granulado
150g de manteiga
5 ovos (tamanho L)

Modo de preparação da Pannacotta
Fervemos as natas com a raspa de limão e a colher de canela. Assim que começar a ferver desligamos o lume, deixamos repousar durante dois minutos, para que apurar a infusão do limão. Retiramos as cascas do limão, adicionamos o açúcar e mexemos bem. Juntamos as folhas de gelatina, previamente demolhadas em água fria. Transferimos para os copinhos ou moldes que queiramos usar. Levamos ao frigorífico no mínimo oito horas.

Modo de Preparação do Lemon Curd
Numa panela pequena, colocamos o sumo do limão e o açúcar. Levamos a lume brando e mexemos até o açúcar dissolver or completo. Adicionamos a manteiga e misturamos bem. Retiramos do lume e deitamos o preparado numa tigela própria para banho maria. Levamos ao lume em banho maria. Adicionamos os ovos passados por uma peneira e deixamos cozinhar lentamente, sem deixarmos ferver. Mexemos com frequência durante 25 a 40 minutos. O curd estará pronto quando espessar e ficar agarrado, numa camada, à parte detrás de uma colher. Deixamos arrefecer. Depois de a pannacotta solidificar cobrimos com o Lemon Curd. Esta receita dá para cerca de 750ml, pelo que devemos guardar o curd que sobra em frascos esterilizados e dentro do frigorífico. Aguenta cerca de 2 meses no frigorífico.




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Guacamole (descontraído)

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Escrevo este post sentada no jardim, com o manto escuro da noite sob a cabeça. O calor interior da habitação atinge níveis extenuantes, de tal ordem que prefiro estar na rua a ser cravejada de picadelas de mosquitos. Enquanto escrevo, as imagens das férias vão rodando na moldura digital (em que tantas vezes se transforma o telemóvel). Recordo os últimos dias, sossegados, relaxados, sem demais preocupações, dias em que parece que respirei mais do que o habitual (parvoíce, eu sei!).

Ai, como tinha saudades do sabor agradável do dolce far niente e do embalo salgado do oceano. Eram tantas as saudades que nem me lembrei mais de redes sociais, do blogue, do email. Sei que várias pessoas me enviaram emails durante as duas semanas que estive ausente. Sei que demorei tempo demais a responder.  Para além de um pedido de desculpas, só posso dizer que me soube pela vida, viver desamparada de tecnologias. Na verdade foi apenas uma semana fora das rotinas, fora das redes sociais, fora dos horários intermináveis, fora dos padrões esperados, fora das modas, fora das chamadas, fora dos plins das mensagens, fora da atualidade... tão fora mas tão dentro da vontade de viver, tão dentro do que deve ser prioridade, tão dentro da energia das boas pessoas, tão dentro do horário solar, tão dentro do amor. Estar fora pode ser o melhor caminho de entrada para o que de melhor temos dentro de nós, para voltar ao básico da existência, onde verdadeiramente se existe.

 


Não, não me deixei embrenhar em algum detox digital, com a aplicação xpto a bloquear os meus impulsos cibernéticos. Nada disso. Apenas não senti qualquer necessidade de recorrer ao digital para filtrar os momentos que devem ser vividos. Durante uma semana, a máquina fotográfica, os livros, as cartas do Uno, a bola de volley e algumas sestas foram a melhor companhia. Há anos que já não jogava volleyball com a família, na realidade há anos que não jogava (ponto final). Senti-me mais rica por recuperar esta sensação de estar plenamente descontraída ao pé dos meus.

Escrevo este post sentada no jardim, com o manto escuro da noite sob a cabeça. No telemóvel rodam as memórias físicas das férias. Amanhã começa o fado, das rotinas, dos horários para cumprir....talvez este meu post seja já o estágio para dar início novamente a mais um ano de muito trabalho. 
 




Guacamole (descontraído)
Ingredientes:
1 cebola roxa pequena
10g de coentros
1 tomate pequeno maduro
350g de abacate
1 lima (sumo)
½ colher de chá de sal
1 pitada de pimenta

Modo de preparação:
Num robot de cozinha, juntamos a cebola e os coentros. Picamos bem. Juntamos o tomate previamente pelado. Voltamos a triturar. Adicionamos o abacate, o sumo da lima, o sal e a pimenta. Voltamos a triturar até obtermos a consistência pretendida. Reservamos no frigorífico até ao momento de servir.
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Galette de Pêssegos e Mirtilos

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Cada vez se discute mais a necessidade de manter um toque de simplicidade à tona do mar complexo em que nadamos todos os dias. A tecnologia rodeia-nos, e tenta convencer-nos do quão friendly pode ser nas nossas vidas, com pregões facilitadores de rotinas. Contudo, vamo-nos apercebendo que a tecnologia permite apenas multiplicar as tarefas, encontrar horas no dia e na noite para estarmos em modo “on”, sempre a operar mil e uma acções. Os ritmos avançam vertiginosamente em sprints desmedidos e as solicitações são mais que muitas. Talvez por isso, se aponte como uma das grandes tendências (no mínimo até 2025) o Less is more. Embora apegados aos hábitos tecnológicos, a maior parte das pessoas anseia por um slow moment, um polícia sinaleiro que nos obrigue a abrandar os planos, os ritmos, as acções e até as expectativas. Menos é mais, disso não tenho qualquer dúvida. Porque na realidade, nem tudo que “supostamente” é WOW traz beneficio à vida, ou tem melhor proveito.




Até há bem pouco tempo, sempre que recebia familiares em casa ou amigos, as sobremesas tinham de ser pensadas tecnologicamente. Será que aquele bolo seria “instagramável”? Será que aquela sobremesa teria os ingredientes fancys o suficiente para figurar num post no blogue? Tenho um gosto especial por este mundo da blogosfera, já ando por este universo há 11 anos. Mas julgo que uma coisa é aproveitar a tecnologia, outra bem diferente será viver em função dela. No meu caso especial (e só de mim posso falar), muitas vezes sinto que é necessário por um travão, redefinir prioridades, perceber se é importante fazer uma sobremesa luxuosa quando o tempo já é tão curto, ou preparar algo simples e aproveitar as minhas pessoas descansada e sem humores negativos? Menos é mais. Disso tenho a certeza. Atenção, não interpretem este post como uma guerra contra os perfis perfeitos ou as horas a criar fotos e conteúdos para a internet. Nada disso. Como referi atrás, gosto de bloggar e nem quero perder esse bichinho. Mas às vezes é necessário alguma distância, saber qual o momento de ser criativa, e qual o momento de apenas estar na vida em perfeita comunhão com o que nos é mais querido.





Posso-vos dizer que a receita do post se enquadra perfeitamente nesta tendência (e a meu ver modo de vida). Preparei-a no domingo passado, para um almoço de família. Aproveitei os pêssegos da época já maduros e que se desfizeram num aspecto nada de redes sociais, mas muito apetitoso. Juntei-lhes os mirtilos deliciosos da Nature Berry. E Voilá. Em três tempos preparei uma sobremesa que todos apreciaram, aproveitando os recursos da época. Como o mais importante era receber as minhas pessoas, não houve cá montagem de cenários para fotografar. Uma simples mesa, uns livros que estavam ali à mão e que me serviram de inspiração para o almoço, uma luz maravilhosa a entrar pela janela. Acima de tudo, deixei as fotografias na mão da pequenita, que se entreteve a criar beleza a partir da sua perspectiva. Se esta é a Galette mais bonita que alguma vez preparei? Não, mas com certeza será a que mais belas recordações me trará. Porque de facto, Less is More.

Galette de Pêssego e Mirtilos
Inspirada numa receita do blogue Compassionate Cuisine

Ingredientes
Massa
150g de farinha de trigo
1 colher de chá de açúcar
100g de margarina
4 colheres de água
1 pitada de canela

Recheio
4 pêssegos maduros sem casca e sem caroço, cortados em fatias
3 colheres de sopa de açúcar mascavado claro
Sumo de ½ limão pequeno
1 colher de sobremesa de farinha (isto se utilizarmos pêssegos muito maduros)
75g de mirtilos (uma mão bem cheia)
1 colher de chá de canela

Modo de preparação
Num robot de cozinha juntamos todos os ingredientes para a massa e processamos até os ingredientes ligarem. Retiramos do robot de cozinha para uma superfície enfarinhada. Amassamos mas pouco para obtermos uma massa bem unida. Caso a massa fique muito húmida devemos juntar um pouco mais de farinha, caso a massa fique muito seca podemos juntar mais 1 ou 2 colheres de água. Com a massa formamos uma bola, envolvemos em película aderente e guardamos no frigorífico durante 20 minutos.

Numa taça juntamos os pêssegos, a canela, o açúcar, o limão e a farinha. Envolvemos bem e reservamos. Retiramos a massa do frigorífico. Com um rolo de cozinha estendemo-la até obtermos um círculo de cerca de 30 centímetros. Colocamos o recheio dos pêssegos no centro, deixando as bordas livres. Colocamos os mirtilos por cima do recheio dos pêssegos. Dobramos as bordas da Galette por cima do recheio. Levamos ao forno, previamente aquecido, durante cerca de 40 minutos. Retiramos do forno assim que a crosta ficar dourada e crocante. Eu servi esta Galette com Gelado de Coco, mas acompanha bem com Gelado de Baunilha.


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Sorvete de Ameixas Assadas

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Aproxima-se a passos largos, aquele momento da vida em que posso apenas e só respirar. Aquele momento em que o simples se tenta sobrepor ao complexo. Aquele momento em que os básicos chinelos se entrelaçam nos dedos dos pés, numa simbiose de cumplicidade, e o corpo se despe de poeiras rotineiras. Falo obviamente das férias.

Não sei se acontece o mesmo convosco. Mas cá por casa só temos férias uma vez por ano. Portanto, sim, passamos mais de metade do ano a sonhar com esta pausa, a idealizar cenários, a sentir o cansaço a acumular ao longo de muitos meses de trabalho.





Já sofri muito por pensar que só uma vez por ano poderia descansar a cabeça na serenidade do dolce far niente. O que me deixava bastante frustrada e me impedia de gozar os dias de pausa a 100%. Depois veio uma fase hiperactiva. Eu pensava:  se é apenas uma vez por ano, tenho de concentrar todas as vivências, todas as experiências que quero ter ao longo do ano, apenas em algumas semanas. Como devem imaginar, eu terminava as férias completamente extenuada e angustiada. Porque a vida manda muito mais que todos os planos que uma pessoa possa elaborar.


A idade não traz apenas rugas, traz também alguma maturidade e serenidade. Hoje em dia, acredito que o melhor é deixar-me levar pelos dias, com planos q.b, com ideias de coisas quero fazer (é certo), mas com imensa vontade de efectivamente descansar. Não sei se é a melhor solução, mas para já é a solução menos esgotante física e psicologicamente.

Claro que mesmo assim, existem pormenores nas férias dos quais não abdico. Refiro-me, nada mais, nada menos, do que a Gelados (Sorvetes e afins). Férias sem gelados não combinam. Talvez por isso, nos últimos tempos, me tenha rendido ao livro da Linda Lomelino, Gelados Caseiros. Este Verão os gelados vão ser mais que muitos (e ainda por cima bons).

Sorvete de Ameixas Assadas
Ingredientes
750g de ameixas com casca
2 colheres de açúcar mascavado claro
sumo de 1/2 limão
6 colheres de sopa de água
1/2 chávena de açúcar refinado
1 colher de sobremesa de geleia de coco

Pre-aquecemos o forno a 180ºC. Abrimos as ameixas ao meio, retiramos o caroço. Numa taça juntamos as ameixas e o açúcar mascavado. Envolvemos bem. De seguida, dispomos as ameixas num tabuleiro forrado com papel vegetal. Levamos ao forno durante 30 a 35 minutos. Deixamos arrefecer. Num liquidificador, misturamos as ameixas, o sumo de limão, a água, o açúcar refinado. Trituramos até obtermos um puré macio. Levamos ao frigorífico até arrefecer por completo. Processamos na máquina de gelados até o sorvete estar pronto e colocamos no congelador. Ou transferimos para uma taça própria para ir ao congelador. De 30 em 30 minutos, durante duas horas, batemos o gelado para prevenir a formação de cristais de gelo. Passado essas duas horas vertemos para outra taça e batemos com uma vara de arames para incorporar ainda melhor os cristais de gelo. Devemos retirar do congelador 10 minutos antes de servir.

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Bolo Clássico de Cereja

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Existem dias em que me apetece fugir a sete pés da internet, dos algoritmos e dessas cenas tipo “engagement”. Existem dias em que o vive e deixa viver se transforma num“o que é isto” enfurecido. Existem dias em que escrevo por impulso, quando sempre disse que não o ia fazer. Mas o sempre é um erro de vocabulário. Existem sempre aquelas excepções cliché. Como o hoje.


Quem chafurda nas redes sociais, sabe que os algoritmos gostam de modas, de estímulos seguidos por milhares, de tretas, de assuntos que se tornam virais e que acima de tudo sejam possíveis de comercializar. Sabem aquela vinheta do Batman a bater no Robin, sendo que o Batman quer que o Robin pare de fazer alguma coisa (o conteúdo depende de quem o partilha)? gGstava de ter uma dessas vinhetas para acabar com a conversa das "Mulheres Reais". Mas que raio são as mulheres reais? OK, as mulheres reais são mulheres de carne e osso, sendo que o oposto serão as mulheres virtuais, desenhos, hologramas, 3D computorizados, criadas por programação informática. Será?

Quando começaram a aparecer campanhas um bocadinho fora da norma, do que até à data se fazia no mundo publicitário, confesso que achei que era um passo em frente. O mundo permitia que todas as mulheres, altas, baixas, gordas, magras (etc, etc, etc) pudessem ocupar o mesmo lugar, ter a mesma mediatização, ter a mesma atenção independentemente do corpo que carregavam. Surgia a possibilidade de todas nós apareceremos lado a lado, em igualdade, sem julgamentos. A selecção de top-models abria-se a novas possibilidades, abrangendo assim mais mulheres, diferentes mulheres, diferentes corpos. Pelo menos, interpretei eu dessa forma. Mas como tudo (ou quase tudo) que surge no mundo virtual, o conceito "Mulheres Reais" começou a ganhar contornos que me assustam. Se por um lado no início, a ideia era de igualdade, agora sinto que estas balelas só vêm criar mais pressão social e mais estigmas. Passou a existir moda para mulheres reais, fóruns para mulheres reais, artigos “noticiosos” para mulheres reais. E por essa internet fora, todo um novo despejar de comentários, comparações que aumentam a tensão feminina, apareceu, ocupou um lugar. Deixou de haver espaço para "o meu corpo é assim" para...."epa deixa-me ir à internet justificar porque tenho um corpo assim". Parece que cada mulher tem que justificar/defender o seu corpo. Ahhh, tenho dois saquinhos de chá no lugar das maminhas, mas não tenho desculpa porque fui mãe e bla bla bla….e as mulheres que têm seios descaídos sem serem mães? Já não são mulheres reais, são apenas umas deleixadas? E as mulheres que são mães e conseguem mesmo assim manter um corpo sem saquinhos ao dlim-dão? Terão direito a existir ou teremos que nos lançar numa cruzada contra elas? 

Basta olharmos para o Instagram. Agora pegou moda a foto estilo programa Alta Definição: Olhem para mim, esta sou em sem maquilhagem, desalinhada, casa por arrumar, estou como sou, uma mulher real. Afinal de contas quem são as mulheres reais e as mulheres irreais? 

Lembro-me de falar disto com uma amiga minha. Ela é magra e eu gorda (não há outra forma de colocar a coisa, mas também não há nenhum julgamento nesta frase, até porque a magreza dela ou a minha gordura nada têm a ver com a nossa amizade maravilhosa que se baseia noutras coisas mais importantes). Ela sentiu-se, desde o início, ofendida com este conceito "de realidade". Tentou explicar-me que nutria uma sensação de que as ditas campanhas das mulheres reais eram contra ela, contra as magras. Ela contava-me: Eu sou magra, porque sou magra, não faço dietas, não deixo de comer. Apenas sou magra. Serei menos mulher? O meu género de corpo terá de ser banido das campanhas publicitárias? Confesso que na altura defendi com unhas e dentes esta ideia de "Mulheres Reais". Porque na realidade durante anos senti que as minhas banhocas eram omitidas do espaço público, que eram vistas como algo assim para o repelente, que nunca poderiam servir para inspirar outras mulheres. Agradeço o aparecimento deste conceito e a forma como quebrou uma série de barreiras e sensibilizou as mulheres para respeitarem os seus corpos. Mas hoje tenho de concordar com a minha amiga. Já chega de tanta pressão, desta ideia imposta que algumas mulheres são mais reais que outras, desta ideia de que temos sempre de nos andar a comparar, desta ideia de que temos de juntar tudo no mesmo saco. 

Cada corpo conta uma história, cada corpo encerra as suas limitações e as suas belezas. Cada corpo é real, seja de mulher, seja de homem. Portanto, podemos parar de impregnar as redes sociais com tanta pressão social? 



Bolo Clássico de Cereja

Ingredientes
150g de manteiga amolecida
150g de açúcar
3 ovos
175g de farinha autolevedante
200g de cerejas descaroçadas
120g de açúcar em pó (especial glacê)
5ml de sumo de limão

Modo de preparação
Pré-aquecemos o forno a 160ºC e untamos uma forma de tarte. Numa taça, juntamos a manteiga e o açúcar. Com uma batedeira eléctrica, batemos bem até obtermos uma mistura leve e fofa. Sem parar de mexer, adicionamos os ovos, um a um. Entre cada ovo, juntamos também uma colher de sopa de farinha. Adicionamos a restante farinha. Juntamos as cerejas à massa e misturamos com cuidado com uma colher de metal. Levamos ao forno entre 45 e 50 minutos. Deixamos arrefecer um pouco antes de retirarmos da forma. Numa taça juntamos o açúcar em pó com o sumo de limão. Misturamos bem. Decoramos o bolo a gosto após este ter arrefecido por completo.




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