Bolinhos de Ricotta e Mel

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Aconselhou-nos a prosseguir caminho na sua carrinha de caixa aberta e tração às quatro. Hesitei. Relembrei a estrada de curvas e contracurvas que tinha acabado de trilhar. Declinei a oferta e decidi, em conjunto com a trupe que me acompanhava, seguir caminho com a carrinha estilo familiar de chassi baixo. Assim que a estrada de alcatrão terminou e nos lançámos ravina abaixo, por caminhos agrícolas, percebi a pertinência do conselho. As rodas começaram a resvalar nas pedras toscas, enquanto os paus tentavam invadir o motor. Por momentos, maldisse o meu espirito aventureiro que teima sempre em ultrapassar a minha personalidade medricas. Foram momentos. Porque rapidamente os relevos abruptos da paisagem pintada por castanheiros conseguiram captar a minha atenção. Há algo mágico nas montanhas do interior de Portugal, que me prende, me fascina, me faz querer viver ao sabor do vento, me faz desejar regressar permanentemente ao campo, deixando para trás a vida rotineira da cidade. Senti o calor a entrar pela janela do carro. Uma sensação boa, mas que me deixou em alerta. Estariam as abelhas mais ativas? Aguentaríamos o calor dos fatos? Eram muitas as perguntas, mas também quem me manda brincar aos apicultores.





Sempre tive um respeito enorme por quem trabalha a terra, a mãe natureza, e que de forma sustentada contribui para a melhoria do universo. E sem dúvida que neste pacote de admiração se encontram os apicultores. Sabiam que sem abelhas no mundo perderíamos milhares de espécies vegetais, assim como a qualidade dos frutos decairia? Eu só tive consciência desta realidade recentemente, porque nunca despendi tempo com animais com ferrões. Confesso que, talvez devido a minha fobia a agulhas, sempre olhei para as abelhas como um bicho do mal. Lembro-me de ver ao longe o meu avô paterno a mexer nas colmeias, feliz da vida, apesar das ferradelas no corpo com que terminava sempre aquela tarefa. Ele ficava feliz, e eu pensava: a única proximidade que quero com abelhas é com o seu mel. Mas ali estava eu agora, a vestir um fato de apicultor, a tremer que nem varas verdes. Porque me tinha metido naquela aventura? Porque, ele o apicultor experiente, conhecedor da minha vontade de regressar ao campo, tem-me desafiado a conhecer o mundo doce do mel. Perguntei se estaria segura com o fato. Ele, vibrante por ter a quem mostrar a sua arte respondeu: Hoje de manhã só fui picado cinco vezes. Engoli em seco. O filho miúdo do apicultor riu-se de mim e à boca cheia afirmou que não era preciso ter medo. Pensei nas notícias que tenho lido e que dão conta que, nos últimos anos, cerca de 50% das abelhas desapareceram do planeta. E apercebei-me que pelo menos naquela família, a protecção das abelhas estava assegurada já em duas gerações. Deixámos a eira a resplandecer com o sol dourado de outono e embrenhamo-nos na tarefa de recolher o último mel do ano.






Se numa primeira fase, as nossas amigas abelhas quase não se aperceberam da nossa chegada, assim que a família de apicultores começou a invadir as suas casas, tudo mudou. De repente, a chuva de abelhas começou a atingir os fatos, tornava-se cada vez mais difícil fotografar a última colheita, tornava-se cada vez mais difícil aguentar o zumbido incessante que ecoava ao pé dos nossos ouvidos. Elas atiravam-se com força contra as luvas, espetando os ferrões e morrendo. Apetecia-me gritar-lhes em abelhês: Parem, preservem a vossa vida. Na azáfama da colheita e no stress das abelhas, o apicultor tentava fazer sobressair os seus ensinamentos, a sua visão, a sua magia. E foi mágico assistir à felicidade imensa do apicultor quando descobriu que tinha conseguido fazer vingar uma colmeia que estava prestes a desaparecer, devido à falta de rainha. Não há dinheiro que pague isso, não há dinheiro que paguem estas experiências. Não há valor que se possa pagar para conhecer uma atividade tão importante à sustentabilidade do nosso planeta. Portanto, só posso agradecer ao Castanheiro Velho esta oportunidade maravilhosa.









Bolinhos de Ricotta e Mel
Ingredientes

250gr de Ricotta
4colheres de sopa de mel
100gr de farinha
4 ovos inteiros

Pré-aquecemos o forno a 160ºC. Juntamos todos os ingredientes numa tigela. Batemos durante cinco minutos, ou até que os ingredientes fiquem bem ligados. Deitamos a massa em formas untadas e polvilhadas com farinha. Levamos ao forno durante 25 minutos até dourarem. Retiramos do forno e deixamos arrefecer dentro das formas durante 10 minutos. Os bolinhos vão abater mas é perfeitamente normal. Quando estiverem completamente frios, decoramos com favo de mel e frutos secos.





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