Tarteletes Rústicas de Mirtilos e Framboesas

4 sensações partilhadas
Quando andava na universidade, há cerca de 14 anos, o fenómeno dos blogues estava a aparecer em Portugal. Nas aulas de jornalismo, bebíamos os ecos que atravessavam o atlântico e davam conta do que já se fazia nos EUA. Às vezes ouvíamos coisas sobre um tal de Facebook, mas tudo parecia muito longínquo. Os blogues estavam na moda, apesar de na altura ainda não se conhecer o verdadeiro potencial desta ferramenta. Lembro-me que dada a minha paixão pelo jornalismo, eu dedicava-me a estudar este fenómeno apenas e só do ponto de vista desta área. Não havia muitos blogues em Portugal. Lembro-me inclusive que foi um fartote quando um professor desafiou a turma a criar um blogue coletivo, para o curso. Descrentes achámos que ninguém ia falar nisso e assim, através de um comentário de uma colega, o blogue ganhou o nome de Aahninguémfala. Foi um processo engraçado, mas a verdade é que continuávamos a não saber nada de blogues, nem de redes sociais.






Lancei-me a solo nestas danças ocultas em 2006, com o Fatia de Melancia. O nome soava a coisa sumarenta e fresca, pelo menos era essa a ideia. Mas confesso que aquilo deu-me preguiça. Qual seria o foco do blogue? E seria que conseguia passar o dia inteiro a escrever e chegar à noite e agarrar-me novamente ao computador a escrever? Para que queria eu um blogue? Muitas perguntas, poucas respostas ditaram o fim do blogue que teve apenas um leitor, o meu atual marido. O Reservatório de Sensações só surgiria em 2007 quando meio mundo já avançava rapidamente para o Facebook. Sentia a necessidade de possuir um espaço que me libertasse das amarras éticas e necessárias do jornalismo. Precisava de um espaço onde pudesse partilhar os meus textos mais lúdicos, mais estapafúrdios, mais livres e mais pessoais.



Durante cerca de três anos, estas minhas sensações partilhadas virtualmente não envolviam o meu gosto pela culinária, não envolviam o meu gosto pela fotografia, não envolviam o meu gosto pelo meu campo. Mas tal como o mundo pula e avança, também este meu cantinho acompanhou as transformações que surgiram dentro de mim e à minha volta. Nele cabem mais paixões, mais liberdades e mais pessoas. Muitas pessoas me perguntam como é que consigo passar um dia inteiro à frente do computador, maioritariamente a escrever, e depois ao final do dia dedicar o meu tempo ao blogue. Não é nada fácil, mas a resposta é muito simples. Para dedicar tempo ao blogue tenho de primeiramente enfarinhar a minha cozinha, partilhar degustações caseiras com quem se ama, desfolhar um belo livro, caminhar sem destino no meu campo, beber inspiração em tantos outros sítios que me enriquecem a alma. Cada vez mais olho para este meu espaço de sensações como um hobbie e uma terapia, no qual só há uma linha de orientação: Keep it simple e sê sincera, sempre.



Qual será o futuro do blogue? O futuro faz-se caminhando. E acredito que o percurso trará com ele muitas alterações. Não as vou impedir. Se de hoje para amanhã os meus gostos pessoais se concentrarem nas descobertas espaciais, será disso que começaram a "ouvir" da minha "boca". Todavia, não se preocupem para já a única questão ligada ao espaço que continuo a promover é andar sempre com a cabeça na lua, ou não fosse eu uma sonhadora. Seja qual for o futuro, espero contar convosco, com o vosso feedback nos próximos...vá...90 anos?

Tarteletes Rústicas de Mirtilos e Framboesas

Ingredientes Massa Areada
(adaptado do livro Receitas Tipos de Massas e Outras, de Rosa Cardoso, autora do blog Be Nice, Make a Cake)
270gr de farinha sem fermento
100gr de açúcar
125gr de margarina (usei planta)
2 ovos
1 pitada de sal
1 clara de ovo

Ingredientes Recheio
210gr de framboesas
290gr de mirtilos
2 colheres de sopa de açúcar
sumo de 1 limão médio
açúcar amarelo para polvilhar

Numa tigela colocamos as framboesas, os mirtilos lavados juntamente com o sumo de limão e o açúcar. Reservamos enquanto preparamos a massa. Juntamos a farinha o sal e a margarina na taça da batedeira eléctrica e batemos até obtermos uma consistência arenosa. Adicionamos os ovos aos poucos até ficar numa bola. Se preferirmos podemos amassar um pouco numa bancada. Envolvemos a massa em película aderente e levamos ao frio por 30 minutos. Voltamos a pegar na mistura das frutas. Adicionamos nesta mistura duas colheres de farinha de coco. Voltamos a reservar. Pré-aquecemos o forno a 170ºC. Polvilhamos ligeiramente uma superfície de trabalho com farinha e estendemos a massa com a ajuda de um rolo de massa. Forramos as várias tarteiras e picamos a base da massa com um garfo. Recheamos a base com a mistura da fruta. Voltamos a estender a restante massa e cortamos algumas tiras a gosto para cobrir as tarteletes. Pincelamos com a clara de ovo e polvilhamos com o açúcar amarelo. Levamos ao forno durante aproximadamente 40 minutos. Após 30 minutos de cozedura colocamos uma folha de alumínio por cima das tarteletes para evitar que o topo da massa coza em demasia. Deixamos arrefecer por completo antes de servir.




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4 A partilhar sensações:

Sandra Gomes disse...

As tarteletes, infelizmente ainda não provei mas parecem-me deliciosas, mas tenho a dizer que tudo evolui muito rapidamente e este blogue certamente terá esse caminho, uma evolução simples e duradoura. Cá nos encontramos daqui a 90 anos! Parabéns! 9 anos já é uma idade!

anasbageri.com disse...

A mim perguntam como posso passar o dia a cozinhar e ainda ter um blogue focado na culinária! Parabéns por mais este aniversário, e votos e muitos mais anos, muitas mais receitas e posts tao bonitos.

Ana disse...

Sandra, que dizes a um dia destes combinar (para além do café que não está esquecido) um piquenique citadino? Obrigada pelo teu comentário e pelo feedback :)

Anasbageri, eu às vezes quando leio o teu blogue fico sempre com essa pergunta na cabeça. Mas fico também agradecida por teres tempo, disponibilidade e gosto em partilhares as tuas aventuras e conhecimentos. Um beijinho e obrigada pelo comentário

Sandra Gomes disse...

Tirando o facto de ter que conciliar com a minha criança (e não é a criança que há em mim, pois essa já está domada socialmente), seja o espaço, sejam os horários, sejam as atividades disponíveis para ela fazer, sejam os possíveis perigos ..ufa, adoro a ideia de piqueniques ;)