Marmelada e as saudades da infância

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Outono é para mim sinónimo de mais tempo passado na cozinha. Basta retornar à minha infância através das memórias. Os dias começavam a ficar mais frios e quando eu saía da Escola Primária sabia que chegava a casa da minha Avó e teria à minha espera um sorriso largo e fogão de lenha aceso. Nunca passava frio e claro uma vez que o fogão estava aceso, a energia produzida por ele não servia apenas para aquecer a família. A Avó usava a estufa para fazer as refeições, aquecia água no reservatório do próprio fogão e as pegas laterais serviam muitas vezes para secar os panos e toalhas utilizadas na cozinha. Como eu adorava as batatas assadas com frango, o pão acabado de fazer com manteiga derretida, o café de cevada que se mantinha sempre quente em cima do fogão. E como a Avó passava mais tempo na cozinha aproveitava também os primeiros dias cinzentos e chuvosos de Outono para confeccionar marmelada e geleia. E como eu adorava esses dias. A casa passava a cheirar a marmelo e a açúcar. E aquele sabor adocicado entranhava-se em cada elemento da casa e reinava a serenidade. Durante semanas, tínhamos marmelada e geleia para o pequeno-almoço, para o lanche, para a ceia. Nunca conheci uma marmelada melhor do que a confeccionada pela Avó e acho sinceramente que nunca vou conhecer. Porque não se trata apenas de marmelada, mas sim de um produto repleto de boas memórias. Este ano, e como as dificuldades trazidas pela velhice começam a reinar, decidi meter mãos nos tachos e nos marmelos e transformar este belo ingrediente numa pasta docinha e saborosa. Ficou a anos luz da iguaria que comia em criança, mas já ofereci uma malga à Avó, a acompanhar com uns biscoitos de mel. Ela ficou muito contente e isso deixa-me feliz.

Ingedientes
1kg de Marmelo
1dl de água
1kg de Açúcar


Deitamos numa panela os marmelos limpos e sem caroços e juntamos a água e o açúcar. Deixamos os marmelos cozer e quando estes estiverem totalmente cozidos, trituramo-los com a varinha mágica. A mistura obtida deve ficar ao lume até engrossar. Depois de fria verter em tacinhas e tapar cada uma com papel vegetal embebido em aguardente. 



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