Hoje

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Hoje, sinto-me terrivelmente perdida. Acordei com a angústia alojada na minha barriga e derreada sob o peso da impotência. Qual o sentido de tudo isto? Acordar, comer, dizer meia dúzia de palavras tontas e vazias, tornar a comer, executar meia dúzia de joguinhos quotidianos, voltar a comer e descansar. Não sou nenhuma rebelde radical frustrada que não consegue aproveitar os momentos triviais e alegres de cada rotina. Nada disso. Pormenores como o sol a nascer, a brisa a emaranhar os meus cabelos, o riso sincero daqueles que amamos, um beijo carinhoso ao acordar deixam-me, por vezes, extasiada, protegida, feliz. Como adoro estes pormenores. Mas a vida não devia ser muito mais do que pormenores? Para quê ficar fechada oito horas por dia num gabinete a iludir-me que estou a contribuir para um mundo mais justo, mais livre, mais fraterno, melhor? Não sei quando me tornei tão cínica em relação ao que faço e àquilo que me define. Pergunto-me: onde está a missão nisto tudo?
Imaginem-se pela primeira vez numa cidade estrangeira, sem mapa, mas com reuniões agendadas, horários para cumprir, o telemóvel sempre a tocar para vos lembrar que estão atrasados. O labiríntico emaranhado de ruas que estão à minha frente assemelha-se a um abismo, não de descoberta, não de adrenalina, a um abismo de desânimo. Recuso-me a acomodar-me, recuso-me aceitar ser esmagada pelas exigências do dia-a-dia, fazendo ouvidos surdos aos impulsos indisciplinados. Recuso-me….
Porém, sinto que os que me rodeiam, que gostam de mim não entendem, sentem-se ofendidos com este meu aborrecimento, com esta minha vontade de deixar tudo para trás e partir. Como lhes explicamos esta sensação sem os magoar? Terei eu coragem para me afastar deles? Como unir o impensável? Como posso ir em busca de algo mais?
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