Ideais (para que servem)

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"Não passas de um feminista radical frustrada", gritou ela. Levei o cigarro à boca, embora este já estivesse amachocado pelo tempo nervoso que aguardara entrelaçado nos dedos. Peguei na mochila que jazia ao meu lado no chão imundo do café. E sai. Com a mesma naturalidade e discrição com que tinha entrado. Mas, talvez seja melhor retroceder uns momentos.
Ela chegara atrasada como já era seu costume. As coscovelhices surgiam umas a seguir às outras. Ajudavam a passar o tempo e a actualizar o perfil de cada uma. A Maria tinha-se casado após terminar o secundário. Aguardava a chegada do segundo filho. Com uma barriga de sete meses já nem conseguia arranjar posição para se sentar.A Joana não terminara a universidade.E a Beatriz...bem, ela ainda nã tinha contado as novidades.
Sentou-se com a postura de quem não espera ficar muito tempo. Transpirava nervosismo, um certo tipo de nervosismo confiante.
"Que nódoas negras são essaas nas tuas orelhas", perguntei assim que olhei para ela com atenção. "Não te preocupes....", respondeu ela, visivelmente incomodada. Desviou a conversa...disse estar apaixonada, ter encontrado o amor da vida dela, de como eram felizes embora tivessem algumas discussões. Contou-nos tudo, em quanto o Diabo esfrega o olho. "Tenho de me ir embora. Ele não gosta que eu perca muito tempo em cafés e sitios como este", terminou.
Arqueei as sobrancelhas, sem proferir uma única palavra. "Não passas de uma feminista radical frustada".
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