Duvidar

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A dúvida continua a inquietar o meu espírito. Aniquilou a convicção do meu ego iludido (mas feliz) e conferiu aos projectos idealizados uma incerteza infrutífera. Procuro na amálgama de questões, colocadas já um pouco por rotina, a causa que despontou este meu nível máximo na escala de alerta. Talvez os discursos insinceros e desleais que preenchem o dia-a-dia, sem que ninguém os questione. Quantas vezes vemos as pessoas a prolongarem uma “estória” muito para além da verdade? A linha entre a realidade e as personagens fabricadas, que nos tentam impingir é cada vez mais ténue. Tudo é efémero, todavia, imensamente brilhante. Ou não vivêssemos cada vez mais na ribalta ou na ânsia de a atingir. Queremos vivências, experiências e momentos que se possam encaixar no mediatismo lá do grupo, do bairro, da cidade ou até, quem sabe, do país. A imagem de um “eu” é, assim, fabricada por uma inconsciência ingénua, que ninguém questiona. De tempos em tempos, aparece aquele silêncio incómodo, escondido debaixo da fina camada de pele, denotando a intriga que não queremos revelar. Duvidar exige trabalho, dar a conhecer essa dúvida necessita de muita coragem, porque obriga-nos a assumir uma posição, que ficará gravada em acções futuras. Mas Duvidar, também significa perder aqueles que não aceitam o confronto de ideias, porque temem que a sua capa de porcelana falsificada estale no calor dos argumentos.
Duvidar é um processo doloroso, principalmente quando retraído.
Portanto, compreende-se que as pessoas ignorem o silêncio incómodo e não exijam a si mesmas uma verdade, nem que seja parcial. Também, eu escondo a duvida que me destroça.
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