O regresso

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Voltar às raízes é uma tarefa sempre muito complicada. Reencontramos lugares, pessoas e situações que de forma automática nos conduzem para as recordações que através de uma habilidade certeira remetemos para a profundidade do poço seco em que o nosso ser se transforma. É difícil remexer no passado. Isto porque, invadimos a infância, ou até mesmo a adolescência, com a cínica sapiência de adulto, conhecedora do mundo e dos podres que nos acompanham durante a vida. Não há combinação tão frustrante quanto esta. Voltamos à meninice e impregnamos esse espaço, em que o mundo se assumia como uma janela de oportunidades, com as decepções do presente.

Hoje, regressei ao passado. Calcorreei as areias e perscrutei os gritinhos emocionados da criança que concretizava o desafio complexo de construir um castelo de areia.
Regressei, hoje. Mas não queria. Porque o ‘eu’ perdeu-se na linha temporal e espacial onde se define a personalidade, a lucidez e o auto-controlo sonhador. Hoje, quando regressei, verifiquei que só o medo persistiu em acompanhar a passagem do tempo.
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