Bolachas de Aveia, Sultanas e Pepitas de Chocolate Cru

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Ligar o forno. Sem culpas. Sem suores estranhos. Como já tinha saudades de o fazer, sem transformar a cozinha num verdadeiro inferno. Nos últimos meses, a minha casa virou um fenómeno ambiental que não recomendo a ninguém. A temperatura interior instalou-se nos 35ºC diários e constantes. “Ai, que é tão giro uma casa repleta de vidraças com imensa luz solar a entrar”. Oiço isto constantemente. E sim, é muito bonito e muito cómodo no Inverno, mas um verdadeiro terror no verão. Eu sei, não se pode ter tudo.


Apesar de ter tentado não ligar o forno no Verão, não consegui resistir a algumas delícias que queria muito experimentar. Além disso, é impossível esquecer os assados suculentos em dias especiais. Agora sinto que posso estoirar com a conta de electricidade e “pastelar” tudo o que eu quiser. Para mim, esta é uma das grandes vantagens do Outono, um dos seus lados positivos. Porque se há coisa que me enche a alma é sentir a casa repleta a aroma de comida acabada de sair do forno. É aconchegante e torna a casa mais familiar. Por isso, tenho aproveitado os domingos de manhã para no silêncio da casa acender o forno, deitar mãos à massa e sentir o calor eléctrico, mas também a luz dourada maravilhosa que me entra pelas janelas a dentro.






Bolachas de Aveia, Sultanas e Pepitas de Chocolate Cru
Ingredientes
100gr de sultanas
10gr de pepitas de chocolate cru
100gr de manteiga à temperatura ambiente
3 colheres de sopa de mel
100gr de farinha de aveia
75 gr de flocos de aveia

Aquecemos previamente o forno a 180ºC. Picamos as sultanas e as pepitas de chocolate cru de forma grosseira. Colocamos a manteiga, o mel, a farinha e os flocos numa tigela de uma misturadora eléctrica e batemos bem até combinar os ingredientes. Juntamos a massa com as mãos. Separamos em bocados do tamanho de uma noz e formamos pequenas bolas. Dispomos as bolinhas nos tabuleiros, já devidamente preparados, e espalmamos a massa com a ajuda de um garfo ou a parte de trás de uma colher. Levamos os biscoitos ao forno durante 10 a 15 minutos, ou até ficarem ligeiramente dourados. Transferimos para uma armação de arame para arrefecerem. 





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Restaurante Jasmim

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A gravação roufenha do campanário da capela da aldeia de Rebordinho assinala as 13h00 assim que estacionamos o carro. Nem vivalma de pessoas, ou não fosse hora sagrada de almoço. Para além do badalar religioso, sobressai o barulho da água a correr do fontanário público para o tanque público. Pelo verdete e ervas que nele crescem, provavelmente já ninguém na aldeia lhe reconhece necessidade de existência. Caminhamos em direcção ao Largo da Capela, a imaginar como será o restaurante que eu há tanto anseio conhecer, e do qual ele já me ouviu tantas vezes falar. Vamos de mãos entrelaçadas, embalados pela tontice lamechas de seis meses de casamento. Deixamo-nos ir no ritmo lento da aldeia. Assim que viramos a esquina, somos recebidos por um edifício de aspecto típico, onde o granito tão presente na região se mostra de cara lavada e convida a entrar. Apesar de escondido na pacatez dos arredores da cidade de Viseu, já andou nas bocas de meio mundo, em críticas positivas nos mais diversos meios de comunicação. Portanto, não é difícil dar conta deste espaço. À entrada um pequeno rafeiro encolhe a cauda ao mesmo tempo que nos desafia a meia dúzia de festas. Sabe que não pode entrar. Provavelmente, sabe que só poderá sentir os sabores apetecíveis do Restaurante Jasmim da soleira da porta, através do seu super olfacto. Rapidamente, somos recebidos com um sorriso sincero e encaminhados para o andar das refeições. Apesar da estrutura antiga da casa, a pedra renovada é banhada por uma quantidade generosa de luz solar, uma luz bonita que acolhe confortavelmente quem chega. Como ainda não queremos deixar o Outono entrar em força nas nossas vidas, escolhemos uma mesa junto a uma grande janela virada para um sol enganador.


Ele passa directamente para a ementa, enquanto eu delicio-me a apreciar os pequenos detalhes da decoração. Os móveis antigos, recuperados, com brio e simplicidade, conjugam com mesas estilo rectilíneo que acolhem alguns apontamentos florais, simples a lembrar bouquets rústicos. Assim que abro a ementa deixo-me levar pelos nomes curiosos dos pratos e pela diversidade entre sugestões modernas e as sugestões tradicionais mas revisitadas pelo chef do restaurante. Sentimos que temos de experimentar o máximo de iguarias, mas rapidamente somos advertidos simpaticamente pela funcionária de mesa para o facto das entradas serem para duas pessoas. Optamos pel' A Serrana (Salada de agrião com queijo fresco, coulis de pimento e noz), que nos encantou, principalmente pela frescura do coulis de pimento. Para prato principal deixámo-nos envolver pel’ Os escondinhos (Secretos) e por Como uma brisa do mar (Risotto de camarão com filamentos de açafrão e lima). Sabores bem conseguidos, batatas dos Secretos de comer e chorar por mais e cada garfada do Risotto obrigava-me a fechar os olhos e a saborear com calma. (Desejei apenas que o Risotto estivesse mais quente, naquele ponto de temperatura que conforta o estômago e a alma.) Foi fácil fazer fluir a conversa entre garfadas de texturas e sabores perfeitos, num ambiente harmonioso. Quase duas horas depois apercebemo-nos que o tempo que parou à nossa volta, continuou a fluir no universo. Pedimos os docinhos para finalizar a refeição. A escolha foi bem difícil, tal é o nosso grau de gulosice. Acabámos a Suspirar (Creme de frutos vermelhos merengado) e com a Chávena Entornada (Mousse de lima com crumble de aveia).




Regressámos à rua. Do rafeiro, nem sinal. Apenas algumas pessoas idosas a usar a paragem de autocarro como zona de convívio e refúgio ao sol quente. Voltámos a entrelaçar as mãos completamente revigorados, com a sensação de termos sido bem recebidos, com um sentimento de apego por um Restaurante que não se fica pelas críticas que interessam, opta por bem tratar todos os clientes e por surpreende-los com qualidade gastronómica.



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Bolinhos de Iogurte Grego e Amoras

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Os chavões motivacionais ocupam, cada vez mais, as mentes e as rotinas diariamente. Atiramos para o ar um A vida é curta como quem boceja um acordar preguiçoso e desinteressado. Como se as palavras tivessem entrado num loop corriqueiro e sem sentido sincero. Como se hoje em dia fosse obrigatório, perante o actual estado social, sabermos confortar quem nos rodeia com palavras mansas desprovidas de real compromisso sentimental. No dia-a-dia, a cada scroll virtual os clichés atropelam a nossa concentração diária. A partilha destas palavras enfeitadas de motivação instantânea torna-se imperativa. Uma forma de convencermos a nossa mente que o caminho é em frente. Também este é um sentimento que me assiste com a rapidez de um click no botão share. Mas a verdade é que palavras leva-as o vento. E mesmo que o vento sopre de feição, se as velas não estiverem içadas, não há barco que se mova, nem futuro que solte amarras.




Cá em casa continuamos a assumir os jargões. Optamos apenas por os acompanhar com mais conduto. Se dizemos que a vida é curta, esticamos as horas. Viver é preciso. Mesmo que não haja dinheiro para grandes viagens, mesmo que cheguemos ao final de um dia de trabalho com a cabeça do tamanho de um melão, mesmo que os amigos estejam longe da vista, mesmo que a vontade seja fugidia, há sempre razões para passar dos clichés aos actos. Mesmo que os actos sejam apenas uma “caça” às amoras, com direito a sol quente e rasgos na pele. Seja Outono, seja qualquer outra estação, há muito para viver e muito por o que lutar. Só precisamos de soltar rédeas e procurarmos a real motivação que dê corda aos sonhos.



Bolinhos de Iogurte Grego e Amoras
Ingredientes
125gr de manteiga
100gr de açúcar mascavado
125gr de iogurte grego (sem açúcar)
6 colheres de sobremesa doce de amora (preferencialmente caseiro)
4 ovos
 275gr de farinha sem fermento
1 colher (rasa) de sobremesa de fermento
100gr de queijo-creme
200ml de creme de coco

Ligamos o forno a 180ºC. Untamos 18 formas de queques com manteiga ou preparamos formas de papel. Batemos a manteiga com o açúcar até obtermos uma mistura esbranquiçada. Juntamos o iogurte grego e os ovos, um a um, batendo sempre. Adicionamos quatro colheres (bem cheias) de doce de amora. Peneiramos a farinha e o fermento e envolvemos no preparado anterior batendo o menos possível mas de forma a que a massa fique homogénea.  Deitamos a mistura nas forminhas e levamos ao forno durante 30 a 40 minutos (depende das formas que usarmos). Deixamos arrefecer completamente. Numa tigela, batemos o creme de queijo até este engrossar. Juntamos o queijo creme e duas colheres de doce de amora e voltamos a bater (o menos possível). Decorramos os bolinhos com o creme e finalizamos com uma amora no topo.





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Bolo de cenoura, canela e cardamomo

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Penso que já esgotei a minha cota parte de posts sobre o Outono. Mas vá lá, permitam-me voltar a tocar no assunto. O outono começa hoje. Oficialmente, a sua entrada ocorre às 15h21. É o que diz o site do Observatório Astronómico de Lisboa. Muitos dizem que se trata de uma estação propícia às depressões, à queda de cabelo, aos maus humores matinais devido à baixa de temperatura, aos maus humores ao final do dia devido ao anoitecer mais cedo. Eu entendo que o Outono não seja visto com bons olhos. Os dias ficam mais curtos e esta incisão de horas de luz tem uma influência tremenda no nosso corpo e em todas as substâncias que ele produz para andar equilibrado. Eu que tanto gosto do Outono, talvez a minha estação favorita, também houve tempos em que senti essa influência pesada. Ainda hoje, sei que as minhas defesas se ressentem quando se instalam os tons outonais. E como o importante é nos conhecermos bem, a nível físico e psicológico, sei sempre que devo reforçar os cuidados com a alimentação, ingerir algum suplemento que possa melhorar a minha resistência e claro reforçar as gargalhadas, os jantares com os amigos e família, as caminhadas ao ar livre.

Apesar destas alterações, não consigo olhar para o Outono como o mau da fita. Antes pelo contrário, ele faz parte do equilíbrio, faz parte da pausa necessária para que os campos possam na Primavera voltar a florir, obriga-nos a abrandar para que consigamos 100% de vitalidade no Verão. Sei que às vezes é difícil encarar esta pausa como uma benesse, tal é o ritmo que hoje em dia levamos. Mas acho que nos devíamos perguntar: se a natureza abranda para que se mantenha em equilíbrio, porque nós humanos não fazemos o mesmo? Sim, eu sei. Temos de manter os empregos, cuidar da família, cuidar da casa, sonhar e trabalhar para concretizar os sonho, mas…..às vezes penso se não há uma maneira mais saudável de manter isso tudo mas em equilíbrio com o ritmo da mãe da natureza. Confesso que ainda não encontrei respostas, mas isso não me via impedir de aproveitar em pleno o Outono.




Bolo de Cenoura, Canela e Cardamomo
Ingredientes
350gr de puré de cenoura
3 ovos
200gr de açúcar amarelo
50ml de leite
350gr de farinha sem fermento
1 colher de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 colher de café de canela
1 colher de café de cardamomo

Descascamos as cenouras e cozemos até que fiquem macias. Escoamos a água e trituramos até obter um puré. Deixamos arrefecer. Pré-aquecemos o forno a 180ºC. Numa taça misturamos o açúcar, os ovos e batemos até que esteja tudo bem ligado. Juntamos o puré de cenoura arrefecido e o leite. Voltamos a mexer bem. Adicionamos lentamente a farinha, o fermento, o bicarbonato, a canela e o cardamomo. Continuamos a bater até incorporar bem todos os ingredientes. Deitamos a mistura na forma de bolo previamente untada. Levamos ao forno durante 35 a 40 minutos ou até que o bolo fique dourado e fofo ao toque. Deixamos arrefecer os bolos na forma durante uns minutos antes de colocarmos numa grelha de arrefecimento.







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Tostas de Queijo, Uvas Assadas e Mel

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Regressar é o verbo que impera no mês de setembro. Há muito que deixei os estudos regulares e que abandonei o ano lectivo para adotar o ano civil. Todavia, há uma mística que reside em Setembro, que associa este mês aos regressos. Retomo o trabalho, incorporo novamente horários fixos nas rotinas do dia-a-dia, refaço planos para tentar cumprir os desejos de ano novo, volto a encadernar livros (agora para os mais pequenos da família), regresso à necessidade de mudar os modelitos no guarda-roupa. E acima de tudo, volto ao fastfoward, às milhentas tarefas, ao "cruisedescontrol".









Se por um lado sabe bem regressar a casa, aos cheiros familiares, à confusão da minha cozinha, por outro lado é bastante triste abandonar as refeições calmas, em que podemos ficar à mesa o tempo que acharmos conveniente à partilha de histórias, de gargalhadas e de bons humores. Sinto, principalmente, falta dos pequenos-almoços demorados, nos quais perco a noção do tempo, da data que figura no calendário e me deixo apaixonar pela vida vezes sem conta. Setembro é assim um misto entre a vontade de retomar os hábitos e o desejo de viver sem relógio. Cá por casa o direito a férias só será confirmado daqui a um ano. Portanto, é importante enganar as saudades com refeições redobradas de cuidados, nos momentos em que for possível.




Tostas de Queijo, Uvas Assadas e Mel
Ingredientes
Óleo de girassol puro (para untar)
Cachos de uvas
Queijo-creme (tipo Philadelphia)
Fatias de pão (de boa qualidade)
Mel
  
Pré-aquecemos o forno a 180ºC. Untamos uma assadeira com óleo de girassol. Em seguida, colocamos pequenos cachos de uvas na assadeira e regamos com mel. Assamos as uvas durante 20 a 25 minutos, até a pele dos bagos estalar. Reservamos. De forma generosa, espalhamos queijo creme em fatias de pão de boa qualidade. Adicionamos as uvas assadas, permitindo que o sumo escorra para o queijo. Regamos com mais mel. Comemos imediatamente.


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Molho de Tomate Caseiro

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Cá em casa já não me podem ouvir com a conversa do: Sinto que o outono está a chegar. Atiram-me argumentos do género: como podes falar de outono quando estão quarenta graus. Mas não há objecção que me demova desta sensação. Primeiro porque é ordem natural da vida. Se em Casablanca os protagonistas teriam sempre Paris, na vida comum, depois de um Verão, teremos sempre Outono.



Mesmo que os mais antigos digam que as estações do ano ficaram baralhadas desde que o homem foi à lua, mesmo que o São Pedro se tenha esquecido de desligar o aquecimento, mesmo que o meu guarda-roupa possa eventualmente passar de tshirts para camisolas de lã, haverá sempre outono. Sol mais dourado. Check. Posso abrir a persiana do trabalho porque já não bate sol na secretária. Check. Os meus pés já não aquecem durante a noite sem recurso a umas meias fofas. Check. Contra estas provas super científicas não há contra-argumento possível. E porque estou a falar de Outono? Porque temos de aproveitar a réstia de Verão. Contraditório? Nem por isso. 


Embora seja natural este felling, tal como é natural o felling de que a cada dia que passa envelheço, a verdade é que temos cada vez mais de aproveitar o presente. Muito se fala de abrandar, de sentir a vida, de aproveitar o tempo, mas a verdade é que somos constantemente empurrados a pensar à frente, à frente do ritmo natural das coisas. Sinto-me tantas vezes tentada a isso. No entanto, a verdade é que ainda há tanto verão sumarento para saborear. Os jardins continuam híper coloridos, das hortas continuam a brotar legumes suculentos, ainda sabem bem os mergulhos na piscina descoberta e, não estivesse já eu a trabalhar, os chinelos de dedo não me saiam dos pés. Fall is coming but summer is still here. Assim sendo, esta receita ainda sabe, cheira e tem textura de verão, mas pode ser já um bom começo para prepararem as conservas de outono.

Molho de Tomate Caseiro
Ingredientes
1quilo de tomates (bem maduros)
2 cebolas grandes
4 colheres de azeite
50ml de água
Sal (a gosto)
Pimenta preta (a gosto)
Oregãos secos (a gosto)


Descascamos as cebolas e cortamos em pedaços grandes. Lavamos os tomates e cortamo-los grosseiramente. Juntamos numa panela. Acrescentamos o azeite, a água e os temperos (sal, pimenta e orégãos). Levamos a lume médio durante trinta minutos, até levantar fervura e o tomate fiar meio desfeito. Trituramos com a varinha mágica até obtermos um puré grosso. Verificamos os temperos. Voltamos a colocar a panela ao lume, agora lume brando, e deixamos apurar durante mais 20 minutos. Guardamos em frascos esterilizados no frigorífico, até um mês ou em sacos de congelação, até um ano.



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