Panquecas Irlandesas

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Sossegar é o verbo que tem faltado cá em casa. De tempos a tempos, a rotina manda mais que as vontades procrastinadoras ou apaixonadas pelos prazeres da vida, ou que o bom senso de quem sabe que levar uma vida a correr é meio caminho andado para arfar de descontentamento. Nessas alturas, estabeleço menos planos e baixo o índice de expectativas. Digo para mim mesma: Deita mãos à rotina e subtrai-lhe importância.



Nessas alturas, enquanto multiplico as mãos que se dividem em infinitas tarefas, suspiro alegremente, sempre com o foco apontado às boas memórias. E sonho. Sonho com os pequenos-almoços sossegados, sonho com os passeios em família, sonho em simplesmente estar. 

Vivemos numa sociedade, em os estímulos são constantes, as tarefas desenfreadas, as horas diminutas. Às vezes pergunto-me. E se por um dia nos limitássemos a respirar? E se por um dia nos limitássemos a estar sossegados com quem mais gostamos? Estariam as nossas vidas condenadas? Estariam os mercados económicos arruinados? Estariam os países em risco de aumentar o défice? Não tenho resposta para as perguntas. Mas às vezes apetece-me escalar o ruído socialmente comunitário e gritar: Parem, estão à vontade para abrandar o ritmo.





Enquanto não lanço o grito do Ipiranga, continuo em frente, equilibrando as metas que me impõem e as balizas pessoais que me apaixonam e me impelem a ser melhor.

Panquecas Irlandesas
(adaptado do livro The Farmette Cookbook)

Ingredientes
125gr de farinha
1 ovo
1 colher de sopa de manteiga derretida
200ml de leite
1 pitada de sal

Peneiramos a farinha para dentro de uma taça grande. Juntamos o sal. Fazemos um buraco no centro da farinha. Nele colocamos o ovo, a manteiga e metade do leite. Com uma colher de pau mexemos os ingredientes. À medida que vamos mexendo adicionamos o restante leite até que os ingredientes estejam bem incorporados. É fundamental obtermos uma mistura suave. Deixamos repousar durante trinta minutos. Mexemos novamente antes de usarmos. Aquecemos uma frigideira anti-aderente em lume médio. Deitamos três colheres de sopa na frigideira, ou o suficiente para preenchermos quase a frigideira toda. O objectivo é obter umas panquecas mais largas que o habitual para que possam ser dobradas. Fritamos durante uns minutos até que a massa comece a ficar dourada e firme. Soltamos a panqueca e com uma espátula viramo-la. Continuamos a cozinhar até ambos os lados estarem dourados. Servem-se recheadas com frutas ou barradas com manteiga, doces ou chocolate. Para mim a melhor combinação para servir estas panquecas é mel e frutos vermelhos. Usei mel Samelas, um novo projecto que se enquadra tanto neste meu post, um projecto que pretende viver em harmonia e em equilíbrio entre a vida moderna e a vida natural das abelhas que habitam a serra. Experimentem, acreditem, vão gostar. E acima de tudo, não se esqueçam, às vezes o mais importante é respirar.







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Livros que inspiram - Guia do Enoturismo em Portugal

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Há alguns anos, cai de paraquedas no universo vitivinícola. Na altura, procurava um novo desafio profissional e quase sem me aperceber estava a dar os primeiros passos no gabinete de comunicação de uma Comissão Vitivinícola. Embora este mundo dos vinhos me atraísse, a verdade é que o meu conhecimento sobre este meio era quase nulo. Como degustar um vinho? Como servir um vinho? Quais os produtores mais influentes daquela região? Quais os produtores mais inovadores em Portugal? Eram mais as perguntas do que respostas. Por isso, devorei literatura técnica com vontade de assimilar o máximo de informação num curto espaço de tempo. E claro que nesta saga houve uma autora incontornável. Falo de Maria João de Almeida, jornalista especializada na matéria, que, desde 1995, percorre o país a conhecer o que de melhor se produz a nível de vinhos, a conhecer os melhores projectos de enologia e de enoturismo.

Sabem quando valorizam o trabalho de uma pessoa e quando finalmente têm a oportunidade de conhecer essa pessoa ficam calados que nem um rato. Lembro-me que foi mais ou menos isto que aconteceu. Conheci a Maria João numa gala de entrega de prémios. Ali estava eu perante a expert que eu lia à noite para não fazer figuras durante o dia. Recordo a simpatia e o profissionalismo com que me abordou. Apesar do meu ar novato (e provavelmente deslocado) teceu, sem tons condescendentes ou maternais, conselhos e criticas construtivas, que guardo até hoje.

A nível profissional, a minha participação no mundo dos vinhos terminou, mas continuo a seguir este universo. E foi um prazer descobrir o Guia do Enoturismo de Portugal. Uma obra que nos leva a viajar de norte a sul, de este a oeste do país, à boleia dos melhores projectos de enoturismo. Dividido por regiões, esta é uma obra bastante extensa, criteriosa e graficamente cuidada, que nos dá a conhecer Portugal do ponto de vista dos vinhos, e sempre de uma forma acessível a todos. Recentemente, a obra ganhou o Prémio Mundial de Melhor Livro de Enoturismo dos Gourmand Awards. Independentemente de gostarem de vinhos ou não, este livro é obrigatório na biblioteca de todos os que gostam de apreciar Portugal.



Guia do Enoturismo em Portugal, foi lançado no ano passado. Como e porque é que surgiu esta obra?
Era um livro que faltava no mercado e, quando a editora ZestBooks me abordou para fazer um livro de vinhos sugeri que fosse um guia de enoturismo, sugestão que eles aceitaram de imediato.

O que é que as pessoas podem encontrar neste livro?
Costumo dizer que, quem quiser viajar pelo país e conhecer os melhores enoturismos portugueses tem a vida simplificada. Basta pegar no livro para encontrar uma selecção dos melhores enoturismos nas diversas regiões nacionais. O Alentejo ganha na oferta de maior número de enoturismos, o Douro também está bem posicionado, e no Dão, por exemplo, encontramos um grande crescimento nesta área, existindo ainda um grande potencial para crescer ainda mais. Mas todas as regiões têm bons exemplos que merecem ser divulgados e promovidos.

Quais foram os critérios que utilizou para seleccionar os produtores, quintas, adegas e restaurantes que figuram no livro?
Ninguém pagou para estar neste livro, a selecção foi puramente editorial. Viajo desde 1996 pelo país e sei perfeitamente aqueles que têm um melhor serviço, que se dedicam mais ou menos a esta área, e a forma como recebem. Foram estes os critérios. Receber bem, acima de tudo. De que serve um enoturismo de luxo se o serviço for mau? Logicamente isso é raro de acontecer, mas a verdade é que acontece. Assim, há neste livro também enoturismos que se destacam não por serem luxuosos, mas pelo simples facto de saberem receber bem. Ter uma boa oferta de serviços também foi outros dos critérios a que dei valor. Um bom enoturismo tem de ter soluções para toda a família. Já nos hotéis e nos restaurantes joguei mais ou menos pela mesma bitola. Bom serviço, qualidade, saber receber bem e dar uma especial atenção ao vinho.



Já percorre o país há muitos anos, sempre a conhecer novos vinhos, novos produtores e novas formas de fazer enoturismo. Apesar desta sua experiência foi de alguma forma surpreendida ao longo do processo de elaboração deste livro?
Sim, no último ano viajei bastante para conhecer enoturismos que ainda não conhecia e que surgiram mais recentemente. Os nossos enoturismos e a qualidade do nosso serviço não fica atrás de nenhum outro, em qualquer parte do mundo. E como já referi, o Dão foi a região que mais me surpreendeu nestas viagens, a oferta cresceu muito nos últimos anos.

Quais as críticas positivas e negativas que pode apontar ao enoturismo em Portugal?
Fiz um livro sobre os melhores enoturismos, e não sobre todos, porque ainda não funcionamos na perfeição nessa matéria. Ainda há muita falta de profissionalismo, pouca imaginação na oferta de serviços, muito ‘deixa andar’... mas tenho a esperança que vá mudar, aliás, está a mudar!

O guia é apenas para amantes de vinho já com alguns conhecimentos da área ou destina-se também a quem se inicia na arte de apreciar vinho?
Qualquer pessoa pode ler este livro, a linguagem é muito acessível e, além disso, todos os enoturismos que menciono estão preparados para receber simples apreciadores de vinho ou especialistas. Há diferentes visitas para cada pessoa ou grupo que aparece nas quintas. Por isso, leiam o livro e divirtam-se a visitar estas quintas.

Podemos afirmar que esta obra é um convite a redescobrir Portugal?
Sem dúvida. Redescobrir Portugal através do vinho. Haverá coisa melhor?


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Pão de Batata (e uma inspiração da lua-de-mel)

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Conheci-a durante a minha lua-de-mel. Ou melhor, não a conheci pessoalmente, descobria enquanto passeava pelas ruas de Dublin e me apercebi que a sua cara povoava diversas livrarias e quiosques. Chamou-me à atenção o seu avental em tartan verde azulado e o seu jeito descontraído emoldurado por um verde intenso natural. Eu tinha prometido a mim mesma que tão cedo não adquiria livros de culinária. A pilha de obras afectas a temas gastronómicos vai aumentando, a cada mês. E para quem mora numa caixa de fósforos, torna-se difícil gerir o espaço bibliotecário. Claro que na Lua-de-mel este objectivo iria se manter. Até porque quem é que na lua-de-mel está a pensar na sua cozinha e em receitas? Aparentemente eu estava e não consegui resistir.

 A curiosidade foi maior que a racionalização do espaço ou do romantismo do momento. Portanto, enquanto a cara metade procurava literatura fantástica, eu dei por mim a descobrir Imen McDonnell, uma cidadã citadina americana, habituada ao rebuliço dos bastidores das produções televisivas, cinematográficas e publicitárias que se apaixona por um agricultor irlandês e decide abandonar os ares urbanos de Nova Iorque e Los  Angeles, para descobrir o rural irlandês. Apaixonei-me imediatamente por esta história de amor. Revi-me na situação inversa, campónia apaixona-se por homem citadino e abandona o campo para viver a sua grande história de amor. Bem, a minha talvez não tenha um oceano lá pelo meio, não tenha nacionalidades diferentes e contextos sócio-culturais diferentes. Mas não pensem que é uma história menor, é minha e é quanto baste.


Brincadeiras, à parte, numa altura que eu sinto a urgência de regressar às minha origens que são o campo, confesso que me deixei levar pelas imagens encantadoras do livro. São muito simples, muito naturais, mas que revelam uma paixão enorme, um respeito firme pelos cenários rurais que a autora actualmente vive. Além disso, os títulos das receitas eram bem sugestivos. A maior parte lembrava-me a comida de conforto, daquele que eu gosto de me rodear durante todo o ano, para acalentar a alma e relembrar a comida da avó (que ainda hoje degusto, mas com menos frequência). Imediatamente pensei no que iria retirar da mala e deixar na Irlanda para não exceder o peso permitido pela companhia aérea. Tal não foi permitido, mas eu não descansei, até ter um exemplar e só vos posso dizer que valeu bem a espera.

Panquecas irlandesas, queijo fresco, scones, iogurtes, manteiga caseira, pizza de batata, tarte de buttermilk, tarte de cordeiro são algumas das receitas maravilhosas que se pode encontrar no livro e que me fazem imaginar a viver numa quinta com uma grande família para alimentar.











A receita que mais me chamou à atenção foi a de Pão de Batata, algo em que nunca tinha ouvido falar. Experimentei a receita, com algumas variações (esta não é a receita original do livro), e só vos posso dizer que este pão é simplesmente divinal.

PÃO DE BATATA

300gr de puré de batata
2 ovos ligeiramente batidos
100gr de manteiga
80gr de açúcar refinado
1 colher de chá de sal
7gr ed fermento de padeiro em pó
100ml de água morna
500gr de farinha de trigo

Numa tigela grande, misturamos o puré de batata (à temperatura ambiente) com os ovos e a manteiga. Mexemos. Acrescentamos o açúcar, o sal, o fermento e a água morna. Peneiramos a farinha para dentro da tigela. Unimos os ingredientes com uma colher de pau. Numa superfície enfarinhada, amassamos durante 10 minutos até que a massa se torne mais elástica. Untamos uma tigela com azeite e colocamos nela a massa obtida. Tapamos com um pano húmido e deixamos levedar, em espaço não muito frio, durante duas horas ou até a massa dobrar de tamanho. Depois de levedar, sovamos a massa durante 10 minutos para lhe retirar algumas bolhas que se formam na massa. Dividimos a massa em dois pedaços, que devemos colocar em duas formas previamente untadas com azeite. Levamos a massa ao forno, previamente aquecido a 190Cº, durante cerca de quarenta minutos. Acompanha bem com manteiga e compota caseira.



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Ideias soltas sobre casamentos

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O noivado chegou entre a degustação de um pedaço de pizza e um nervoso miudinho incómodo que, sem eu perceber, se instalara à mesa. Ao pedido inesperado, sem pompa protocolar, mas com um romantismo difícil de explicar por palavras, juntou-se alguma hesitação. E em vez de respostas, disparatei uma serie de perguntas ansiosas, que rapidamente se converteram num firme sim. Sem pressas de conhecer o Registo Civil, outros capítulos se foram escrevendo, sem tradicionalismos. E nem imaginam as coisas bonitas que ouvimos: 1 - Um noivado só pode durar no máximos dos máximos dois anos, senão depois perde a validade. (Acho que me esqueci de ver a embalagem e a indicação de consumir até quando); 2 - Tínhamos de casar rapidamente para podermos ter filhos (Eu acho que toda a gente sabe como se faz filhos, mas se calhar é melhor não aprofundar o assunto); 3 – Ainda bem que tínhamos pensado neste novo passo, porque já não íamos para novos (Há uma idade estipulada para as pessoas se casarem?), Entre outras frases inspiradas. Eu sei que às vezes as pessoas só querem fazer conversa. Mas falar do tempo, acreditem, é mais do que suficiente.

E como tudo na vida tem uma altura certa, ou que nos parece ser acertada, o casamento chegou cinco meses antes da data. Espera aí minha menina! Um casamento não deve ser organizado com o mínimo de um ano de antecedência? Pelo menos é o que as revistas da especializada dizem. Mas as revistas dizem muita coisa. Coisas que não encaixam na vontade de duas pessoas que se amam e decidem que é nessa aventura que querem embarcar, com o seu estilo próprio. De facto, ao longo de cinco meses fomos bombardeados por vocábulos ilusórios, que se lhes tivessemos dado atenção, provavelmente não teríamos gozado em pleno esse dia tão especial. Já passaram dois meses desde o Dia Mágico. Os ânimos já sossegaram e os nervos à flor da pele desapareceram. Achei que era a altura ideal de partilhar algumas ideias soltas sobre os tais protocolos e sobre o que acontece na prática da organização de um casamento. Atenção, nada do que vem a seguir, são verdades. Apenas sensações que me acompanharam, a mim e à cara metade, durante esta fase.







Organizar um casamento em cima da data é algo que as revistas não aconselham. Principalmente, por causa dos fornecedores que muitas vezes não estão disponíveis ou com disposição de planear um casamento em pouco tempo. Pensem nisso como um desafio, para deitarem mãos à obra e criarem um casamento DIY à vossa medida. Foi o que aconteceu cá em casa. Falámos com a família que sabíamos que tinha jeito para a coisa e em cinco meses montámos o cenário que desejávamos: rústico e campestre. O pai construiu a pérgula e a mesa que serviram de “altar”, mais o photobooth e todos os móveis em madeira que necessitávamos. A mãe desenvolveu uns licores fantásticos para oferecer aos convidados homens. Eu e a cara metade desenvolvemos todo o design dos materiais, prendas e afins. Se ficou bonito? Para nós ficou perfeito, e na realidade é isso que conta, que as coisas fiquem ao jeito do que sonhámos ou idealizámos. Se foi fácil? Não vou mentir. Foi bastante trabalhoso. Três meses antes do casamento todos os fins-de-semana foram passados a trabalhar para o grande dia. Mas o que fica de importante são as histórias, as birras, o choro, os risos e as imensas sensações tão genuínas, como a cumplicidade e respeito que fui aprofundando com o meu marido.



Claro que nem toda a gente vê com bons olhos o Do It Yourself, nesse caso pesquisem bem, pois de certeza, por mais difícil que seja, vão encontrar um fornecedor à vossa medida que esteja disponível para sair da zona de conforto e planear um casamento express. Na realidade, até podem encontrar o fornecedor que estava desejoso de ser desafiado a criar algo diferente. Apesar de toda a vertente DIY, sempre soube que queria algo campestre/rústico mas com um toque refinado e que esse toque teria de ser dado por alguém em quem confiaria. E essa pessoa teria de ser a Guida Design Eventos. Ela esteve disposta a organizar o design floral em três tempos. Portanto, nunca desesperem, haverá sempre tempo para organizarem a vossa aventura.





Uma das coisas com que fomos surpreendidos durante a organização do casamento prende-se com os temas e cores do mesmo. Segundo a etiqueta, um casamento deve ter apenas um tema e três cores como base da decoração. Ohhh, pois. É aqui que pergunto: Querem lembrar o vosso dia especial porque cumpriram a etiqueta ou porque seguiram o vosso coração? E não pode o vosso coração ser um arco-íris apaixonado por diferentes temas. Caminhos Pedestres, jogos tradicionais e vida no campo, foram os temas do casamento, aplicados a convites, lembranças, design gráfico e floral. Além disso, usámos mais de três cores, tendo como base uns arranjos florais super coloridos, super alegres. Acho que a regra neste capítulo, deve ser seguirem o que gostam. Acreditem que isso vai fazer a diferença. Se estiverem à vontade com os temas, cores e actividades que escolhem para a vossa cerimónia, podem ter a certeza que esse à-vontade será transmitido aos convidados. Cá em casa decidimos que fizesse chuva ou sol, a cerimónia seria ao ar livre num bosque. Choveu e tivemos os melhores convidados do mundo, que mesmo de chapéu de chuva na mão foram os melhores convidados de sempre. Além disso, entraram em todas as brincadeiras e deliciaram-se com o jogo da malha, o jogo da moeda, o jogo do saltar ao saco.


Outra das regras que desconhecia em relação à organização dos casamentos prende-se com o horário das cerimónias. Li numa revista que as cerimónias devem começar quatro horas antes do por do sol, para que a noiva tenha o dia para se preparar e porque a luz da tarde funciona melhor nas fotografias. Ri-me bastante com este artigo. Pois parece-me bastante redutor definir o horário de um dia apenas tendo em conta a luz que melhor funciona nas fotografias. E já nem falo na questão da noiva se preparar. Hoje em dia há vários serviços de cabeleireiro e maquilhagem que, com profissionalismo, muita técnica e resultados fantásticos, tratam da noiva em três tempos. Como alguns familiares comentaram, tivemos um casamento à “antiga” no que toca ao horário. Celebração às 11h30, almoço a terminar às três, sobremesas, muita dança, muitos jogos tradicionais, caminhada pela quinta com direito a conhecer os animais todos, ceia e às  22h00 já os mais velhos pediam cama e os mais novos também. Sempre desejei uma festa familiar, e ao escolhermos este alinhamento foi em nós e na idade dos familiares que nos focámos. E foi perfeito! As pessoas aproveitarem em pleno todas as actividades que tínhamos pensado. Julgo, que se me tivesse centrado na luz que combinaria com o meu rosto ao final do dia, hoje estaria muito arrependida.







Claro que uma das decisões mais importantes no que toca ao dia do casamento é sem dúvida se preferem uma cerimónia religiosa ou civil. Obviamente, que essa escolha depende de cada casal e não há muito que as revistas falem sobre isto, no sentido de defender uma ou outra situação. No meu caso também só posso falar sobre a nossa escolha que recaiu sob uma cerimónia civil. A maior parte dos Registos Civis não estão preparados para  celebrar os casamentos. Burocraticamente falando, no que toca a pagamento da cerimónia e leitura da legislação afecta ao ato de matrimonio são prós, ninguém pode dizer o contrário. Mas falta-lhes o resto. O romantismo, a organização, um discurso coerente, a abertura para organizar com os noivos a cerimónia. No nosso caso, tivemos de nos reunir com o Registo Civil mais de três vezes, depois de os funcionários tentarem empurrar o serviço de uns para os outros. Finalmente coube-nos em sorte uma funcionária, sem pingo de sensibilidade ou romantismo que se preocupou mais com as botas que molhou ou com as unhas que receberam humidade, que olhou de soslaio para o coro, que irritou profundamente os convidados e que não nos permitiu a troca de votos. Conselho. Se optarem por uma cerimónia civil, tenham um mestre de cerimónia vosso, que  conheçam, que seja vosso amigo, que possa conduzir a cerimónia com o brilho e discurso que mais vos aprazer. Acreditem, a vossa cerimónia terá um toque mais pessoal.


Mas acima de tudo, se estão a pensar em casar, lembrem-se, o mais importante é namorarem muito e apreciarem em conjunto cada decisão. As revistas afirmam que o Dia do Casamento é o dia especial da mulher e que tudo tem de encaixar no que ela idealizou. Nada mais errado. Um casamento é construído, nas suas diferentes vertentes, a dois. Portanto, há que respeitar as opiniões, desejos e sonhos da cara metade. Porque, acreditem, só na comunicação plena se pode construir uma bela história de vida.

Fotografias cedidas gentilmente por Anita Afonso, Francisco Ferreira - Photography e José Manuel.

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Pessoas que inspiram | Guida Design Eventos

Uma partilha
Conhecemo-nos nas rotinas por conta de outro e nos meandros da Comunicação. Dum lado estava ela a promover eventos culturais para uma importante marca internacional. Do outro estava eu, jornalista e editora de cultura. Conheci-a enquanto Lúcia, mas foi no papel de GUIDA que os nossos caminhos se cruzaram e assumiram novos sentidos e novas realidades. Lembro-me que quando o Reservatório de Sensações abandonou a sua existência jornalística e passou a degustador de sensações, foi ela a primeira acreditar no potêncial do meu cantinho virtual e do que saía da minha cozinha. Lembro-me que foi ela a primeira a desafiar-me para expor publicamente as minhas novas façanhas. Mais recentemente foi também a GUIDA que deu o toque especial ao meu enlace mágico. Existem pessoas que se acomodam aos pequenos passos que as rotinas proporcionam, e depois existem as pessoas que rasgam zonas de conforto e obrigam o mundo a sonhar. E desenganem-se, se pensam que a GUIDA é apenas uma event planner. Se tivesse que a definir diria que é uma “promotora de coisas bonitas”. E vamos concordar numa coisa, o mundo precisa de cada vez mais de coisas bonitas, com estrutura, contexto, coração, sonhos e inspiração. Por isso, deixem-se inspirar.





Como e quando surgiu a GUIDA Design de Eventos?
A GUIDA surgiu de uma insónia... a sério! Foi em 2012, depois de ter encontrado por acaso um blog de casamentos brasileiro. Naquele blog, percebi que os casamentos juntavam todas as valências que tinha adquirido ao longo da vida, a produção de eventos, as artes e crafts, o gosto pela imagem fotografada e vídeo, o design floral, e o Marketing. Tinha 30 anos, estava fazer programação cultural e marketing há oito anos e apetecia-me algo que me satisfizesse mais. Depois de experimentar os casamentos das amigas vieram as amigas das amigas, até ao cliente anónimo.

Porque decidiste na casa dos trinta mudar de carreira e dar um novo rumo à tua vida?
Pode-se chamar crise dos 30, mas no fundo sei que só as circunstancias o permitiram. Tinha companheiro e relação estável, tinha um emprego que me dava margem de investimento, tinha amigas com interesses comuns e que se revelaram a ajuda essencial. E tive um choque emocional que foi uma doença de um familiar direto que me fez questionar tudo, e encontrar esta resposta: enquanto cá andamos vamos fazer o possível para sermos felizes.




Foi fácil para as pessoas à tua volta assimilarem esta tua vontade de mudar?
Não. As pessoas que mais gostam de mim, por proteção, desconfiaram, sugeriram cuidado, diziam que era um biscate que não ia dar em nada, mas lá iam ajudando. Em termos sociais mais alargados, no espaço de seis meses, pessoas que sempre me tinham chamado de Lúcia passaram-me a confundir com a marca e a chamar de GUIDA.

O que é podemos encontrar na GUIDA?
Criatividade, personalização, leitura de estilo. Acima de tudo queremos proporcionar eventos que sejam a personalidade dos noivos, e que lhes seja motivo de alegrias. Queremos fazer o que gostamos se possível de forma a que interfira o mínimo possível com a nossa qualidade de vida familiar e social (ás vezes é muito difícil). Sabemos ler os noivos desde que eles permitam e confiem o suficiente para isso, quando há empatia acaba por ser um trabalho de equipa, mais do que um serviço contratado, e não raras vezes fazemos amigos para vida.






O que sentiste quando organizaste o teu primeiro evento?
O primeiro evento já nem me lembro, foi muito antes dos casamentos. Enquanto GUIDA, o primeiro casamento é inesquecível ...Emocionalmente senti-me muito feliz, mas questionei tudo, ainda o faço e farei, sou muito crítica e exigente com o que faço. E descobri um cansaço físico que desconhecia até então. É muito duro.

Passados cerca de quatro anos continuas a emocionar-te com os eventos que preparas?
Sim muito! Sinto todas as palavras ditas com sinceridade e emoção, vibro com cada detalhe, e no final quando vejo o dia em fotografias e vídeo, sinto que fiz parte daquela história, que eu e a equipa GUIDA somos responsáveis pela coerência entre a festa e os noivos, sentimos orgulho.

Já tiveste pedidos estranhos de concretizar?
Já... Mas não os vou contar, são estranhos.

Qual o evento que recordas com mais carinho? Se é que é possível falar apenas de um.
Todos os casamentos em que fazemos para além da decoração, o acompanhamento do dia, são especiais. Por mais que se queira ser profissional, não somos imunes às emoções. E é impossível não recordar os abraços que recebi das noivas, ou palavras sentidas de agradecimento por pais, caras de surpresa na descoberta dos detalhes...Impagável.

O que tem sido mais difícil de gerir nesta nova etapa, enquanto gestora do próprio negócio?
Este ano tem sido particularmente difícil gerir a procura. Temos mais procura do que datas disponíveis, o que faz com que tenhamos de criar procedimentos de atendimento e redefinir estratégias de resposta. Encontrar soluções para gestão do tempo, é tão difícil combinar num mesmo tempo a confiança dos clientes, os objetivos de Marketing, produzir, o fazer, levar e trazer... o dia é pequeno demais!É algo que ainda estamos a viver e a refletir sobre isso, não queremos perder qualidade mas também queremos agarrar novas oportunidades. É difícil dizer Não, mas o crescimento tem de ser sustentado.






 Com o teu projecto sentes que inspiras as pessoas à tua volta?
Sim. Sinto que inspiro quem acompanha o projeto desde início, que o viu pequenino e tosco e o sente também como seu. Inspiro noivas, sei porque me escrevem e o dizem... É engraçado ouvir, em contextos sociais que me desconhecem, coisas como "O meu casamento tem de ser estilo GUIDA...", tenho a noção que do pouco inicial, ou da muita expectativa pessoal, fiz uma marca com valor, e hoje maior do que a minha pessoa.

Nos próximos tempos, que surpresas a GUIDA irá preparar?
Para além do crescimento da equipa, temos objetivos estruturais, que são surpresa! Temos uma estratégia definida que passa pela partilha do que vamos sabendo e dominando com quem nos segue, temos também objetivo de fazer parte da marca Viseu ou região Dão enquanto Destination Wedding. O turismo de casamentos é real, a procura por parte de noivos estrangeiros tem-nos acontecido, tem impacto local e queremos fazer cada vez mais parte dele.

Onde imaginas estar com a GUIDA daqui a 10 anos?
Imagino estar mais tranquila, mais despegada. A confiar na equipa que fará dela independente de mim e eu mais centrada nas coisas da GUIDA que me fazem feliz.


Podem conhecer o trabalho da GUIDA Design Eventos aqui.
As fotografias foram registadas durante o Workshop de Bouquet, realizado no dia 30 de Abril.



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Scones Simples

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A primeira vez que me deparei com a palavra Scone, deveria ter sete anos, numa altura em que cresci em mim o gosto pelos livros de aventura, policiais e afins. A colecção Os Cinco, de Enid Blyton estava no topo desta paixão. Grande parte da minha infância foi acompanhada por este grupo de aventureiros que alimentaram o meu imaginário com diversas peripécias, mas também com vários aspectos da cultura britânica. Lembro-me que a Zé, o Júlio, o David, a Ana e o Tim tinham sempre direito a Scones ao pequeno-almoço. Tinham direito a quê? O nome não me dizia nada, mas ficava no ouvido. O problema é que eu não conseguia associar o nome a nada e na década de oitenta a internet era assunto de ficção científica e não podia recorrer a ela para esclarecer o mistério. Pelas descrições os Scones não eram bolo, mas também não eram salgado, não eram um pão, mas acompanhavam bem com compota, queijo cheddar, com mostarda e tomates fritos. Ainda pesquisei na biblioteca da escola, mas as enciclopédias não primavam pelas imagens que apresentavam.




Lembro-me que foi numa feira escolar do Dia do Inglês que a minha curiosidade se saciou. Nesse dia, gastei metade da semanada na mesma banquinha e comi scone atrás de scone com compota de morango. Se na altura gostei? Nem por isso. Aquilo sabia a bolos recessos. Mas se Os Cinco gostavam e se eram motivo de encantadoras refeições, quem era eu para não gostar? Hoje em dia, a história é outra. Depois de experimentar Scones realmente ingleses e de confeccionar diversas variações, não sei viver sem este petisco britânico. Acho-os deliciosos quer ao pequeno-almoço, quer em lanches, em ocasiões especiais ou em ceias de convívio. Agradeço imenso a Os Cinco pelo tom britânico que deram à minha infância e ao meu gosto gastronómico.



SCONES SIMPLES

Ingredientes

1ovo grande
125ml de leite 
225gr de farinha de trigo
2 colheres de chá (bem cheias) de fermento em pó
2 colheres de sopa de açúcar branco refinado (+ um pouco para polvilhar)
50gr de manteiga (à temperatura ambiente)

Aquecemos previamente o forno à temperatura de 220ºC. Deitamos o ovo e o leite numa tigela pequena e batemos ao de leve antes de acrescentar o sumo de limão. Peneiramos a farinha e o fermento em pó para dentro de uma tigela grande. Acrescentamos as duas colheres de açúcar. Espalhamos a manteiga por cima da mistura de farinha. Em seguida envolvemos a manteiga na farinha, usando as pontas dos dedos, até a mistura ficar com uma consistência de pão ralado. Adicionamos metade da mistura de ovo nos ingredientes secos. Acrescentamos mais mistura de ovo até obtermos uma massa bem ligada. O mais provável é não necessitarmos desta mistura liquida toda. Colocamos a massa num superfície de trabalho polvilhada com um pouco de farinha e, com suavidade espalmamo-la até ficar com cerca de 2 cm de espessura. Com um cortador de bolachas, recortamos tantos scones quanto possível. Repetimos o processo até termos utilizado toda a massa.  Dispomos os scones num tabuleiro de forno. Pincelamos a parte de cima com o que restou da mistura de ovo e polvilhar generosamente com o açúcar branco. Levar ao forno durante 10 a 12 minutos ou até scones crescerem e alourarem. Colocar os scones a arefecerem numa armação de arame.

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