O meu campo

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Passaram três anos desde que saí do meu campo. Três anos que parecem uma eternidade, tendo em conta que a minha alma sempre se habituou a respirar natureza no seu dia-a-dia. Já aqui falei desta experiência várias vezes, porque de facto têm sido anos marcantes e de muitas mudanças. Por um lado tenho saudades dos meus cães, dos cheiros campestres, do jardim como extensão dos meus dias. Mas por outro lado, em três anos sinto que já se entranhou na minha pele um certo conforto citadino que me permite não pegar no carro durante a semana ou a almoçar em casa todos os dias. Nem sempre é fácil encontrar o equilíbrio nesta dicotomia.




Por isso, ficou decidido quando virei "princesa" urbana, que todos os fins-de-semana me iria perder entre sebes, lameiros e caminhadas rurais. Isso era imperativo. Ainda hoje, sinto que nesses instantes em que regresso ao meu habitat natural, viro pulmão de ar puro e pulsar verde. Nessas alturas, impinjo à alma um restart revigorante. Foi num desses momentos que senti o chamamento que me inspirou a desafiar a família a deitar mãos à terra, literalmente, e a renovar uma parte do meu campo que estava ligeiramente ao abandono. O desafio começou há cerca de um ano. Ainda há muito caminho para trilhar neste desafio. Deixo-me para já encantar com o jasmim que já floriu, a roseira quer já quase dá a volta ao arco colocado ao cima das escadas, com o limonete que cresceu e as árvores de fruto que começam a dar as primeiras folhas e flores. Estou muito grata por o pouco que já conseguimos e grata por confiar na mãe natureza.























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Tarte de Aveia, Chocolate e Framboesas (que foi um bela surpresa)

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Gosto de surpresas. Só me refiro às surpresas positivas, claro. Por exemplo, chegar ao estacionamento e reparar numa multa a brilhar de contentamento no pára-brisas, isso não é de todo uma surpresa agradável. Gosto de surpresas que me façam despontar um sorriso tonto na cara, ou que me façam transbordar o coração de contentamento. Sabe bem ser surpreendida com o gesto simpático de alguém que se cruza connosco no dia-a-dia. Sabe bem ultrapassar um obstáculo, sobre o qual não tínhamos expectativas positivas. Sabe bem receber um mimo que não se estava à espera. Sabe bem encontrar nos pequenos pormenores da vida um motivo para ficar surpresa. No campo pessoal, adoro ser surpreendida com mimos e prendas. Não, não pensem que se trata apenas de consumismo. Para mim uma prenda/lembrança/mimo é muito mais do que a oferenda de um objecto ou de algo. Este acto traz com ele toda uma carga simbólica, que está relacionada com o esforço que a pessoa colocou na procura daquela prenda, ou o quanto essa pessoa nos conhece, ou por outro lado o quanto essa pessoa quer que a conheçamos. E sou grata pelo que as pessoas me dão de si.



Cá em casa, ele detesta comprar prendas. É um sufoco quando chega o Natal, ou aquela altura do ano em que vários elementos da família comemoram o aniversário (uns atrás dos outros). Mas sabem uma coisa ele põe de parte esse seu sentimento e esforça-se sempre para surpreender as pessoas. Por exemplo, o melhor livro de culinária que possuo a ele o devo. E foi oferecido numa altura em que ainda não tinha descoberto que rumo queria dar ao Reservatório de Sensações.  O blogue existia, mas servia apenas de depositário de textos relacionados com a minha área de trabalho: o jornalismo. No entanto, o bichinho pela culinária já existia dentro de mim. Num aniversário, ele ofereceu-me o livro Bolos para a Família, de Sarah Randell. Um livro que eu desconhecia por completo e que na altura só era vendido pelo Círculo de Leitores. Todavia, esta oferenda revelou-se uma verdadeira surpresa. Se eu já gostava de cozinhar, com aquela prenda tive a minha revelação. Eu iria querer cozinhar para a família, ter a casa sempre cheia. Ainda hoje, por mais livros que compre, este é o livro que eu tanto adoro e ao qual recorro tantas vezes.

Se foi uma das surpresas mais belas que já tive? Sim. Não só porque adoro o livro, mas também porque sei e senti o esforço que ele colocou em oferecer-me algo com valor simbólico, o esforço que desenvolveu para que eu percebesse que precisava de outro caminho, com mais aromas, mais texturas, mais sabores. Só lhe posso estar grata por isso!



TARTE DE AVEIA, CHOCOLATE E FRAMBOESA
Ingredientes para a base
100gr de manteiga à temperatura ambiente
40gr de açúcar refinado
150gr de farinha de aveia

Ingredientes para a calda de chocolate
200gr de chocolate negro partido em pedaços pequenos
1colher de sopa de açúcar em pó
100gr de framboesas
200ml de natas
Pistachio q.b.

Aquecemos previamente o forno à temperatura de 190ºC. Batemos a manteiga e o açúcar com uma batedeira electrica durante três a quatro minutos ou até obtermos uma pasta cremosa e esbranquiçada.  Acrescentamos a farinha de aveia e voltamos a bater durante mais alguns minutos. Caso não consigamos formar uma bola de massa, amassamos com as mãos. Deitamos no tabuleiro e comprimimos firmemente com a superfície bojuda de uma colher. O objectivo é obtermos uma camada uniforme. Com os dentes de um garfo, fazemos alguns furos na base. Levamos ao forno previamente aquecido durante 20 minutos ou até a massa ficar um pouco dourada. Deixamos arrefecer.

Para preparar a calda de chocolate, levamos as natas e o açúcar em pó a lume brando. Deixamos ferver. Vertemos as natas quentes por cima do chocolate partido. Levamos ao lume e batemos sempre até que o chocolate derreta por completo e a mistura adquira uma textura macia. Juntamos as framboesas à mistura do chocolate e deitamos por cima da base, que tem de estar completamente arrefecida. Deixamos esfriar completamente e levamos ao frigorífico durante três horas ou até a cobertura solidificar. Para servir, cortar com uma faca bem afiada e cobrir com pistachio picado em pedaços pequenos.



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Creme de Cogumelos (para aquecer a alma)

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Primavera, ai a Primavera. Uma estação perfeita para quem gosta de apreciar comida, para quem gosta de passar o tempo livre na cozinha. Os mercados de produtores locais vestem-se de cores fantásticas e de diversas variedades de legumes e frutas. Tanto que fica difícil de escolher o que levar para casa. Esta diversidade inspira a confecção de novas receitas. O calor instala-se e o corpo pede comidas mais frescas, mais luminosas e coloridas. Os campos, os jardins e os pinhais enchem-se de piqueniques. E o cheiro da comida funde-se com o aroma a pinhal aquecido e a flores a desabrochar.



Isto claro se estivermos numa Primavera normal, que responda aos padrões esperados. Os últimos tempos têm sido cinzentos demais. Mesmo eu que tenho uma resistência elevada a tempestades, já não tenho pachorra para a quantidade de precipitação dos últimos meses. No trajecto curto, que efectuo todos os dias entre casa e trabalho, consigo virar esponja da loiça acabada de ser usada. Os automobilistas andam zangados, cansados de usar o limpa pára-brisas a funcionar, e portanto não se preocupam em abrandar nas poças que habitam a fronteira entre a estrada e os passeios. E como senão fosse suficiente, o mau humor humano estende-se também ao reino animal. Apercebi-me hoje que as andorinhas lá da rua desapareceram. Nem sinal delas. Claro que as percebo, tivesse eu asas e estaria neste momento a sobrevoar algum paraíso tropical.
Nascida e criada no campo, digo já que não vale a pena virem com a conversa de que precisamos da chuva. Neste momento as batatas precisam de não se sentir em afogamento constante, as cerejas estão a desenvolver uma palidez que acho que será crónica e os agricultores se calhar vão começar a pensar em trocar os tractores pelos barcos.
É óbvio que esta Primavera a fingir se reflecte na minha cozinha. Não, não, a minha cozinha não está carregada de maus humores. Mas a verdade é que este frio de Maio, faz com que o meu estômago reclame por comida de conforto. Até posso pensar que a época balnear se aproxima e que umas saladinhas neste corpo roliço só fariam bem, mas esqueçam lá isso. Eu quero mesmo é comida que me acalente a alma.

CREME DE COGUMELOS
Igredientes
6 batatas miúdas
2 cenouras pequenas
1 cebola pequena picada
300gr de cogumelos frescos (usei cogumelos Shiitake e Cogumelos Marron)
+/- 1l de água
sal
pimenta
azeite
queijo parmesão (a gosto)

Cobrimos o fundo de um tacho com azeite. Levamos a lume brando. Assim que o azeite começar a aquecer, juntamos a cebola picada e deixamos cozinhar, até a cebola aloirar. Juntamos as batatas e as cenouras, previamente cortadas. Tapamos e deixamos suar sobre lume brando durante cerca de cinco minutos, mexendo de vez em quando. Entretanto lavamos os cogumelos em água corrente. Depois de fatiados, adiccionamos aos restantes legumes. Mexemos e deixamos cozinhar, tapado, até as batatas estarem macias. Trituramos a sopa com a varinha mágica. Adicionamos a água necessária até que o creme fique com a consistência desejada. Temperamos com sal e pimenta. Deixamos retomar a fervura. Este creme acompanha muito bem com queijo parmesão. Antes de servirmos, podemos cobrir o creme com queijo parmesão ralado.

Nota: Com este tempo, tem sido difícil tirar fotos, principalmente quando só tenho espaços interiores e a luz que entra pelas janelas é insuficiente. As cores do post até podem não estar muito apelativas, mas vale mesmo a pena provar este creme.


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O meu primeiro Pudim

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Desde sempre tive o hábito de folhear o álbum de fotografias deles, do dia especial em que juntaram os trapinhos, o amor e os sonhos. Na capa, se a memória não me falha, diz: O meu casamento. No interior, página a página, as fotos de uma história melhor do que qualquer filme de Hollywood sempre me encantaram.

 Lembro-me que com muito cuidado eu virava as folhas transparentes que protegiam as imagens. A mãe parecia uma menina em dia de primeira comunhão,com sorriso cândido e ar sonhador . Já o pai assumia as vestes e a postura de um galã de telenovela. Mas mais do que as vestes, eu deliciava-me com os olhares e as posturas das fotos. Procurava os sorrisos alegres, os sorrisos mais carrancudos, os ombros descontraídos, as lágrimas reprimidas ou as lágrimas mais soltas.

Ainda hoje passados 32 anos sinto-me em casa cada vez que folheio este álbum. Ainda hoje passados 32 anos consigo perfeitamente transportar a mãe de agora para a imagem daquela gaiata que iniciava de forma insegura uma nova vida. Ainda hoje o pai mantém o mesmo sorriso de estrela da televisão. Desconheço o que é viver 32 anos ao lado da mesma pessoa, de partilhar com ela as histórias de uma vida, porque este meu percurso matrimonial é ainda pequeno. Mas sei que o exemplo que me rodeia é bom, forte e inspirador.

E como as histórias inspiradoras, merecem também novos desafios. E para celebrar os 32 anos que unem a minha família, pensei: Que receita é que nunca confeccionei? Aqui fica a partilha.




PUDIM DE AZEITE E MEL
Ingredientes
6 ovos grandes
3 colheres de sopa de mel líquido
280gr de açúcar refinado
2 colheres de sopa de azeite virgem extra
Raspa da casca de 1 limão

Antes de iniciarmos a confecção da receita, devemos colocar todos os ingredientes à mesma temperatura. Untamos com manteiga uma forma de pudim com 1,5l de capacidade. Juntamos os ingredientes e batemos à mão, apenas o tempo necessário para ligar os ingredientes. Deitamos na forma a mistura obtida e levamos a cozer em forno previamente aquecido a 180ºC, durante 40 a 50 minutos. O pudim estará pronto quando ao espetarmos um palito este sair limpo. Desenformamos quase a frio.

Esta receita foi adaptada do livro Sabores com História, de Maria de Lourdes Modesto.
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Maio Luminoso

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Maio começou de forma luminosa. Não só porque trouxe com ele um sol maravilhoso, mas porque iniciou com a celebração da maternidade e da vida. Maio começa assim com o pé direito, a dar desculpas (como se fossem precisas) para a família se juntar à volta da mesa, das histórias antigas que surgem a cada garfada, das gargalhadas bezuntadas.


O primeiro de Maio teve direito à melhor toalha, à estreia do galheteiro oferecido pela mãe e à abertura da melhor reserva tinta guardada cá em casa. A garrafa estava guardada para uma ocasião especial. Achei que brindar à minha mãe era motivo mais que suficiente para degustar este néctar. Ela é a minha guerreira, quem me inspira todos os dias e que com o seu exemplo me obriga a ir mais longe. Maio começou luminoso, na melhor companhia. Espero eu que seja um mês que saiba ser sempre sol.



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Sentir o copo meio cheio

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A semana passada conduziu-me novamente às rotinas, aos dias normais em que tudo retoma o mesmo sítio. Foi estranho abandonar a excitação do início do mês de Abril, que começou com uma cerimónia emotiva, duas viagens de avião, a oportunidade de conviver com uma língua estrangeira, de namorar imenso longe dos lugares habituais, de repor o sono, de vestir um sorriso de orelha a orelha. Foi estranho sentir que a vida se volta a enquadrar nos mesmos confinados metros quadrados.



 Mas, por outro lado, sei que Abril foi um mês bom, inteiro, sentido e de avanço em direcção ao futuro que desejo. Regressar às rotinas com a cabeça arejada, fez-me ver que ainda há muito para sonhar, muito para concretizar e muita poeira para sacudir. Mesmo que os tais metros quadrados de betão que habitam em nós nos tentem dizer o contrário. Mesmo que tenha de continuar a viver rodeada de pessoas pesadonas em negativismo. Estou agradecida por um mês que me ensinou a ver o copo meio cheio e não o contrário, que me ensinou a ver o que realmente vale a pena e a quem devemos dar ouvidos.





Obrigada Abril pela inspiração e gentileza com que me brindaste. E, acima de tudo, obrigada pelo recomeço que me proporcionaste junto de pessoas tão ricas em afectos.






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