O meu primeiro Pudim

2 sensações partilhadas
Desde sempre tive o hábito de folhear o álbum de fotografias deles, do dia especial em que juntaram os trapinhos, o amor e os sonhos. Na capa, se a memória não me falha, diz: O meu casamento. No interior, página a página, as fotos de uma história melhor do que qualquer filme de Hollywood sempre me encantaram.

 Lembro-me que com muito cuidado eu virava as folhas transparentes que protegiam as imagens. A mãe parecia uma menina em dia de primeira comunhão,com sorriso cândido e ar sonhador . Já o pai assumia as vestes e a postura de um galã de telenovela. Mas mais do que as vestes, eu deliciava-me com os olhares e as posturas das fotos. Procurava os sorrisos alegres, os sorrisos mais carrancudos, os ombros descontraídos, as lágrimas reprimidas ou as lágrimas mais soltas.

Ainda hoje passados 32 anos sinto-me em casa cada vez que folheio este álbum. Ainda hoje passados 32 anos consigo perfeitamente transportar a mãe de agora para a imagem daquela gaiata que iniciava de forma insegura uma nova vida. Ainda hoje o pai mantém o mesmo sorriso de estrela da televisão. Desconheço o que é viver 32 anos ao lado da mesma pessoa, de partilhar com ela as histórias de uma vida, porque este meu percurso matrimonial é ainda pequeno. Mas sei que o exemplo que me rodeia é bom, forte e inspirador.

E como as histórias inspiradoras, merecem também novos desafios. E para celebrar os 32 anos que unem a minha família, pensei: Que receita é que nunca confeccionei? Aqui fica a partilha.




PUDIM DE AZEITE E MEL
Ingredientes
6 ovos grandes
3 colheres de sopa de mel líquido
280gr de açúcar refinado
2 colheres de sopa de azeite virgem extra
Raspa da casca de 1 limão

Antes de iniciarmos a confecção da receita, devemos colocar todos os ingredientes à mesma temperatura. Untamos com manteiga uma forma de pudim com 1,5l de capacidade. Juntamos os ingredientes e batemos à mão, apenas o tempo necessário para ligar os ingredientes. Deitamos na forma a mistura obtida e levamos a cozer em forno previamente aquecido a 180ºC, durante 40 a 50 minutos. O pudim estará pronto quando ao espetarmos um palito este sair limpo. Desenformamos quase a frio.

Esta receita foi adaptada do livro Sabores com História, de Maria de Lourdes Modesto.
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Maio Luminoso

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Maio começou de forma luminosa. Não só porque trouxe com ele um sol maravilhoso, mas porque iniciou com a celebração da maternidade e da vida. Maio começa assim com o pé direito, a dar desculpas (como se fossem precisas) para a família se juntar à volta da mesa, das histórias antigas que surgem a cada garfada, das gargalhadas bezuntadas.


O primeiro de Maio teve direito à melhor toalha, à estreia do galheteiro oferecido pela mãe e à abertura da melhor reserva tinta guardada cá em casa. A garrafa estava guardada para uma ocasião especial. Achei que brindar à minha mãe era motivo mais que suficiente para degustar este néctar. Ela é a minha guerreira, quem me inspira todos os dias e que com o seu exemplo me obriga a ir mais longe. Maio começou luminoso, na melhor companhia. Espero eu que seja um mês que saiba ser sempre sol.



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Sentir o copo meio cheio

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A semana passada conduziu-me novamente às rotinas, aos dias normais em que tudo retoma o mesmo sítio. Foi estranho abandonar a excitação do início do mês de Abril, que começou com uma cerimónia emotiva, duas viagens de avião, a oportunidade de conviver com uma língua estrangeira, de namorar imenso longe dos lugares habituais, de repor o sono, de vestir um sorriso de orelha a orelha. Foi estranho sentir que a vida se volta a enquadrar nos mesmos confinados metros quadrados.



 Mas, por outro lado, sei que Abril foi um mês bom, inteiro, sentido e de avanço em direcção ao futuro que desejo. Regressar às rotinas com a cabeça arejada, fez-me ver que ainda há muito para sonhar, muito para concretizar e muita poeira para sacudir. Mesmo que os tais metros quadrados de betão que habitam em nós nos tentem dizer o contrário. Mesmo que tenha de continuar a viver rodeada de pessoas pesadonas em negativismo. Estou agradecida por um mês que me ensinou a ver o copo meio cheio e não o contrário, que me ensinou a ver o que realmente vale a pena e a quem devemos dar ouvidos.





Obrigada Abril pela inspiração e gentileza com que me brindaste. E, acima de tudo, obrigada pelo recomeço que me proporcionaste junto de pessoas tão ricas em afectos.






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Panquecas de Bacalhau e Queijo Crozier Blue | Cod and Irish Crozier Blue Pancakes

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Prometi a mim mesma que ia aproveitar a segunda semana de lua-de-mel, já em terras lusas, para dar vida a este cantinho de sensações. Inclusive, peguei no meu caderninho de notas e elaborei uma lista ainda grande de assuntos que queria partilhar. Apesar das minhas boas intenções, como devem ter reparado, o blogue esteve assim para o sossegadito. A minha lista ficou esquecida e foi substituída por momentos de namoro, passeios combinados à última da hora, piqueniques inesperados e experiências na cozinha. Estas Panquecas de Bacalhau com queijo Crozier Blue (comprado durante a lua-de-mel) são um exemplo dos sabores, cheiros e texturas que invadiram a minha cozinha na última semana.

I promised myself that I would use the second half of my honeymoon, already in Portugal, to once again rekindle this little corner of the Internet. As a matter of fact, I picked up my notebook and made a list – quite a big one – of all the things I'd like to share here. Despite my intentions, you surely noted that the blog remained fairly lifeless. My list was thrown aside, forgotten, replaced by moments of tenderness, spur of the moment trips, unexpected picnics and kitchen experiments. These Cod and Irish Crozier Blue Pancakes (cheese bought during the honeymoon) are an example of the flavours, aromas and textures that invaded my kitchen this past week.





Ingredientes:
2 ovos
100gr de bacalhau desfiado
2 pimentos doces pequenos
4 colheres rasas de sopa de farinha sem fermento
1 pitada de sal
20gr de queijo Crozier Blue (Podem substituir por Stilton caso não encontrem esta variedade)


Num prato fundo, ou taça, batemos os ovos durante dois minutos. Juntamos o bacalhau, os pimentos cortados aos pedacinhos e a pitada de sal. Mexemos bem para que os ingredientes se incorporem no ovo. Esfarelamos o queijo por cima desta mistura. Voltamos a mexer muito bem. Peneiramos a farinha e envolvemos na mistura com muito cuidado para não formar grumos. Aquecemos uma frigideira anti-aderente untado com um pouco de azeite. Assim que a frigideira estiver quente vertemos nela uma colher de sopa de massa. Deixamos cozinhar até que a massa comece a ficar dourada e firme. Com cuidado vamos descolando os lados da panqueca com uma espátula até descolar perfeitamente. Viramos de lado quando isso acontece. Deixamos cozer do outro lado. Repetimos o processo com a restante massa. Estas panquecas são óptimas para piqueniques primaveris ou refeições mais ligeiras.

Ingredients:
2 eggs 100g of shredded salt cod
2 small bell peppers
4 tablespoons of plain flour
A pinch of salt
20g of Irish Crozier Blue (if you can't find this particular type of cheese you may use Stilton instead)

Break the eggs into a bowl and whisk them vigorously for about 2 minutes. Add the codfish, the diced peppers and a pinch of salt. Mix everything well. Crumble the cheese onto the mixture. Mix everything again. Sift the flour and add to the bowl while mixing very carefully so that the batter doesn't turn lumpy. Heat up a non-stick frying pan lightly greased with olive oil. As soon as the pan gets hot pour in a tablespoon of batter. Let it cook until the batter turns golden brown and firm. Carefully, with the help of a spatula, try to unstick the edge of the pancake from the pan until it's completely free. Flip the pancake and let it brown on the other side. Repeat the process for the remainder of the batter. These pancakes are great for both spring picnics and light meals.



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Um novo capítulo | A New Chapter

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Quem leu o último post não imaginaria que por estes lados se vivia um verdadeiro frenesim, a preparação de um casamento.  Por estas bandas, decidimos contribuir para as estatisticas portuguesas que dão conta que o número de casamentos voltou a subir depois de uma década sempre em número decrescente. Mas mais do que contribuir para as estatisticas, por estas bandas, decidimos escrever mais um capítulo de uma história de amor que se deseja longa. Sim, sim, os últimos tempos têm sido lamechas.

Those who read the last post might not have guessed that it's been quite frenzied around here, we've been preparing a wedding. Yes, we decided to do our part to boost portuguese marriage statistics and help them rise again after about ten years of decline. But more than contribute to the rising number of matrimonies, we've decided to start writing a new chapter of our love story - one that will hopefully take a long long time to complete. Yes, yes, we're going through a very lovey-dovey, mushy phase. 



Dizem que todas as crianças uma ou outra vez sonham com este momento. Eu não devo ter fugido à regra, mas confesso que não me lembro. Apenas sei que à medida que crescia, a ideia de matrimónio esbarrava na vontade de correr mundo. Contudo, quis o destino que apenas me fosse permitido conhecer províncias, quis o destino que houvesse mais fofura no meu mundo pessoal e menos checks in's e portas de embarque solitárias. À conta do destino, embarquei numa aventura bem mais admirável: a de duas pessoas que lutam diariamente para se entenderem na linguagem universal que é o amor, ao mesmo tempo que lidam com as miudezas das rotinas diárias.

People say that we all dream of this moment when young. I probably did too, but I confess that those childhood memories, if they ever existed, are beyond remembrance. All that remained, as I grew older, was the feeling that the very idea of marriage crashed against my desire to see the world. However, fate allowed me only to see provinces, but filled my world with more tenderness and love and less lonely check-ins and boarding gates. Thanks to fate, I embarked on an even more remarkable adventure: two people struggling to understand each other and be understood in that most universal of languages – love, while at the same time having to deal with all the drudgery of daily life.

E este não é um desafio fácil. Se fosse fácil as estatisticas em relação a dar o nó não teriam estado tão baixas na última década. Quem sou eu para achar que posso vir para a net escrever sobre este assunto. Falo apenas tendo como ponto de partida esta maravilhosa aventura em que estou metida e no que vivi e experienciei nos últimos tempos. Alguém dizia que basta o amor e uma cabana. Eu não vou muito nesta cantiga. Amar dá trabalho. É necessário alimentar o amor todos os dias, nos bons dias e principalmente nos maus dias. Naqueles em que não temos paciência para nós, quanto mais para o outro ser que habita o nosso espaço. Para além do investimento pessoal, às vezes o mais difícil é lidar com as pressões rotineiras a que um casal hoje em dia está sujeito. As horas infinitas de trabalho e as pressões laborais, a família a quem muitas vezes não conseguimos dar atenção, todos aqueles que se acham no direito de opinar. Mas será que vale a pena o esforço?  Cada vez que olhamos para as fotos do grande dia ou para as imagens que compõem a nossa história sorrimos de forma enternecida (e parva também). Esta é a melhor resposta que vos posso dar.

And this is not an easy challenge. If it was, perhaps the statistics would not have shown the decline in weddings that we experienced this past decade. But who am I to think that I can climb onto this Internet soapbox and wax on and on about a subject more suited for the scrutiny of a sociologist. I can only speak with authority about the starting point of a wonderful adventure that I lived and experienced recently. Some say that love is easy. I'm not so sure I agree. Love is hard work. You have to nurture love every single day, both in good days and specially in bad ones - you know, those where we hardly have patience for ourselves let alone for another being who co-inhabits our space. And if managing our level of personal investment wasn't hard enough, couples have to deal with day-to-day pressures that can stretch relationships to breaking point. Infinite working hours and work related troubles, guilt over not being able to make time for all family and friends who demand our attention, dealing with all the wise men and women who take it upon themselves to dish out unsolicited advice and full-proof solutions for our plight. But, in the end, is it worth it? Each time we look at the photographs of that big day, or of other moments that make up our story, a tender (and somewhat silly) smile appears on our faces. That's the best answer that I can give you. 

Consciente de que às vezes é importante partilhar experiências, partilhar contrariedades que acontecem, vou preparar uma série de pequenos posts sobre esta temática. Algo que irá fugir aos habituais posts do Reservatório de Sensações, mas que espero que gostem.

In an effort to share experiences, to talk about what went well – and less well – I'm going to try to write several brief posts about all this. While they may be quite different from the usual writings found here I hope you will, nevertheless, enjoy reading them.

Fotografias Francisco Ferreira - Photography e Reservatório de Sensações
Design Floral Guida Design de Eventos
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Lasanha de Cogumelos Marron (com lembretes positivos)

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Sou leitora assídua do Às 9 no meu blogue. Gosto das palavras que por lá vou encontrando. A Sofia tem a capacidade de,  forma bonita e poética, nos relembrar de alguns conselhos, que tantas vezes oferecemos aos outros, mas que insistimos em não aplicar nas nossas vidas, no nosso dia-a-dia.

No outro dia deparei-me com a seguinte frase: "Tenho a coragem de educar a minha cabeça a procurar um único ponto de equilíbrio: o meu." Parece simples, certo? Se vivemos na nossa pele, parece lógico que queiramos existir de forma equilibrada. Mas quantas vezes nos deixamos ultrapassar por um trabalho com trejeitos de bulliyng, pela falta de tempo que escapa por entre rotinas sem sentido, pelas críticas de quem não vive na nossa pele, por um sentimento que não encaixa no nosso coração, por necessidades que atropelam o que realmente precisamos? Quantas vezes adiamos o nosso futuro? Quantas vezes chegamos a casa ao final do dia com as lágrimas encostadas à alma e dizemos: é só hoje, amanhã tudo será diferente. Porém, continuamos a empurrar com a barriga as questões que nos apoquentam e incendeiam a alma.



Eliminar o que alimenta a toxicidade da vida é uma tarefa complicada. Exige muitas vezes decisões duras, respostas directas e um sentimento de coragem gigante. Atitudes que podem ser confundidas com egoísmo. Mas será egoísmo lutar pelo amor próprio, lutar por respirar um ar mentalmente saudável? Na verdade não há outra maneira de agarrar o futuro, nem de deixar fluir a vida.

Confesso que às vezes me esqueço disto. Perco da lembrança que a vida é efémera, que necessita de um cuidado permanente e de mimos constantes. Às vezes tenho de recordar que viver não é apenas existir. Viver é saborear os dias que se vestem de respeito por quem somos. Viver é acreditar que possuímos as capacidades para concretizar sonhos. Viver é serenar no amor de quem reconhece o nosso amor próprio. Vou ali viver um bocadinho, respirar, aprender mais sobre mim mesma, namorar.





Ingredientes
1 cebola picada
2 dentes de alho
250gr de Cogumelos frescos Marron
3 colheres de sopa de azeite
sal e pimenta
1 pacote de molho bechamel
1 pacote de natas ou de soja
queijo parmesão ralado
pão ralado q.b.
massa fresca para lasanha

Alouramos em azeite a cebola e o alho. Adicionamos os cogumelos e salteamos durante dois minutos. Juntamos um pacote de natas e deixamos apurar. Cobrimos o fundo de um tabuleiro com um pouco deste recheio. Dispomos sobre ele uma camada de massa fresca para lasanha. Repetimos este processo até esgotarmos o recheio. A última camada deve ser de massa. Cobrimos com o molho bechamel, o queijo ralado e o pão ralado. Levamos ao forno pré aquecido a 180ºC durante cerca de 45 minutos.




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