Bolo de Chocolate, Creme Pasteleiro e Cobertura de Queijo Creme

3 sensações partilhadas
Lembro-me que na minha infância uma das minhas sobremesas preferidas era muito, muito simples e envolvia belas e suculentas romãs. Sempre que chegava o outono, era o meu avô paterno que me preparava esta delicia. Ele colhia as romãs no quintal, abri-as, com muita precisão soltava as bagas vermelhas para dentro de uma tigela e cobria-as com enormes colheres de açúcar. Como eu adorava aquela mistura de ácido com o doce. Hoje em dia seria impensável voltar a degustar esta sobremesa. Estamos todos conscientes dos malefícios do açúcar. Mas naquela altura, este manjar tão singelo sabia tão bem.




Actualmente, são várias as romãzeiras que plantámos no "meu" campo. Quando nos presenteiam com os seus frutos redondos, aproveitamo-los para fazer sumo natural, que possui elevados poderes antioxidantes. Confesso que o acho bastante ácido, mas diluído em água é bastante agradável.

Mas eu não sou a única da família apaixonada por este fruto. Existe alguém que se gaba que não apanha uma gripe séria há anos, devido ao poder natural das romãs. Por isso, sempre que chega o seu aniversário, deixo-me levar pela inspiração desta verdadeira explosão de cor outonal. A meu ver acho que ele, o meu pai, fica sempre contente.



Bolo de Chocolate
1 e ¾ chávenas de açúcar
2 chávenas de farinha
3 colheres de chá de fermento
½ Chávena de chocolate em pó
½ chávena de óleo
¾ de chávena de água quente
6 ovos

Separamos as gemas das claras. Batemos as claras em castelo e reservamos. Numa taça juntamos as gemas e o açúcar e incorporamos bem até obtermos uma mistura fofa. Adicionamos o óleo. Misturamos tudo com a batedeira eléctrica. Juntamos a farinha e o fermento e batemos. Adicionamos o chocolate dissolvido previamente na água quente. Depois de todos os ingredientes estarem bem incorporados, juntamos aos poucos esta mistura às claras batidas em castelo. Deitamos a massa numa forma untada e levamos ao forno, previamente pré-aquecido a 160ºC, durante cerca de 45 minutos.

Creme Pasteleiro
(baseado na receita de Rosa Cardoso, autora do blogue Be Nice, Make a Cake)

400ml de leite
100gr de açúcar
35gr de farinha
10gr maizena
2 ovos
casca de laranja e de limão

Levamos o leite a ferver com as cascas de laranja e de limão. Numa taça diferente, juntamos todos os outros ingredientes e mexemos até obtermos uma mistura pastosa. Após o leite ferver, juntamo-lo aos poucos no preparado anterior. O objectivo passa por temperar a mistura sem cozer os ovos. Levamos novamente a lume brando até o preparado engrossar ligeiramente. Depois de retirarmos do lume, devemos tapar com película aderente, mesmo colada à superfície do creme, de forma a evitar que este ganhe uma crosta por cima.

Cobertura de Queijo Creme
200gr de queijo mascarpone
125gr de manteiga sem sal (à temperatura ambiente)
350gr de açúcar em pó

Juntamos todos os ingredientes na taça da batedeira e batemos tudo até obtermos uma textura cremosa e homogénea. Depois de cobrir o bolo podemos finalizar com o topping desejado. Neste caso utilizei bagos de romã e frutos secos partidos grosseiramente.


Ler mais

Bolinhos de Curcuma

Partilha a tua sensação
Ultimamente é certo e sabido que mal chega o Outono o meu corpo se ressente e apanho uma bela e incomodativa gripe. Uns dizem-me que se trata de ter as defesas em baixo. Outros dizem que é do trabalho em excesso. Outros dizem-me que poderá estar relacionado com a má alimentação que muitas vezes pratico. E ainda há quem me chame a atenção para o perigo dos quentes mas traiçoeiros últimos raios de sol do início de outono. Se tivesse que me por a adivinhar diria que não existe uma razão isolada. Se calhar todas estas situações contribuem para que no início desta estação o meu corpo se sinta fragilizado.

Este ano, numa feira do mel em que estive presente, aconselharam-me a tomar todos os dias uma colher de chá de pólen de abelha. Ao início estranhei o sabor, mas agora todos os dias o meu chá matinal se reveste deste precioso alimento super nutritivo, que contém benefícios ao nível da defesa do sistema imunológico.




Também me aconselharam o uso de curcuma (ou açafrão da terra), é uma planta da família do gengibre, que possui importantes propriedades antivirais. Embora já tivesse feito alguma pesquisa sobre esta raiz, a verdade é que não costumo dar-lhe grande uso. A não ser em algumas receitas de bolos (como esta que hoje partilho), mas nada confeccionado a pensar na saúde.

Uma coisa é certa, estar doente, seja por causa de uma maleita mais ou menos grave, causa aborrecimento e impede-nos de levar uma vida profissional e pessoal normal. Ás vezes basta mudarmos pequenos pormenores nos nossos hábitos diários para atingirmos outro patamar de qualidade de vida. Espero dentro em breve partilhar receitas preventivas baseadas em mezinhas e em ingredientes naturais. Mas para já aqui fica a receita destes bolinhos secos, que combinam com um chá quentinho, uma manta nas pernas e um bom filme.





Ingredientes
30gr de curcuma fresca
175gr de farinha de trigo
140gr de açúcar mascavado
100ml de óleo de girassol
3 ovos (de preferência tamanho L)
1 colher de fermento m pó

Aquecemos previamente o forno à temperatura de 180ºC. Ficamos finamente a curcuma fresca e reservamos. Numa tigela grande colocamos os ovos, o óleo de girassol e o açúcar. Batemos bem até obtermos uma massa fofa e esbranquiçada. Peneiramos a farinha e o fermento em pó para dentro da mesma tigela. Batemos novamente até a farinha ficar bem incorporada. Distribuímos a massa pelas forminhas, previamente untadas. Levamos ao forno durante 15 a 20 minutos ou até a massa ter crescido e dourado. Esperamos que arrefeçam para os desenformarmos.


Ler mais

Doce de Marmelo

Partilha a tua sensação
O que mais me agrada no Outono são os vários frascos e boiões com diferentes cores e texturas que se acumulam nas minhas prateleiras da cozinha. Costumo dizer em tom de brincadeira que basta abrir os armários para degustar esta estação do ano tão rica.  Rica em frutos que pedem para ser conservados.

Há muitos anos trás, num passado não tão longinquo quanto se possa pensar, coservar e guardar comida assumia-se como uma questão de garantir a sobrevivência das famílias. Mas hoje em dia essa realidade é totalmente diferente.



Nos dias de hoje, qualquer superfície comercial, mesmo um mini-mercado, apresenta uma oferta  variada de todos os tipos de alimentos e conservas. O que é uma óptima evolução, pois não nos podemos esquecer que "os velhos tempos" que tantas vezes evocamos eram sem dúvidas muito difíceis. Não vale a pena entrar em saudosismos bacocos.

Mas uma coisa é certa, apesar de todo o conforto que um supermercado nos possa proporcionar, existe uma alegria diferente e enorme quando servimos comida caseira aos amigos e familiares. Já para não falar nas oportunidades diferentes em que podemos transformar um simples petisco num manjar dos deuses.

Só há um senão, com uma variada escolha de frutos outonais, o difícil vai ser escolher quais vamos querer conservar. Este ano optei por fazer doce de marmelo. Uma delicia só vos digo.

Ingredientes
1kg de marmelos descascados e sem caroço
700gr de açúcar amarelo
sumo de dois limões
400ml de água

Deitamos numa panela de fundo grosso, os marmelos, o açúcar  e o sumo de limão e deixamos marinar durante 20 minutos. Juntamos a água. Levamos a panela a lume brando durante cerca de 30 minutos e deixamos ferver bem. Apagamos o lume e trituramos os marmelos, manualmente e grosseiramente com um garfo ou com a varinha mágica. Verificamos o ponto de consistência (ver nota abaixo). Depois de atingirmos o ponto pretendido, deixamos arreferecer durante cinco minutos. Colocamos a compota nos frascos esterilizados. Guardamos os frascos em sítio escuro e ao abrigo do calor. Depois de abertas, as compotas devem ser convervadas no frigorífico.

Ponto de consistência:
Para sabermos se atingimos o ponto de consistência da compota, devemos colocar um pires no frigorífico durante 15 minutos. Assim que acharmos que a nossa compota está no ponto, desligamos o tacho/panela e deitamos uma colher generosa da mistura quente no prato fresco e levamos ao frigorífico durante cinco minutos. Para verificarmos se está mesmo no ponto, tiramos o pires do frigorífico e empurramos uma beira da mistura com o dedo, se esta enrugar então a compota estará pronta. Se não enrugar voltamos a colocar o tacho/panela ao lume e deixamos cozinhar até ficar mais firme e depois voltamos a testar.

Ler mais

Bolo Salgado de Chouriço Picante e Queijo Edam

Partilha a tua sensação
Este ano o verão foi precioso. Cada segundo gasto foi recuperado em satisfação, em sentimento de utilidade e de pertença. Se preguicei embalada pelo ritmo quente da praia foi porque precisei de descansar o corpo, se me aventurei por caminhos nunca antes trilhados foi porque a minha alma precisava de outros ares, se organizei almoços, jantares e afins rodeada da melhor companhia foi porque senti necessidade de amar as pessoas que me querem bem. Compreendi cada exigência existencial e dei-lhe uma resposta certa, sem deixar para amanhã o que bem podia fazer ontem.

Este ano o verão foi acima de tudo energia positiva pura, partilhada por todos os que quiseram fazer parte desta áurea benéfica e multiplicada por muitos e bons corações que dão compasso ao meu ser. E apesar de não ser fã da estação veraneante, aproveitei-a como se o amanhã estivesse a duas realidades de distância. Mas o amanhã chegou oficialmente imposto por um calendário. Eu ainda tentei não virar a página de Agosto, todavia o outono manteve-se imperativamente riscado no papel.



Sim, eu sei que a minha estação do ano preferida é o outono e as suas manhãs tépidas que pedem cama quente e afagos de cabeça consoladores. Mas este ano sinto-me como uma criança que descobre o verbo de impositiva solicitação e se prepara para instalar a mais teimosa birra. Informo que quero mais luz, mais piqueniques, mais sestas, mais mar, mais praia, mais viagens, mais passeios, mais crepúsculos cor-de-rosa e mais comida refrescante (como por exemplo este bolo salgado, que me acompanhou em diversos piqueniques.). Quero e pronto!

Ingredientes
4 ovos
100ml de leite
1 requeijão de 250gr
50gr de chouriço picante
100gr de queijo Edam
350gr de farinha
1 colher de chá de fermento

Pré-aquecemos o forno a 170ºC. Untamos uma forma quadrada. Batemos os ovos com o leite e com o requeijão até obtermos uma mistura fofa. Adicionamos o chouriço e o queijo devidamente picados. Acrescentamos a farinha e o fermento, previamente peneirados. Vertemos a mistura na forma e levamos ao forno durante 40 minutos ou até o bolo ficar firme ao toque. Aguardamos cerca de 10 minutos e desenformamos em cima de uma grelha de arrefecimento.





Ler mais

Gelado de Figo

Partilha a tua sensação
A primeira árvore que trepei dava figos grandes e carnudos. Os seus ramos grossos permitiam-me subir quase até ao céu. E como eu gostava daquela sensação de liberdade, mesmo que o preço a pagar fossem uns joelhos esfolados e uns braços arranhados. Muitas vezes escondia-me no segundo ramo da direita, e ria-me baixinho quando os adultos me procuravam. Bem...Talvez esta não tenha sido a primeira árvore que trepei. Mas foi com certeza a que me ficou especialmente gravada na memória. Primeiro porque foi plantada pela minha avó paterna da qual não tenho qualquer memória. Sempre acreditei, quis acreditar, que ela a tinha plantado para mim, para eu descobrir o que é a liberdade e aprender a falar com o vento que sibila por entre as ramagens largas. Segundo, porque foram imensas as barrigadas de figos que me proporcionou. Hoje essa árvore já não existe, todavia, o gosto pela liberdade mantém-se, assim como o gosto por figos.

E se gostam tanto de figos como eu, têm de experimentar este singelo gelado. Como o outono está a chegar quentinho, julgo que esta pode ser uma boa receita para o receber. O que acham?


 Ingredientes
100gr de figos pingo de mel
2 iogurtes grego natural (sem açúcar)
200ml de leite de coco


Retiramos a casca dura dos figos e deitamos fora. Misturamos o interior dos figos com os iogurtes gregos. Batemos o leite de coco juntamente com duas colheres de sopa de açúcar. Cá por casa não temos máquina de gelados, portanto, utilizamos mesmo o congelador. Deitamos a mistura num recipiente que possa ir ao congelador e de 30 em 30 minutos, durante duas horas, batemos o gelado para prevenir a formação de cristais de gelo. Devemos retirar 10 minutos antes de servir.

Ler mais

Tarte de Amoras e Pêssegos

Partilha a tua sensação
Durante muitos anos, fui filha única, sobrinha única, neta única e bisneta única na família. Uma canseira, só vos digo. As responsabilidades eram mais que muitas. Todos os olhos estavam pousados na única criança da família. O que eu fazia ou não fazia era escortinado por toda a gente. Mas claro...não me estou a queixar, porque por outro lado os mimos eram a dobrar, melhor a triplicar. Portanto, é com muito gosto que admito que sou uma verdadeira mimada. E sabem o que me fica na memória dessa vivência verdadeiramente acarinhada? As diversas aventuras em que me metiam. 

Lembro-me perfeitamente de um dia em que os meus tios, quase todos adolescentes ou jovens adultos, me obrigaram a ir à apanha da amora. O objectivo era apanhar a quantidade suficiente para fazer um pudim de amora para cerca de dez pessoas. E nunca vi tanta peripécia junta. Desde nos enganarmos milhentas vezes no caminho e não encontrarmos as amoras, desde nos embrenharmos em mato e ficarmos todos arranhados, até sermos corridos à vassourada por estarmos a colher amores em campos privados.


Porém, o mais caricato aconteceu quando, pequenos leigos na cozinha, nos desafiámos a confeccionar o tal pudim de amora. Só vos posso dizer que tudo no resultado final era péssimo. O cheiro era horrível, o aspecto da consistência era duvidoso e o sabor insuportável. Durante alguns anos não consegui olhar para as amoras da mesma forma, nem comê-las. Mas isso já lá vai. Agora todos os anos me dedico a encher a cozinha com este pequeno tesouro negro.

Este ano para além da habitual compota, decidi que tinha que, pela primeira vez, confeccionar uma tarte de amoras ou que levasse amoras. Descobri uma receita maravilhosa no livro Conservas - Feito em Casa. Não é uma receita difícil, mas sim trabalhosa. Mas acredite, no final, vai valer a pena todo o tempo investido.


INGREDIENTES
Para a massa doce
50gr de açúcar
100gr de manteiga amolecida
1 ovo batido
200gr de farinha
uma pitada de sal
 
Para o glacê
100gr de compota de frutos vermelhos
1 colhers de sopa de água
1 colher de sopa de vinho moscatel

Para o creme pasteleiro
50gr de açúcar
3 gemas grandes
20gr de farinha
20gr de farinha maisena
300ml de leite
raspa de um limão

Para a fruta
200gr de amoras (limpas)
300gr de pêssegos (descascados e cortados às fatias finas)





Para a massa doce, batemos o açúcar e a manteiga amolecida numa tigela e juntamos gradualmente o ovo, a farinha e o sal. Formamos uma bola, envolvemos em película aderente e levamos ao frigorífico por 30 minutos.

Entretanto preparamos o glacê. Aquecemos a compota, a água e o vinho moscatel numa caçarola até que fiquem bem envolvidos, depois coamos com um passador fino. Deixamos arrefecer enquanto confeccionamos o creme pasteleiro.

Misturamos o açúcar e as gemas numa tigela e peneiramos as farinhas. Misturamos até obtermos uma pasta lisa. sem grumos. Aquecemos o leite com a raspa de limão numa caçarola até ferver. Tiramos do lume e adicionamos gradualmente à mistura das farinhas, mexendo com cuidado e com movimentos lentos. Quando o leite estiver todo incorporado vertemo-lo novamente para a caçarola e levamos ao lume para mais uns minutos. Mexemos sempre até o creme o engrossar. Apagamos o lume, tapamos e deixamos arrefecer.

Pré-aquecemos o forno a 180ºC e untamos uma forma com 20 centímetros de diâmetro. Tiramos a massa do frigorífico, estendemo-la e forramos com ela a forma. Picamos a base com um garfo, forramos com papel vegetal e sobrepomos feijões secos. Levamos ao forno por 20 minutos ou até massa ficar dourada. Retiramos o papel e os feijões. Deixamos arrefecer.

Untamos a parte de dentro da massa com parte do glacê e deixamos secar. Sobrepomos o creme pasteleiro arrefecido e dispomos a fruta por cima a gosto. Aquecemos o restante glacê e pincelamos a fruta.




Ler mais
Próximo publicaçãoMensagens mais recentes Publicação anteriorMensagens antigas Página inicial