Doce de Marmelo

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O que mais me agrada no Outono são os vários frascos e boiões com diferentes cores e texturas que se acumulam nas minhas prateleiras da cozinha. Costumo dizer em tom de brincadeira que basta abrir os armários para degustar esta estação do ano tão rica.  Rica em frutos que pedem para ser conservados.

Há muitos anos trás, num passado não tão longinquo quanto se possa pensar, coservar e guardar comida assumia-se como uma questão de garantir a sobrevivência das famílias. Mas hoje em dia essa realidade é totalmente diferente.



Nos dias de hoje, qualquer superfície comercial, mesmo um mini-mercado, apresenta uma oferta  variada de todos os tipos de alimentos e conservas. O que é uma óptima evolução, pois não nos podemos esquecer que "os velhos tempos" que tantas vezes evocamos eram sem dúvidas muito difíceis. Não vale a pena entrar em saudosismos bacocos.

Mas uma coisa é certa, apesar de todo o conforto que um supermercado nos possa proporcionar, existe uma alegria diferente e enorme quando servimos comida caseira aos amigos e familiares. Já para não falar nas oportunidades diferentes em que podemos transformar um simples petisco num manjar dos deuses.

Só há um senão, com uma variada escolha de frutos outonais, o difícil vai ser escolher quais vamos querer conservar. Este ano optei por fazer doce de marmelo. Uma delicia só vos digo.

Ingredientes
1kg de marmelos descascados e sem caroço
700gr de açúcar amarelo
sumo de dois limões
400ml de água

Deitamos numa panela de fundo grosso, os marmelos, o açúcar  e o sumo de limão e deixamos marinar durante 20 minutos. Juntamos a água. Levamos a panela a lume brando durante cerca de 30 minutos e deixamos ferver bem. Apagamos o lume e trituramos os marmelos, manualmente e grosseiramente com um garfo ou com a varinha mágica. Verificamos o ponto de consistência (ver nota abaixo). Depois de atingirmos o ponto pretendido, deixamos arreferecer durante cinco minutos. Colocamos a compota nos frascos esterilizados. Guardamos os frascos em sítio escuro e ao abrigo do calor. Depois de abertas, as compotas devem ser convervadas no frigorífico.

Ponto de consistência:
Para sabermos se atingimos o ponto de consistência da compota, devemos colocar um pires no frigorífico durante 15 minutos. Assim que acharmos que a nossa compota está no ponto, desligamos o tacho/panela e deitamos uma colher generosa da mistura quente no prato fresco e levamos ao frigorífico durante cinco minutos. Para verificarmos se está mesmo no ponto, tiramos o pires do frigorífico e empurramos uma beira da mistura com o dedo, se esta enrugar então a compota estará pronta. Se não enrugar voltamos a colocar o tacho/panela ao lume e deixamos cozinhar até ficar mais firme e depois voltamos a testar.

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Bolo Salgado de Chouriço Picante e Queijo Edam

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Este ano o verão foi precioso. Cada segundo gasto foi recuperado em satisfação, em sentimento de utilidade e de pertença. Se preguicei embalada pelo ritmo quente da praia foi porque precisei de descansar o corpo, se me aventurei por caminhos nunca antes trilhados foi porque a minha alma precisava de outros ares, se organizei almoços, jantares e afins rodeada da melhor companhia foi porque senti necessidade de amar as pessoas que me querem bem. Compreendi cada exigência existencial e dei-lhe uma resposta certa, sem deixar para amanhã o que bem podia fazer ontem.

Este ano o verão foi acima de tudo energia positiva pura, partilhada por todos os que quiseram fazer parte desta áurea benéfica e multiplicada por muitos e bons corações que dão compasso ao meu ser. E apesar de não ser fã da estação veraneante, aproveitei-a como se o amanhã estivesse a duas realidades de distância. Mas o amanhã chegou oficialmente imposto por um calendário. Eu ainda tentei não virar a página de Agosto, todavia o outono manteve-se imperativamente riscado no papel.



Sim, eu sei que a minha estação do ano preferida é o outono e as suas manhãs tépidas que pedem cama quente e afagos de cabeça consoladores. Mas este ano sinto-me como uma criança que descobre o verbo de impositiva solicitação e se prepara para instalar a mais teimosa birra. Informo que quero mais luz, mais piqueniques, mais sestas, mais mar, mais praia, mais viagens, mais passeios, mais crepúsculos cor-de-rosa e mais comida refrescante (como por exemplo este bolo salgado, que me acompanhou em diversos piqueniques.). Quero e pronto!

Ingredientes
4 ovos
100ml de leite
1 requeijão de 250gr
50gr de chouriço picante
100gr de queijo Edam
350gr de farinha
1 colher de chá de fermento

Pré-aquecemos o forno a 170ºC. Untamos uma forma quadrada. Batemos os ovos com o leite e com o requeijão até obtermos uma mistura fofa. Adicionamos o chouriço e o queijo devidamente picados. Acrescentamos a farinha e o fermento, previamente peneirados. Vertemos a mistura na forma e levamos ao forno durante 40 minutos ou até o bolo ficar firme ao toque. Aguardamos cerca de 10 minutos e desenformamos em cima de uma grelha de arrefecimento.





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Gelado de Figo

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A primeira árvore que trepei dava figos grandes e carnudos. Os seus ramos grossos permitiam-me subir quase até ao céu. E como eu gostava daquela sensação de liberdade, mesmo que o preço a pagar fossem uns joelhos esfolados e uns braços arranhados. Muitas vezes escondia-me no segundo ramo da direita, e ria-me baixinho quando os adultos me procuravam. Bem...Talvez esta não tenha sido a primeira árvore que trepei. Mas foi com certeza a que me ficou especialmente gravada na memória. Primeiro porque foi plantada pela minha avó paterna da qual não tenho qualquer memória. Sempre acreditei, quis acreditar, que ela a tinha plantado para mim, para eu descobrir o que é a liberdade e aprender a falar com o vento que sibila por entre as ramagens largas. Segundo, porque foram imensas as barrigadas de figos que me proporcionou. Hoje essa árvore já não existe, todavia, o gosto pela liberdade mantém-se, assim como o gosto por figos.

E se gostam tanto de figos como eu, têm de experimentar este singelo gelado. Como o outono está a chegar quentinho, julgo que esta pode ser uma boa receita para o receber. O que acham?


 Ingredientes
100gr de figos pingo de mel
2 iogurtes grego natural (sem açúcar)
200ml de leite de coco


Retiramos a casca dura dos figos e deitamos fora. Misturamos o interior dos figos com os iogurtes gregos. Batemos o leite de coco juntamente com duas colheres de sopa de açúcar. Cá por casa não temos máquina de gelados, portanto, utilizamos mesmo o congelador. Deitamos a mistura num recipiente que possa ir ao congelador e de 30 em 30 minutos, durante duas horas, batemos o gelado para prevenir a formação de cristais de gelo. Devemos retirar 10 minutos antes de servir.

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Tarte de Amoras e Pêssegos

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Durante muitos anos, fui filha única, sobrinha única, neta única e bisneta única na família. Uma canseira, só vos digo. As responsabilidades eram mais que muitas. Todos os olhos estavam pousados na única criança da família. O que eu fazia ou não fazia era escortinado por toda a gente. Mas claro...não me estou a queixar, porque por outro lado os mimos eram a dobrar, melhor a triplicar. Portanto, é com muito gosto que admito que sou uma verdadeira mimada. E sabem o que me fica na memória dessa vivência verdadeiramente acarinhada? As diversas aventuras em que me metiam. 

Lembro-me perfeitamente de um dia em que os meus tios, quase todos adolescentes ou jovens adultos, me obrigaram a ir à apanha da amora. O objectivo era apanhar a quantidade suficiente para fazer um pudim de amora para cerca de dez pessoas. E nunca vi tanta peripécia junta. Desde nos enganarmos milhentas vezes no caminho e não encontrarmos as amoras, desde nos embrenharmos em mato e ficarmos todos arranhados, até sermos corridos à vassourada por estarmos a colher amores em campos privados.


Porém, o mais caricato aconteceu quando, pequenos leigos na cozinha, nos desafiámos a confeccionar o tal pudim de amora. Só vos posso dizer que tudo no resultado final era péssimo. O cheiro era horrível, o aspecto da consistência era duvidoso e o sabor insuportável. Durante alguns anos não consegui olhar para as amoras da mesma forma, nem comê-las. Mas isso já lá vai. Agora todos os anos me dedico a encher a cozinha com este pequeno tesouro negro.

Este ano para além da habitual compota, decidi que tinha que, pela primeira vez, confeccionar uma tarte de amoras ou que levasse amoras. Descobri uma receita maravilhosa no livro Conservas - Feito em Casa. Não é uma receita difícil, mas sim trabalhosa. Mas acredite, no final, vai valer a pena todo o tempo investido.


INGREDIENTES
Para a massa doce
50gr de açúcar
100gr de manteiga amolecida
1 ovo batido
200gr de farinha
uma pitada de sal
 
Para o glacê
100gr de compota de frutos vermelhos
1 colhers de sopa de água
1 colher de sopa de vinho moscatel

Para o creme pasteleiro
50gr de açúcar
3 gemas grandes
20gr de farinha
20gr de farinha maisena
300ml de leite
raspa de um limão

Para a fruta
200gr de amoras (limpas)
300gr de pêssegos (descascados e cortados às fatias finas)





Para a massa doce, batemos o açúcar e a manteiga amolecida numa tigela e juntamos gradualmente o ovo, a farinha e o sal. Formamos uma bola, envolvemos em película aderente e levamos ao frigorífico por 30 minutos.

Entretanto preparamos o glacê. Aquecemos a compota, a água e o vinho moscatel numa caçarola até que fiquem bem envolvidos, depois coamos com um passador fino. Deixamos arrefecer enquanto confeccionamos o creme pasteleiro.

Misturamos o açúcar e as gemas numa tigela e peneiramos as farinhas. Misturamos até obtermos uma pasta lisa. sem grumos. Aquecemos o leite com a raspa de limão numa caçarola até ferver. Tiramos do lume e adicionamos gradualmente à mistura das farinhas, mexendo com cuidado e com movimentos lentos. Quando o leite estiver todo incorporado vertemo-lo novamente para a caçarola e levamos ao lume para mais uns minutos. Mexemos sempre até o creme o engrossar. Apagamos o lume, tapamos e deixamos arrefecer.

Pré-aquecemos o forno a 180ºC e untamos uma forma com 20 centímetros de diâmetro. Tiramos a massa do frigorífico, estendemo-la e forramos com ela a forma. Picamos a base com um garfo, forramos com papel vegetal e sobrepomos feijões secos. Levamos ao forno por 20 minutos ou até massa ficar dourada. Retiramos o papel e os feijões. Deixamos arrefecer.

Untamos a parte de dentro da massa com parte do glacê e deixamos secar. Sobrepomos o creme pasteleiro arrefecido e dispomos a fruta por cima a gosto. Aquecemos o restante glacê e pincelamos a fruta.




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Limonadas bem fresquinhas

3 sensações partilhadas
Mesmo a tempo do fim-de-semana, sai um post que vai cair bem com qualquer plano que tenham traçado para aproveitar o fim-de-semana. Seja um almoço com os amigos, um brunch sossegado com a cara metade ou até um piquenique ao ar livre, nunca podem faltar as bebidas. Eu sou adepta de sumos naturais e principalmente de limonadas. Além de serem mais saudáveis, de refrescarem mais, numa festa ou num encontro de amigos, fazem um vistão.

Apesar do tempo farrusco ainda há muito verão para aproveitar, portanto, espero que gostem ddestas duas sugestões.






Limonada de limão, gengibre e hortelã
Ingredientes para +/- 1,5l

300 ml de sumo natural de limão
1l de água fresca
50gr de gengibre
Açúcar a gosto
2 pés de hortelã

Esprememos o sumo dos limões e deitamos num jarro. Juntamos a água fria e o açúcar. Mexemos bem. Descascamos o gengibre, cortamos às rodelas e adicionamos à limonada. Acrescentamos também a hortelã. Se preferirem podem substituir a hortelã por cidreira, erva principe ou lúcia lima (sempre ervas frescas).



Limonada de framboesas
Ingredientes para +/- 1,5l

300gr de framboesas frescas (mais 50gr para enfeitar)
200ml de sumo natural de limão
1,5l de água fresca
Açúcar a gosto

Trituramos as framboesas. Coamos as sementes num passador de rede. Colocamos num jarro, o sumo de limão, o sumo das framboesas, a água e o açúcar. Mexemos bem. Adicionamos as framboesas inteiras.

Fotografias Dreamaker
Decoração e Acartonados Guida Design Eventos
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Um desafio muito saboroso

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Depois de um mês intenso e repleto de coisas boas, Agosto podia ter findado em tons mornos e sabores insipídos. Eu não me teria queixado. Mas existem datas e alturas que insistem com tudo, com toda a energia positiva para ficarem para sempre gravadas na memória. Existem datas cansativas mas que alimentam a alma e nos fazem um bocadinho mais feliz. Agosto foi assim e terminou com um desafio muito grande: preparar um piquenique/encontro de amigas/despedida de solteira/ sessão fotográfica. O desafio foi lançado pela Guida Design de Eventos (com quem já tinha tido o prazer de cooperar no evento Chá das Amigas) e era muito preciso naquilo que pedia: comida bonita mas confortável e apetecível. Pensei logo nos piqueniques que organizo para/com a família e nas receitas práticas, mas ao mesmo tempo reveladoras de aromas e sabores intensos.

Apesar do meu gosto pessoal por piqueniques, este desafio exigiu mais concentração da minha parte e mais carinho, para que tudo ficasse bonito. Além disso, eu já sabia que a decoração preparada pela Guida Design de Eventos iria ser um mimo, a comida teria de estar em concordância. A verdade é que tive três ajudantes maravilhosos, que revelaram talentos desconhecidos. Às vezes os grandes projectos começam assim com surpresas, carinho e uma pitada de farinha e açúcar.

Mas vejam as imagens (todas da autoria da Marta da Dreamaker). Falam por si. E muito obrigada Guida, Patrícia, amigas da Patrícia e Dreamaker pelo privilégio que foi participar neste momento mágico.

Se tiverem curiosidade ou quiserem repetir alguma das iguarias do encontro, podem encontrar algumas receitas mais abaixo. Basta seguirem os links.







Bolo de Iogurte e Limão



Bolinhas de Atum



Cheesecake de Amoras, Mirtilos e Morangos



Quiche de Bacon e Cogumelos Frescos

O menu completo foi:
Cupcakes de chocolate (simples polvilhados com açúcar em pó) 
Bolo de iogurte, recheado com compota de frutos vermelhos, cobertura de queijo creme e frutos vermelhos 
Cheesecake de Mirtilos e Morangos 
Salada de Couscous com Atum, Rúcula e ovos de codorniz 
Salada de verduras variadas com presunto, mozarella e molho vinagrete 
Quiche de Bacon e Cogumelos Frescos 
Empadas à Bolonhesa 
Bolinhas de Atum 
Limonada de framboesas 
Limonada de limão, gengibre e hortelã 
Sangria de vinho branco, laranja e frutos vermelhos 
 
Um dia destes falo-vos das limonadas e da sangria. Quem desse lado gosta deste género de bebidas?
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