Quem me conhece sabe que adoro caminhar
ao ar livre, conhecer Portugal através dos seus trilhos pedestres
.Partilhar dois dedos de conversa com as gentes de aldeias muitas
vezes isoladas pode ser inspirador. À conta destes meus passeios já
conheci lendas, monumentos, tradições e vivências maravilhosas.
Ontem, percorri parte do trilho do Circuito da Penoita Vouzela.
Alguns imprevistos obrigaram-me a voltar atrás. Gostei do que vi e
sei que é para regressar e percorrer os 13 quilómetros na
totalidade.
Take a Deep Breath
Hoje o dia amanheceu um bocadinho cinzento em todos os aspectos. As dúvidas são mais que muitas, motivadas por encontros pouco produtivos, por palavras mal interpretadas, por sugestões desagradáveis em relação ao Reservatório. Hoje é dia para parar, respirar fundo e perceber qual será o caminho.
"O que trazes no regaço senhora?"
"São desabafos, senhor!"
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"O que trazes no regaço senhora?"
"São desabafos, senhor!"
Para a frente é que é caminho.
Muitas voltas já deu este meu refúgio
virtual. É a esta conclusão que chego passados quase 6 anos desde o
nascimento do Reservatório de Sensações. Lembro-me que surgiu
depois de uma primeira tentativa de adesão à moda dos blogues. Essa
tentativa chamava-se Fatia de Melancia e soava a conversa ligeira em
tarde de convívio com os amigos. Não durou muitos meses.
Quando iniciei a actividade de
jornalista, com outra maturidade e vontade, dei início ao
Reservatório. Precisava de um espaço só meu, onde pudesse
partilhar textos que iam para além das normas jornalísticas, que
sempre tive muito gosto em seguir. Precisava de dois espaço
distintos para os dois mundos: o ético e o lúdico.
Durante anos, as Sensações
partilhadas resumiam-se a textos (pseudo) literários, retratos
figurados de pessoas que conhecia na rua, fotografias e músicas que
me acompanhavam no dia-a-dia.
Se alguém me dissesse na altura que o
meu Reservatório se encheria de sabores gastronómicos e inspirações
crafting, eu não acreditaria. Se me dissessem que o Blogue passaria
a ser também Facebook, eu não acreditaria. São novos os cheiros e
as texturas que povoam as minhas mensagens e as minhas novas
descobertas.
A mais recente mudança foi a mais
difícil, ou melhor foi a mais desafiante. Exigências dos tempos,
mas acima de tudo vontade de conquistar novos espaços e novas
experiências. O Reservatório ganhou corpo e as Sensações
tornaram-se palpáveis. A presença deste meu cantnho num Mercado de
Rua transformou tudo. Estar diante das pessoas com um rosto, foi
bastante estranho. Perde-se o anonimato e ganha-se responsabilidade,
ou pelo menos alguma pressão. Foi surpreendente ver as pessoas,
amigos, conhecidos a apontarem o endereço do blogue, a partilharem
ideias, a conversarem sobre o Reservatório. Mas ao mesmo tempo
senti-me muito sortuda perante o feedback imediato e caloroso com que
fui brindada. Não só eu, mas também a mãe que através do
Reservatório ganhou uma montra para o seu belo artesanato.
Qual será o futuro? Não sei, nem vou
fazer planos. Tenho a certeza que o Reservatório vai encher e
esvaziar a seu belo prazer, acompanhando o meu quotidiano e as
pessoas maravilhosas que me rodeiam. Tenho a certeza que não
faltaram Sensações para partilhar.
Chutney e uma viagem pelo oriente
Originário da Índia, os Chutneys são
um condimento com um paladar agri-doce, bastante forte. Confesso que
não sou apreciadora de comida indiana, muito menos de sabores
agri-doces. Porém, adoro experiências, de conhecer outros sabores e
outras paragens. Sim porque a comida, as tradições gastronómicas
são também parte da cultura de cada povo. Acredito que se pode
conhecer um povo através daquilo que confeccionam.
Por isso, e tendo esta ideia em mente,
decidi deitar mãos aos tachos e a meia dúzia de tomates já
bastante maduros e viajar até ao oriente.
Querem viajar também? Aqui fica a
receita.
400gr de tomates
100gr de açúcar mascavado
50ml de vinagre de vinho branco
1 chalota
2 paus de canela
Retiramos a pele aos tomates e as
sementes. Algumas sementes são teimosas e insistem em marcar presença, não se aborreçam com isso. Cortamos em pedaços pequenos. Reservamos os tomates.
Juntamos o açúcar com o vinagre numa caçarola e levamos ao lume.
Deixamos esta mistura durante 20 minutos em lume brando. De seguida,
adicionamos os paus de canela, os pedaços dos tomates e a chalota
picada finamente. Deixamos cozer durante 20 minutos. Retiramos do
lume e colocamos num frasco de vidro esterilizado.
















